Seguia lentamente pela rua.
A chuva que em seu corpo já sentia
brilhava levemente à luz da lua
na noite fria e calma de invernia.
Entregue p‘lo destino à indignidade,
pedinte e velho que era, não merecia
um olhar sequer da gente da cidade,
uns restos de comida… ou de alegria!
No mesmo rumo incerto um rapazote
daqueles sem família, sem morada,
retira dois pãezitos dum caixote
e com eles o convida à consoada.
Seguiram rua abaixo lado a lado,
sorriso menos triste e invernal…
dum gesto simples, do pão partilhado
nascera uma amizade e foi Natal!
