A palavra “conversão” é cada vez menos proferida e desconfio que as novas gerações – entenda-se abaixo dos 30 – desconhecem o conceito, pelo menos com a mesma carga psicológica – para não dizer espiritual – que nos foi transmitida pelos pais e avós que andam agora pela casa dos 70 ou 80 anos.
Tempos houve – no deles – em que se exagerava o peso do mal com tons negros de homilética quaresmal, ao ponto de se duvidar de uma possibilidade de salvação que não passasse pela mortificação de todos os sentidos. Conversão era urgência e permanência aterradora.
Depois vieram novas luzes teológicas e pastorais a deitar misericórdia no discurso e a vida pareceu, de repente, mais leve. Perceber o amor tem essa consequência de fazer da conversão um acto voluntário e desejado de querer estar mais próximo do que é Bom.
Nos nossos dias, de olhos postos no umbigo, as únicas conversões úteis e por mil vozes ditadas são as que fazem perder peso ou, pelo menos, viver mais saudável de corpo. As televisões falam de Ramadão como folclore e, por ser mais endógena e menos fotogénica, ignoram o que seja Quaresma. Os 80% de católicos que já não frequentam igrejas deixaram também esquecido o significado dos tempos. E os outros ouvem do ambão apenas o que se ajusta à fé que “eu cá tenho a minha”.
Vem isto a propósito da observação do mundo. Cá dentro e lá fora, atropelos, confusões, lutas de poder, opressão do mais fraco, vidas sem rumo, autoconhecimento da treta a regrar as bem-aventuranças da facilidade. O resultado, em grande maioria, é a depressão ou o desespero.
Sim, a palavra “conversão” nunca foi tão urgente como hoje. Precisamos reaprender o amor para lhe descobrir o sabor.
Santa Páscoa!
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