>Grande Reportagem: 17.ª Semana Cultural da Golpilheira

>Grande Reportagem: 17.ª Semana Cultural da Golpilheira

>Vá rolando: veja abaixo as fotos de cada um dos dias…

Semana Cultural – dia 6
Festa dos anos 80: uma noite fantástica
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 O primeiro dia da Semana Cultural, sábado 6 de Novembro, foi este ano marcado por uma viagem no tempo, com o convite a um passeio até aos “loucos anos 80”!

Cerca de 120 pessoas embarcaram nesta viagem, para através da música recordarem tempos de juventude! Os que mais se divertiram foram, sem dúvida, os que na década de 80 eram jovens e puderam assim recordar entre eles, animadamente, estes tempos. Até às duas da manhã, foi vê-los a dançar: desde o “rock” ao “slow”, todos mostraram os seus dotes! Mas também muitos outros, mais novos e mais velhos, marcaram presença, transformando este serão num convívio fantástico de diversão e bom humor. Mas houve uma pessoa que se destacou pelo seu vestuário, sendo o único a levar o tema mesmo a sério: o Cunha foi a verdadeira personagem dos anos 80!
O DJ de serviço foi o André da “A Karaoke”, empresa que ofereceu os seus serviços de som e imagem, pois nem só de música se encheu a pista do salão de festas do CRG. As recordações desses anos foram também feitas através de imagens, desenhos animados, carros, videoclips e vários outros símbolos daquela época projectados em ecrã gigante. A organização contou ainda com a colaboração de alguns voluntários na montagem dos cenários e no serviço de bar, com especial empenho para o grupo de jovens que costuma organizar festas de dança na colectividade.
Uma nota também para a colaboração de todos os resistentes até ao final da festa, pois nessa altura ainda aceitaram o convite para ajudarem a arrumar o salão, que ficou pronto para o almoço dos idosos que iria decorreu no dia seguinte.
Vanessa Silva

