Editorial 273: Viver para não morrer

Editorial 273: Viver para não morrer

A vida social voltou em força e a prova disso é o cardápio de festas, festivais, espectáculos, convívios, encontros… que vamos vendo por aí anunciados. Já todos percebemos que a doença não acabou, ou que as doenças não acabaram. Mas também já todos percebemos que não poderemos voltar a fazer o que fizemos, que é importante seguir em frente e que não há receitas milagrosas, nem para curas, nem para prevenções.

A história virá explicar porque o número de vítimas é semelhante nos países que fizeram “tudo” e nos que não fizeram nada; virá mostrar se as doenças da consequência, inclusive as mentais, não serão mais graves do que as da causa; virá, talvez, ensinar-nos que a histeria e o autoritarismo não ajudam a convencer, que o medo serve de pouco para salvar a vida e que os radicalismos de dedo apontado a quem pensa diferente foram o verdadeiro passo atrás que a pandemia nos trouxe.

Olho nas imagens da guerra um exemplo: uma população, a escassos quilómetros da frente de batalha, vai fazendo a sua vida “normal”. Tem cautelas, mas não desiste de andar. Aprendeu pelo som das bombas a saber se vêm na sua direcção. Sabe que um dia poderão vir, sabe que a morte poderá surgir a uma esquina, mas a vontade de se afirmar vivo é mais forte. Essa será a sua única forma de vitória, perante um inimigo cruel, que invade a sua liberdade.

Nisto, como em tudo, resta-nos esperar que o bom senso prevaleça; que a responsabilidade nos leve a respeitar e proteger os outros como sabemos que devemos fazer; que cada procure cuidar-se como acha que é mais sensato no seu caso; que a liberdade de pensar e agir – sempre com responsabilidade, sublinho – seja a tónica do futuro. Que a vida seja vivida em pleno.

Não há verdades absolutas, nem certezas sem contraditório, e esta não foge à regra. Mas dificilmente a preocupação por não morrer será sinónimo de viver…

Dito isto, vamos à(s) festa(s)!

LMF

Partilhar/enviar/imprimir esta notícia:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.