Extensão de Saúde continua “às voltas”

Extensão de Saúde continua “às voltas”

Misericórdia e Câmara querem Centro de Dia

O edifício onde funcionou a Extensão de Saúde da Golpilheira poderá ser convertido em Centro de Dia. Pelo menos, é o que defende o executivo da Câmara, proprietária do espaço, depois de cerca de 10 anos de quase completo abandono. Para tal, propôs à Santa Casa da Misericórdia da Batalha assumir a instalação ali deste serviço social, alargando a sua acção para a única freguesia que ainda o não tem. É uma instituição que já “serve utentes desta freguesia em respostas como Centro de Dia, Centro de Convívio e Serviço de Apoio Domiciliário”, pelo que justifica “uma instalação de proximidade, capaz de permitir o acolhimento destas respostas num equipamento funcional, com uma localização privilegiada e que corresponderá às legítimas expectativas da população”, refere a autarquia em comunicado.
Recordamos que o edifício foi cedido em 2019 ao Centro Recreativo da Golpilheira, através de contrato de comodato, para a instalação de um Núcleo de Artes e Etnografia, que não chegou a concretizar-se. Segundo a autarquia, esta nova finalidade foi apresentada à direcção da colectividade e “recebeu total apoio”, abdicando do uso que havia sido acordado.
Assim, a Misericórdia dispôs-se avançar com uma candidatura a fundos comunitários no âmbito do PRR, tendo em vista o investimento na ampliação e remodelação para permitir a adaptação a este tipo de valência.
A proposta de reversão do actual acordo neste novo contrato de comodato foi apresentada nestes termos em reunião de Câmara de 31 de Janeiro passado, bem como a parceria da autarquia na execução do projecto técnico e das especialidades, “atendendo à relevância do projecto para a freguesia da Golpilheira e especificamente para a população sénior”. O mesmo acontece, aliás, com outras duas candidaturas de IPSS do Concelho da Batalha ao PRR, com prazo até 22 de Fevereiro, “estando a autarquia fortemente empenhada no apoio técnico à sua concretização”.

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PSD vota contra

Os três vereadores do PSD votaram contra esta proposta, alegando desconhecer “qualquer decisão formal dos órgãos sociais do Centro Recreativo a renunciar os seus direitos de cedência sobre aquele edifício”, bem como “qual o projecto que a nova entidade irá realizar em concreto, uma vez que no passado recente a Misericórdia da Batalha foi financiada para abrir uma resposta de apoio à saúde à população que encerrou passados alguns meses”.
Em comunicado à imprensa, o PSD da Batalha refere ainda desconhecer “quais os meios financeiros municipais a afectar” e “o plano de suporte técnico ao funcionamento da resposta social agora anunciada e que no passado foi abandonada pela mesma entidade”.
Exigindo à maioria que governa a Câmara “transparência na gestão dos recursos públicos”, o PSD advoga que “aquele edifício deverá ser colocado à disposição da população local, sobretudo para os mais idosos, através de um projecto duradouro, bem estruturado e devidamente explicado à população”.

Reacções

Estando ausente da votação o vice-presidente, Carlos Monteiro, dadas as funções que tem de provedor da Misericórdia, o voto contra do PSD ditou um empate, resolvido com o voto de qualidade do presidente, Raul Castro. Este considera a opção da oposição como “totalmente desajustada face à realidade” e estranha os argumentos apresentados, dado terem sido esclarecidos na apresentação. Recordando uma aprovação por unanimidade, já neste mandato, de projecto semelhante relativo à Casa do Mimo, Raul Castro questiona “a que se deverá mais esta posição do PSD da Batalha face a esta freguesia?”.
O presidente do Centro Recreativo, Fernando Ferreira, confirmou ao Jornal da Golpilheira ter concordado com a proposta camarária, cedendo os direitos de utilização previstos, dado “ir converter-se numa resposta social importantíssima para a população, sendo esse o primeiro interesse que deve pautar a nossa actuação”.
Já a Junta de Freguesia da Golpilheira reagiu, também em comunicado, de forma categórica: “Ao que parece, a única preocupação dos deputados do PSD é continuarem a querer prejudicar e bloquear o desenvolvimento da Golpilheira”. Considerando ser “uma forma vergonhosa de fazer política, colocando os interesses próprios à frente de uma população que também os elegeu”, o presidente, José Carlos Ferraz, argumenta que “estão a pôr em causa o bem-estar dos nossos idosos e a negar o desenvolvimento da nossa população, só porque sim”. E teme que esta posição contra de metade da vereação tire força ao projecto e coloque em causa a sua aprovação pelos gestores do PRR.
Também o Movimento Batalha é de Todos emitiu um comunicado sobre o assunto, condenando a “postura do bota abaixo” dos eleitos pelo PSD e considerando que “lesa não só a freguesia da Golpilheira, mas também o Concelho”, pois “o aumento das respostas de apoio à população devia mobilizar a acção política de todas as forças partidárias, ainda mais quando esta freguesia não dispõe de Centro de Dia nem de Centro de Convívio”.

A história deste edifício

Iniciado em 1997 e inaugurado em 1998, o edifício foi construído de raiz pela Câmara Municipal para acolher a Extensão de Saúde da Golpilheira, sob administração do Posto Médico da Batalha, que funcionava num velho edifício onde é agora a Junta de Freguesia.
Em 2011, a remodelação dos serviços de Saúde a nível nacional ditou o encerramento da Extensão e o edifício fechou durante anos.
Esporadicamente, foi abrindo para algumas tentativas de serviços básicos de assistência médica, em parceria com o Centro Hospital da Misericórdia da Batalha, mas sem resultados, já que não era ali que estavam os médicos de família, essenciais para dar resposta à maior parte dos problemas dos utentes.
Em 2015-2016, até serviu para salas de catequese, enquanto decorriam as obras da igreja….
Em 2019, a Câmara lançou o repto às instituições da freguesia para apresentarem propostas de ocupação do imóvel. Ganhou o projecto do Centro Recreativo, que visava transformar o espaço num Núcleo de Artes e Etnografia, onde seria exposto o espólio do rancho folclórico “As Lavadeiras do Vale do Lena” e promovidos eventos artísticos. Entretanto… veio a pandemia e o não chegou a iniciar-se esse projecto.
Agora, o novo executivo municipal decidiu converter o edifício em Centro de Dia, em nova parceria com a Misericórdia da Batalha. Vamos a ver se é desta…

LMF

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