Semana Cultural – dia 7
Almoço de idosos e conversas com Artur Agostinho
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O primeiro domingo da Semana Cultural foi reservado a um animado almoço oferecido aos “jovens maiores de 60”. Cerca de duas centenas de pessoas participaram neste convívio, que contou com a animação do rancho folclórico da colectividade, “As Lavadeiras do Vale do Lena”.
Houve ainda um momento de formação para a prevenção da criminalidade, com a colaboração dos guardas Ferreira e Constantino, da GNR da Batalha. Foram prestadas informações sobre os cuidados a ter com a protecção das habitações e o evitar das burlas, sobretudo junto dos mais idosos, nos famosos “contos do vigário”. Em resumo, nunca confiar em estranhos, normalmente bem parecidos e bem falantes, que pedem informações pessoais e prometem dinheiro fácil ou soluções financeiras. Uma das soluções é evitar a solidão e estabelecer contactos frequentes com familiares e vizinhos. Em caso de abordagem, dizer sempre que está mais alguém em casa e, logo que possível, alertar as autoridades (112).
Este ano contámos com um convidado muito especial, que aceitou graciosamente o convite para partilhar um pouco da sua vida numa conversa à sobremesa deste almoço. Dispensa muitas apresentações: Artur Fernandes Agostinho, nascido a 25 de Dezembro de 1920, em Lisboa, tem sido jornalista desportivo, locutor de rádio, apresentador de televisão, actor, escritor, etc.
A sua vida profissional tem sido caracterizada pela multiplicidade, como ele próprio afirma, dizendo que o importante é fazer o que se gosta, seja rádio, cinema ou televisão. “Este desafio mais recente de fazer telenovelas foi muito divertido, foi sentir que estou a fazer coisas úteis para os outros e também para mim, porque até me esquecia das dores de costas…”.
Perguntou a idade aos presentes na sala. Só havia um ou dois mais velhos do que os seus quase 90 anos. O segredo é manter-se activo, de corpo e mente. As dificuldades da vida, compara-as com o momento em que foi preso no Montijo quando era jovem e que diz ter valido a pena: “Porque depois do mal passar é que damos valor às coisas boas; a força interior, mesmo nos maus momentos, é que nos salva”.
Depois de uma breve apresentação, dispôs-se a responder às perguntas da audiência, o que levou a “conversas” diversas. Conversas sérias sobre a arte da vida, mas também com muito humor à mistura, a arrancar algumas gargalhadas, como se pode perceber pelo desenrolar do diálogo.
– Lembra-se de ter vindo à Golpilheira há muitos anos, gravar uma cena de um filme?
Costumo gabar-me da minha boa memória, mas agora apanhou-me… não estou a recordar…
– Foi na eira do sr. Afonso Pereira…
Ah! Exactamente, já recordo! Pois foi… não estava a associar à Golpilheira, afinal foi mesmo aqui! Olhe que engraçado… isso foi mesmo há muitos anos e foi uma coisa muito gira.
– Nos relatos desportivos, por que é que gritava os golos do Sporting mais alto?
Acha? Eu também vibrava muito com os golos do Benfica e em especial do Eusébio. Talvez houvesse alguns mais animados, mas isso dependia era das jogadas: quando uma equipa está a fazer uma avançada o locutor vai-se entusiasmando e quando chega o momento grita o golo com muito entusiasmo. Se for um golo inesperado o grito sai com menos tempo. Mas é verdade, no tempo dos Violinos gozei muito com os golos do Travassos!
– Nós os menos jovens queixamo-nos muito de falta de memória e das dores no corpo. Se não quisermos ser tão velhos, não podemos deixar ganhar bafio e devemos sair à rua. Que lhe parece?
Claro que sim. Eu já fui operado e o médico recomendou-me que continuasse a andar. O corpo, tal como a memória, precisa de ser exercitado. A propósito, relembro a minha amiga Palmira Bastos: antes de adormecer lia um soneto e decorava-o. A sua melhor alegria era no dia seguinte conseguir lembrar-se. É óptimo para a memória o exercício. Temos de arranjar truques. Vou contar-vos um segredo. Eu tenho grande dificuldade em recordar o nome das pessoas que vou conhecendo, então arranjei um truque: pergunto “qual é o seu primeiro nome?”; elas respondem sempre o primeiro e o último e então posso dizer “sim, o último eu sabia”!
– Lembro-me muitas vezes de si a apresentar o programa do totobola, mas nunca ganhei nada com as suas sugestões. Pode dar-me um palpite para o euromilhões?
Claro que posso. E se ganhar quero uma parte. Cá vai: números 8, 11, 23, 27 e 30 e estrelas 4 e 5.
– O senhor faz novelas… o que achou desta novela com a actual Selecção Nacional de Futebol?
Eu sou sempre pelo treinador, mas concordo que às vezes as coisas não correm bem. A dada altura eu achei que o professor Carlos Queiroz já não tinha conserto: deixou de ter a confiança dos jogadores e do público. O treinador actual até está a fazer um bom trabalho.
