Uma das consequências mais desastrosas dos temporais das duas últimas semanas foi a ambiental, com milhares e milhares de árvores derrubadas, cortadas ou arrancadas pela raiz. Também na freguesia da Golpilheira vimos muitas caídas, algumas a invadir as estradas e que tiveram de ser removidas de imediato para permitir a circulação, logo da manhã do dia 28 de Janeiro, em que começou todo este pesadelo que temos vivido.
Passados mais de 15 dias, são ainda visíveis pelos campos, pelas zonas florestais e até em jardins habitacionais muitas árvores deitadas e outras em risco de queda. Era o caso do carvalho em frente ao Centro Recreativo da Golpilheira, o último gigante resistente dos que há centenas de anos marcaram a paisagem naquele local. Os ventos e chuvas dos últimos dias não o deitaram abaixo, mas deixaram em maior risco uma potencial queda no futuro, o que poderia ter consequências graves, em caso de apanhar alguém que por ali circulasse.

Como mais vale prevenir do que remediar, o proprietário, a Junta de Freguesia e o Município optaram por abater esta árvore centenária, contando com a colaboração do pelotão de fuzileiros que está a prestar apoio no concelho da Batalha. Os trabalhos duraram várias horas, no sábado 14 de Fevereiro, e foram concluídos com sucesso.
Falámos no local com o tenente Gomes, um dos 2 oficiais que coordenam este grupo, integrado ainda por 2 sargentos e 13 praças, 7 dos quais ainda recrutas. “Estavam a terminar a sua formação e foram mobilizados para esta causa maior que é o apoio às populações atingidas pela tempestade”, refere este responsável. Ao todo, são 17 soldados do corpo de fuzileiros da Base Naval de Lisboa, em Almada, que chegaram ao concelho da Batalha dois dias depois da tempestade Kristin. Instalados na sede do rancho Rosas do Lena, na Rebolaria, é dali que têm partido todos os dias pelas várias localidades concelhias, sob coordenação de Protecção Civil, na tentativa de minimizar riscos e ajudar as populações a recuperar a normalidade da vida. “Actuamos sobretudo na remoção de árvores que caíram sobre as habitações, pavilhões ou estradas”, refere o tenente Gomes, sublinhando o esforço feito para “desobstruir os acessos e as áreas de instalação de postes eléctricos, para permitir uma mais fácil e rápida resposta dos técnicos da E-Redes na reposição da rede energética”.
O Jornal da Golpilheira acompanhou e fez a reportagem fotográfica dos trabalhos durante parte da manhã, até ao almoço que os soldados tomaram no nosso Restaurante Etnográfico. Nessa altura, restava apenas o tronco mais grosso do majestoso carvalho, uma última imagem deste momento histórico para a freguesia, em que mudou um dos cenários mais icónicos e seculares da sua paisagem urbana.
As fotografias podem ser vistas aqui
Luís Miguel Ferraz
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