Debate “Autárquicas 2017” entre os candidatos à Golpilheira: Posto médico e rio Lena no topo das prioridades

 

Há oito anos, o Jornal da Golpilheira promoveu o debate “Golpilheira 25 anos”, no contexto das bodas de prata da criação da freguesia e das eleições autárquicas de 2009. Foi, na época, um bom exercício de reflexão sobre o estado da freguesia e as perspectivas para o seu futuro.
Foi com essa base de experiência e com o mesmo objectivo que voltou a decidir juntar à mesa do debate as três listas candidatas à Assembleia de Freguesia da Golpilheira, apoiadas pelos partidos CDS-PP, PS e PSD.
O ambiente do debate foi em geral cordato, tanto por parte dos intervenientes, que algumas vezes salientaram estar “entre amigos” que lutam pelo mesmo objectivo de querer desenvolver a sua terra, como pela assistência, uma sala composta por cerca de 120 pessoas, algumas delas vindas de outras freguesias.
Se tivéssemos de encontrar uma tónica comum, seria a indicação de poucos fundos próprios da Junta e grande dependência de financiamento externo.
Por sorteio, a ordem da primeira ronda foi PSD – CDS – PS, seguindo as restantes de forma rotativa. Usamos esta ordem para o resumo do que foi dito.

 

PSD

O PSD defendeu que muito tem sido feito, mas também há a fazer, com planeamento imediato de acção em áreas como saneamento, iluminação pública LED, recolha de lixo, limpeza e ampliação de espaços empresariais. A Junta tem fracos recursos e depende muito de acordos com o Município, trabalho que “está já a ser preparado”, por exemplo, para rever o ordenamento do território e ajustes possíveis ao PDM, promover a requalificação urbana, criar um centro cívico e uma zona verde de lazer, bem como condições que favoreçam a fixação de adultos e jovens.
A Golpilheira é “uma comunidade dinâmica” e há que apoiar mais o Centro Recreativo (CRG) e as iniciativas da Igreja, mas a Junta pode “ambicionar o papel de promotor cultural”, com novas propostas, captação de fundos e parcerias e a criação de uma plataforma digital para coordenação do trabalho dos vários agentes.
Não acreditam na recuperação do posto médico, por depender do poder central, mas na sua crescente utilização, em parceria com o Município e a Misericórdia da Batalha. Querem recorrer mais à “excelente” rede social da Câmara e estudar a possibilidade de uma IPSS com o CRG, para apoio a crianças e idosos.
Elogiam a participação cívica na freguesia, também pelos mais jovens, mas defendem a educação para a cidadania nas escolas.
Se a Junta dependesse apenas do seu orçamento, não faria muito mais do que a manutenção dos serviços básicos. Mas a prioridade será a aposta ambiental no rio Lena, com criação de via pedonal e zona de lazer. É isso que querem fazer já.
Último argumento para o voto, a excelente ligação com o Município, a noção clara do que querem fazer e a convicção de que reúnem uma excelente equipa.

 

CDS-PP

O CDS começou por afirmar que pouco foi feito nos últimos anos e não há um planeamento a longo prazo, a fazer “com pés e cabeça”. Há muito a fazer nas infra-estruturas locais e para o desenvolvimento económico, devendo a Junta fazer a ligação entre o Município e as empresas. A principal crítica foi para a revisão do PDM, que limitou a capacidade de construção e crescimento da freguesia.
Quanto às actividades culturais, há que apoiar mais a colectividade, pelo seu papel dinamizador e de ocupação de crianças e jovens. Também as iniciativas da Comunidade Cristã deverão ser apoiadas e promovido o aproveitamento do património e da recente valorização da igreja, incluindo-a num roteiro de turismo religioso.
O principal problema social são “muitos idosos que vivem sozinhos”, para os quais há que criar “condições de vida com dignidade”, como um espaço na Junta onde possam conviver e estar activos. Também a reabertura do centro de saúde é uma necessidade e possibilidade, pois “será mais fácil deslocar um médico e um enfermeiro, do que toda a população para a Batalha”.
A cidadania deverá ser ensinada nas escolas, mas terá de ser dada oportunidade aos mais novos e aproveitar as suas ideias, para que se sintam envolvidos e “não estejam sempre a ver as mesmas caras no poder”.
Se a Junta dependesse apenas do seu orçamento, havia que reduzir despesas e apostar tudo o possível no apoio aos mais necessitados. O ambiente é uma preocupação presente, mas a prioridade será lutar pela abertura do posto médico.
Último argumento para o voto, serem uma equipa jovem e dinâmica, com pessoas novas e diferentes das habituais, dispostas a aprender e a mostrar o valor de novas ideias.

 

PS

O PS foi peremptório na afirmação de que “pouco ou nada” foi feito nos últimos anos, acusando a estagnação da rede viária e o encerramento do posto médico. A Junta deverá assumir a sua influência para o desenvolvimento económico e retomar os trabalhos de reconversão de áreas degradadas, recuperação de vias, melhoria da higiene e limpeza, cuidado dos espaços verdes e da qualidade da água. Fundamental será encontrar soluções concertadas com o Município e até com as freguesias vizinhas.
Favorecer a cooperação entre as forças vivas da freguesia será o segredo para a promoção da cultura e do património imaterial contido na capacidade de união e trabalho em conjunto, característica que é “a grande força desta terra”.
Também a qualidade de vida dos idosos é uma preocupação, devendo ser usados os “espaços que já temos” para lhes proporcionar oportunidades de estarem activos e se sentirem úteis, por exemplo, na aprendizagem da informática ou na elaboração de decorações para as três festas que aqui acontecem anualmente.
Para maior envolvimento dos mais novos na política, há que cultivar a cidadania, até com o uso das novas tecnologias, através da promoção da transparência da actividade da Junta, dando a conhecer o que se faz e como se faz.
Se a Junta dependesse apenas do seu orçamento, teriam de prescindir das senhas mensais para não ter de “fechar as portas”. Quanto à prioridade, não há dúvida de que é a reabertura do posto médico, que garantiram como certa no caso de vitória da sua lista.
Último argumento para o voto, terem um projecto credível, baseado em valores morais, éticos e sociais, e uma equipa responsável e motivada para fazer o melhor pela Golpilheira.
LMF

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