– Depois de tantas actividades na vida, é normal escreverem-se memórias. Mas o senhor está a escrever romances. Usa o romance como espelho das suas memórias ou é mesmo um género que lhe surgiu naturalmente?
Eu já escrevi as minhas memórias. A variedade é o prazer da vida, gosto de histórias, ficção personagens… Comecei o primeiro romance sem saber como iria terminar. Achei que queria falar da corrupção, depois criei personagens fictícias. Eu escrevo de madrugada e a dada altura parece que as personagens apareciam e falavam comigo… “ó Artur, o senhor está a dar um rumo à minha personagem que eu não gosto!” O romance é uma evasão, para dar asas à criação das personagens.
– Ler é uma das melhores actividades da vida, até como exercício para a memória, como dizia. Dê-nos algumas razões para motivar os presentes a lerem este seu último romance “Bela, riquíssima e além disso… viúva”.
Eu quis escrever sobre uma jovem bonita, loura, mas logo percebi que só era realmente atractiva se ela fosse rica e, melhor ainda, viúva. Quis abordar o tema dos jovens que querem muito ser actores, um sonho que nem todos conseguem. Em cada 10 que aparecem, só 2 é que se aproveitam… Alguns chegam e já se acham os maiores, por vezes até desrespeitam os grandes actores… Eu não consigo entender isso, porque sempre respeitei os que me ajudaram, grandes nomes como o António Silva.
Bom, a minha ideia era essa, mas depois desviei-me e criei uma república para os jovens que vinham da província. E aparece também uma viúva rica que vinha do Brasil e cujo marido tinha morrido de forma misteriosa, e um suspeito envolvimento como o motorista, e … não digo mais nada. Vão ler e descubram.
– E os beijos nas novelas, o chamado “beijo técnico”… o que é isso?
O beijo técnico é uma invenção dos produtores para não causar problemas aos casais. Colocamo-nos numa posição em que a câmara não apanha a boca e parece mesmo real. Mas a verdade é que alguns entusiasmam-se e aquilo de “técnico” não tem nada!
– Falou dos relatos de futebol. Num tempo em que não havia telemóveis, nem satélites, nem o suporte tecnológico que existe hoje, como era fazer um relato do estrangeiro, de jogos na Roménia ou na Bulgária?
A falta de meios tecnológicos provocava várias dificuldades, até mesmo em estabelecer contactos telefónicos com Lisboa. Havia alguma abertura em relação à Rádio, mas as coisas eram complicadas. Mas fui criando grupos de amizades com jugoslavos, checoslovacos, brasileiros, franceses, ingleses… essa amizade colmatava as necessidades técnicas. Não havia som de retorno, fazia o relato sem saber se estavam a ouvir, sem saber se o som estava a chegar. Mas hoje tenho um computador, que uso sem deixar que ele mande em mim. É preciso manter a alma acesa. Não há jornalismo sem alma.
(Alguém contou um pequeno segredo: Artur Agostinho escreve todos os seus artigos e livros no computador, manda-os pela internet, nunca achou tarde para aprender a adaptar-se às novas tecnologias.)
O Pedro Rodrigues, jovem deficiente nosso conterrâneo, aproveitou a presença de tão mediático amigo e pediu:
– “Quero uma cadeira eléctrica”!
Vamos pedir aqui ao senhor vereador. Vou meter uma cunha. Mas toma cuidado com a cadeira eléctrica que te vão dar…
– Nós temos a ilusão de que as figuras públicas ganham muito dinheiro, é verdade?
Há artistas muito bem pagos, mas há também artistas que ganham muito pouco. Fazem muito trabalho gratuito, como entrevistas e programas de encher a grelha televisiva.
O jovem Telmo Monteiro dirigiu-se ao convidado em forma de verso:
Nasci, cresci e vou crescendo
e do seu nome ouvi falar,
mas hoje veio à Golpilheira
para as suas histórias nos contar.
    Se todos como ele fossem
    talvez o mundo pudesse melhorar,
    todos sabem que ser gentil
    não é só levantar o braço e acenar.
Por todas as histórias
das quais sempre ouvi falar
nada melhor que ser eu próprio
a ir ter com ele e o cumprimentar.
Depois do cumprimento, Artur Agostinho agradeceu e despediu-se também com uma quadra:
    Gostei muito de aqui estar
    Esta vez foi a primeira
    Espero de novo voltar
    Aqui à Golpilheira.
Aproveitando a onda poética, a Cremilde Monteiro leu também um poema, como costuma fazer todos os anos nestes encontros (ver secção de poesia).
Claro que isto é só um resumo muito breve da animada e familiar conversa com Artur Agostinho. Só quem esteve lá pôde apreciar devidamente a simpatia e bom humor deste grande vulto da nossa cultura. Nós gostámos muito e ele confessou o mesmo na despedida:
Tive muito prazer em estar convosco e teria todo o gosto em cá voltar. Mas agora tenho de ir. Vou assistir ao jogo do Porto-Benfica, para poder completar a minha crónica. Foi uma alegria estar com tanta gente de idade próxima da minha. Fica um conselho: contem anedotas, pois rir dá saúde e faz bem às pessoas. Desejo-vos muita saúde, dinheiro e amor!
Cristina Agostinho

Semana Cultural – dia 8
Pela sua saúde
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O dia 8 de Novembro foi destacado na Semana Cultural para o tema da Saúde. Pelas 17h00, uma equipa médica acolheu no Centro Recreativo várias dezenas de pessoas que ali se deslocaram para fazerem rastreios gratuitos ao colesterol, diabetes, tensão arterial e outras maleitas que podem atacar a qualquer hora. Uns confirmaram com alegria que “está tudo bem”. Outros foram aconselhados a verificar com mais atenção alguns “níveis” e a seguir algum tratamento mais específico.
Pelas 21h00, realizou-se um debate, numa mesa com médicos e enfermeiras, moderada por Carlos Agostinho, director do Centro Hospitalar de Nossa Senhora da Conceição (CHNSC) da batalha, cujo tema foi “dicas para uma vida saudável”.
Começou por falar o Dr. José Leite, director clínico do CHNSC, frisando que, para se conseguir ter com sucesso um estilo de vida saudável, têm de se mudar duas atitudes: primeiro, cada um deve aceitar que é o principal responsável pela sua saúde; depois, que essa responsabilidade se exercita no comportamento e na escolha de hábitos de vida saudáveis, de forma a prevenir a doença, em vez de esperar e ter de “gerir a doença”.
Sublinhou também que “se alguém morrer antes da sua esperança natural de vida, isso deve-se ao estilo de vida que levou”. Um estilo de vida saudável não significa deixar de fazer todas as coisas de que gosta e submeter-se a coisas que ninguém no seu juízo certo se submeteria. Tem de apreciar as coisas boas da vida, suportando alguns requisitos saudáveis, mas com moderação. Tem que mudar aquilo que come ou bebe e não necessita de fazer exercícios forçosos e indesejáveis.
Cada um colhe aquilo que semeia. Os hábitos indesejáveis são criados na infância e começam na juventude. Hábitos indesejáveis como o uso do tabaco, falta de exercício e os maus hábitos alimentares levam a altos níveis de colesterol e a excesso de peso. A nossa saúde reflecte o nosso estilo de vida.
Seguiu-se a enfermeira Irene, responsável pela Consulta de Diabetes na área de enfermagem do Hospital de Santo André (HSA), de Leiria, que deu ênfase às doenças cardíacas, neoplásica e diabetes que aparecem quando se come e bebe em excesso, nomeadamente gorduras, açúcar, álcool e sal, não esquecendo o tabaco. O benefício ao adoptar uma vida saudável é o de reduzir as doenças relacionadas com a idade e o declínio, para que mais pessoas possam atingir a esperança máxima de vida e gozar de uma boa saúde.
Por fim, a Dra. Sónia Salgueiro, diabetologista do HSA e também colaboradora do CHNSC, foi eloquente a explicar como se diagnostica a terrível doença de diabetes e o respectivo quadro clínico e tratamento.
Todos focaram a atenção no exercício físico, que pode retardar alguns declínios das funções que acompanha o envelhecimento, nomeadamente, a perda do tecido muscular, a capacidade para o esforço físico, podendo normalizar a tensão arterial, a glicemia e o colesterol. Não vale pena fazer exercício físico de forma exagerada, “não fazendo desporto para ficar apto, mas estar apto para praticar desporto”.
Concluindo, as principais “dicas para uma vida saudável” que nos deixaram foram a mudança de hábitos de vida: praticar exercício físico para reduzir o stress; restringir a ingestão de bebidas alcoólicas e de cafeína; evitar comer em excesso gorduras, açúcar e sal, lembrando que o que para uns é alimento, para outros poderá ser um veneno violento.
Dr. José Leite

Semana Cultural – dia 9
Fórum Golpilheira
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O Orçamento do Estado “versus” orçamento familiar constituiu o ponto de partida da apresentação de projectos da Junta de Freguesia da Golpilheira, no dia 9 de Novembro, na 17.ª Semana Cultural.
A sessão, assistida por cerca de 20 pessoas, nunca perdeu de vista o actual aperto financeiro. Carlos Santos, presidente da Junta de Freguesia, sublinhou o corte de 8 por cento no orçamento para 2011. “Quando nos pedirem alguma coisa, a resposta não é ‘vamos fazer’, mas ´vamos pensar´, pois as limitações de orçamento são enormes, afirmou, considerando que a solução passa por “gerir bem” os dinheiros públicos.
O autarca traçou as linhas gerais do Plano Estratégico definido até 2013. Revisão do PDM, infra-estruturas de lazer e desporto, ambiente e Rio Lena, arranjos do Largo “As Lavadeiras do Vale do Lena”; são alguns dos pontos que constam do programa.
Um dos projectos mais aguardados pela população refere-se à construção do Polidesportivo. “Está a decorrer o concurso de adjudicação. Se tudo correr bem, a obra pode começar em Dezembro”, adiantou Carlos Santos.
O autarca sublinhou o papel da Junta de Freguesia na progressão da infra-estrutura, uma prioridade em detrimento de uma antiga promessa eleitoral: a construção de piscinas. “Este equipamento tem outro tipo de utilidade, já está em falta há alguns anos no concelho. Facilmente chegamos à conclusão de que os clubes não têm mais jogadores porque não há pavilhão para desenvolver as equipas”.
A obra, a construir nas traseiras do Centro Recreativo da Golpilheira, até peca por excesso, considerou o presidente da Junta de Freguesia, acrescentando que o decreto lei 63/2006 levou à introdução de “inutilidades” no projecto, com uma multiplicação de salas para equipas, ginásios, arrumos, ou salas para árbitros.
Carlos Santos alertou ainda os proprietários de terrenos nas margens do Rio Lena para procederem à limpeza dos mesmos. “O Rio foi limpo há dois anos e os proprietários não prosseguiram com a limpeza.” O autarca defendeu a necessidade de um inquérito para efectuar um levantamento exaustivo do tipo de despejos ilegais para o ramal de águas pluviais. “Há dificuldade de denunciar e fiscalizar despejos suinícolas”, justificou.
Num quadro de atropelos ao meio ambiente, revelou, a “Junta não tem autoridade para pedir a construção de um açude no Rio”.
Aline Duarte (Rádio Batalha)

Semana Cultural – dia 10
Música e livros com António Manuel Ribeiro
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A noite de quarta-feira da Semana Cultural estava destinada a ser especial. A sala compôs-se e, por volta das 22h00, iniciou-se a sessão dedicada a “livros e música”, com cerca de uma centena de participantes. No centro da mesa, um convidado muito especial: António Manuel Ribeiro, vocalista de uma das mais carismáticas bandas portuguesas, os UHF. Mas outros autores locais tinham sido chamados a falar do seu trabalho.
O primeiro deles, Joaquim Santos, natural dos Pousos, começou a escrever muito novo como jornalista, sendo actualmente colaborador do jornal O Mensageiro e director do jornal Notícias de Colmeias. Os livros surgiram por um motivo triste: o atropelamento mortal da sua filha Eduarda, com 6 anos, levou-o a escrever em 2006 sobre o tema dos pais em luto. Depois, ganhou esse gosto e voltou a publicar livros de poesia, conto, infantis e romances. O mais recente, apresentado na semana anterior, “Ancorar o Amor”. Neste momento, dedica-se à investigação histórica para a sua tese de mestrado.
Seguiu-se a professora Maria da Purificação Bagagem, que dispensa apresentações. Filha da terra, saiu cedo da Golpilheira para seguir uma vida de estudo. A escrita foi uma actividade que abraçou por acaso, quando lhe foi pedido que publicasse a sua tese de mestrado sobre jovens toxicodependentes. Se no primeiro livro o assunto foi abordado de uma forma académica, no segundo, sobre a importância da família para o desenvolvimento da criança, foi decisiva a experiência vivida pela autora na sua própria família.
Também Adélio Amaro começou a sua carreira no jornal o Mensageiro. Passou pelo Notícias de Leiria, publicou alguns livros de poesia e prosa, e há oito anos fundou a empresa Folheto Edições e Design. Pode dizer-se que foi uma aposta ganha e, com cerca de 200 livros publicados, a Folheto orgulha-se de ter dado um novo fôlego à literatura regional. Mais recentemente este autor fundou uma associação cultural que liga os Açores, sua terra natal, a Leiria, onde reside. Nesse contexto publicou já vários cadernos histórico-culturais e álbuns fotográficos de sua autoria.
Quanto a António Manuel Ribeiro, a sua vida está cheia de letras e músicas, em muitos CD gravados e quatro livros editados. Falou sobretudo do seu último trabalho, o álbum “Porquê?”, que definiu como sendo “um disco político”, o que serviu de mote para uma interessante conversa sobre o actual panorama social e económico do país. Com voz calma e ponderada, defendeu que “é preciso tomarmos consciência do estado grave a que a nossa sociedade chegou e encarar o futuro como um desafio a construir”.
Revelando uma faceta pouco conhecida do público, mais habituado a vê-lo como a “fera de palco”, António Ribeiro falou com conhecimento de causa de livros e autores, de ideais políticos e de projectos sociais, que resumiu num convite a descruzar os braços: “sabemos que muitos dos nossos dirigentes são maus e têm culpa do estado a que chegámos. E nós, não temos também responsabilidades? Não estará na hora de assumir o nosso papel de cidadania mais activa e fazermos o que nos compete para sairmos da crise?”.
Em diálogo familiar e descontraído com a assistência, o músico foi revelando alguns momentos mais importantes da sua carreira e o segredo do sucesso: “algum talento, muita determinação na vontade de ser fiel ao próprio estilo de ser e de fazer música, e muito trabalho”, porque “o sucesso não cai do céu, o que cai do céu é a chuva, a neve e os raios de sol que nos guiam todos os dias”.
Claro que a noite não foi só de palavras feita. O som estava montado e era de excelente qualidade, graças ao patrocínio da Sinfonia, loja de instrumentos musicais leiriense. Assim, na companhia da sua guitarra e das palmas do público animado, o músico foi tocando alguns dos temas mais conhecidos dos UHF, como “Rua do Carmo”, “Cavalos de Corrida”, “Menina Estás à Janela” ou “Toca-me”, e deu um “cheirinho” dos temas que enchem o novo álbum, com destaque para o excelente tema “Porquê?”que lhe dá o nome. Para surpresa de todos, no final ainda aceitou o desafio para um dueto, cantando “Um copo contigo” acompanhado à guitarra pelo Carlos Santos, nosso presidente da Junta de Freguesia.
O saldo do evento foi muito positivo. Em clima de “simplicidade, comunhão, amizade e responsabilidade”, houve espaço para temas diversos, como política, família, jornalismo e literatura regional, sempre bem acompanhados de música. No final, todos diziam: “quem não veio nem sabe o que perdeu!”
Foi também a prova de que é possível trazer ilustres convidados à nossa freguesia, simplesmente em troca de “hospitalidade, simpatia e um jantar”!
Ana Rito

Semana Cultural – dia 11
Castanhada de S. Martinho no Carvalhal
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No dia 11 de Novembro, mais uma vez, no Carvalhal, foi festejado o São Martinho. Integrado na senda da Semana Cultural, juntaram-se as gentes da Golpilheira naquele lugar tão característico, ou diria mesmo, pitoresco. E para festejar esta data, o que é que não pode faltar? Respondendo, a bela da água-pé e a castanha assada, numa união com as pessoas e o dançar típico do rancho da Golpilheira.
Foi, na verdade, uma noite bem passada, onde as conversas terminaram noite dentro. Agradece-se o esforço dos locais, que mais uma vez foram hospitaleiros.
Concluindo: realmente, são as pessoas que fazem os lugares ou os locais, que os moldam à sua forma de ser e que atraem os seus amigos, fazendo com que sintam bem e em comunidade. Daí até ao sucesso destas iniciativas vai um fósforo.
David Lucas

Semana Cultural – dia 12
Golpilheira Fashion’10
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Não podia faltar no programa da 17.ª Semana Cultural da Golpilheira o habitual desfile de moda “Golpilheira Fashion”. Assim, no dia 12 de Novembro, com a casa bem composta por pessoas de todas as idades, apresentaram-se as colecções de Fátima Cruz, Street Fashion e FC…In.
Mais uma vez, a estilista conterrânea Fátima Cruz foi convidada para exibir as suas marcas no desfile. “Aceito sempre o convite com um carinho enorme, é um prazer servir esta casa”, disse-nos a criadora.
Fátima Cruz considera a sua colecção “extremamente activa, onde sobressaem os tons animais”. A roupa conta com “um toque casual e confortável” e foi vestida por jovens golpilheirenses. Oito modelos femininos e um masculino desfilaram na passerelle do Centro Recreativo da Golpilheira, maquilhados por “O Boticário”.
Quanto ao calçado, o “Golpilheira Fashion’10” voltou a contar com a colecção das “Sapatarias Inês Ferreira”, do empresário também golpilheirense Carlos Ferreira.
A noite decorreu em clima descontraído e familiar, mas com muito charme e elegância, e boas propostas para quem quer acompanhar as últimas tendências da moda.
Ângela Susano

Semana Cultural – dia 13
Cinema e Todo-o-Terreno
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Mudar o dia do cinema infantil para um sábado foi uma boa aposta. O salão do CRG ficou a abarrotar com a criançada e muitos pais que também gostam de um bom filme de animação. A escolha recaiu em “Alvim e os Esquilos 2”, uma animada comédia que motivou por vezes sonoras gargalhadas. No final, ainda houve a oferta de balões, com o patrocínio da empresa golpilheirense de animação A Karaoke. No final, alguns sugeriram que a iniciativa deveria repetir-se mais vezes no ano, dado o sucesso registado. Vamos pensar nisso…
Ao mesmo tempo, os cerca de 80 participantes no TT Nocturno jantavam no Restaurante Etnográfico, ali ao lado. Após a refeição, divididos nos cerca de 30 jipes inscritos, partiram à descoberta da noite fria e chuvosa, onde o calor da amizade e da boa disposição circulou a todo o vapor. O rumo foi a Senhora do Monte, passando por diversas outras paisagens pitorescas da região, onde à noite nem todos os gatos são pardos.
Já chovia a cântaros quando chegaram para o trial na Canoeira, passava da meia-noite, pelo que poucos se atreveram a enterrar as máquinas na lama, nem as sequer as fotográficas. Não há registos, portanto, mas há memórias: uma noite de convívio, com boa comida e farta bebida, e um passeio inundado de emoções. Resumindo: caía a água do céu, corria a cerveja nos copos, soltavam-se sorrisos à mesma, apertando as roupas nos corpos.
E pronto. Se tudo correr bem, no TT diurno “Anjos sobre Rodas”, a realizar lá para Fevereiro ou Março, há-de chover menos.
Luís Miguel Ferraz

Semana Cultural – dia 14
Convívio foi a “chave-de-ouro”
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Como dissemos no mês passado, esta edição da Semana Cultural estava em risco de não se realizar. Graças à união de esforços, como podemos verificar pelas páginas deste jornal, o programa foi possível e com muitos momentos altos de cultura, diversão e participação das pessoas. Ficou provado, que quando queremos e nos unimos em torno de um projecto comum as coisas acontecem.
No último domingo, o convite era para o convívio entre a população como forma de encerrar o evento. Primeiro a missa, depois um passeio pedestre, a terminar com o almoço de Sopa da Pedra e a tarde recreativa. Não sabíamos qual iria ser a resposta, pois não eram pedidas inscrições. Mas cerca das 11h00, as mais de meia centena de pessoas que se juntavam sede da colectividade para o passeio superaram as expectativas. E o panelão do almoço, preparado a contar com 60 ou 70 pessoas, foi mesmo à justa para as mais de 100 que ali se juntaram. Muitos saíram logo para suas casas, mas ainda foram duas ou três dezenas que ali permaneceram até final da tarde, divertindo-se a jogar à sueca ou em jogos mais tradicionais como o pião, saltar à corda, andar em andolas, com rodeiros, etc.
Não podemos dizer que tudo foi fantástico. Poderia ter havido muito maior participação da população, pelo menos nalgumas das propostas. Mas foi melhor do que em anteriores edições, o que nos deve animar a fazer ainda melhor no próximo ano.
Luís Miguel Ferraz

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