>Polémica retirada do “coro” da capela velha

>Polémica retirada do “coro” da capela velha

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Continuam a decorrer as obras de recuperação da igreja do Bom Jesus dos Aflitos, conhecida como “capela velha” da Golpilheira. Mas não acabam sem que a polémica regresse a propósito de alterações efectuadas naquele espaço. À semelhança do que aconteceu há uns anos, quando se substituíram algumas das pedras da calçada da frontaria, desta vez são algumas mudanças operadas no interior do templo que estão a motivar o desacordo de algumas pessoas da população.

A decisão
O restauro do interior da igreja motivou a visita da Comissão Diocesana de Arte e Património Cultural (CDAPC) de Leiria-Fátima, constituída pelos padres Armindo Janeiro, presidente desta comissão e reitor do Seminário, António Lopes de Sousa, administrador do Santuário de Fátima, e cónego Luciano Coelho Cristino, historiador também ao serviço daquele Santuário. Esta é a entidade que tem a responsabilidade de acompanhar e decidir sobre todos os trabalhos efectuados nos monumentos da Igreja na nossa diocese.
Da análise da obra e do tipo de intervenções a efectuar, resultou a decisão de aproveitar esta remodelação para devolver ao templo a sua “dignidade inicial, retirando todos os elementos mais recentes e sem valor artístico ou patrimonial”. Entre esses elementos, conta-se o “coro” de madeira que se encontrava ao fundo da nave, bem como o púlpito lateral e uma pala que se sobrepunha ao elemento arquitectónico central do presbitério. “Tudo elementos de madeira em elevado estado de degradação e que não vale a pena recuperar, porque retiram beleza ao conjunto arquitectónico deste templo com vários séculos de história; são acrescentos feitos já no século XX e sem qualquer valor artístico que justifique a sua recuperação”.
Foi ainda recomendado que, aproveitando a retirada do coro, se fechasse a respectiva porta e se desmontasse a escadaria de acesso, por dentro da sacristia, o que possibilitaria a construção de uma casa de banho condigna, a toda a largura do anexo e com a elevação do piso e do tecto do sanitário existente, por forma a permitir o uso por deficientes em cadeira de rodas. E também que se colocasse no mesmo anexo um espaço para tratamento de flores e para uma pequena bancada de serviço, dada a finalidade de casa de velar a que se destina este restauro.
Foi esta a posição assumida pela CDAPC no local, encarregando o pároco, padre José Gonçalves, de passar a escrito estas deliberações e de as transmitir à Câmara Municipal, responsável pelas obras.
De referir que esta vistoria foi acompanhada pelo próprio pároco, por alguns elementos da Comissão da Igreja, pelo presidente da Junta de Freguesia e pelo director do Jornal da Golpilheira (JG). Na ocasião foi levantada a possibilidade de a população não compreender algumas das opções, pelo que desde logo a CDAPC se disponibilizou para vir à Golpilheira esclarecer as pessoas, se tal se revelasse necessário.

A polémica
Após a análise destas deliberações, a Câmara Municipal acatou as alterações propostas quanto à preservação da traça original do edifício e até algumas das recomendações dadas quanto à melhoria das condições de uso, nomeadamente no que diz respeito à casa de banho.
Quando foram postas em prática, as referidas alterações começaram a ser contestadas por algumas pessoas, que discordaram da retirada dos elementos em madeira. Isto foi o que chegou ao nosso conhecimento em conversas de café e com algumas pessoas, pois não recebemos no jornal até esta data qualquer reclamação, pedido de esclarecimento ou queixa.
Em conversa com o pároco, este confirmou-nos que surgiram algumas vozes de descontentamento, pelo que fez “uma breve explicação do que foi decidido pela Comissão”, no final da missa do dia 21 de Janeiro. Mas esse não terá sido um esclarecimento suficiente, pois parece que continua a circular pela freguesia um abaixo-assinado para entregar ao Bispo da Diocese.
O padre José Gonçalves afirmou ao JG que “caso a discussão o exija, terá de ser feito um esclarecimento público pela própria CDAPC, para que ninguém tenha dúvida de que as opções tomadas foram as correctas”.

A solução
Como referimos, o JG acompanhou o decorrer de quase todo o processo. Desde o início, foi nossa convicção de que deveria fazer-se um encontro de esclarecimento com a população, para evitar uma situação deste género. Mas julgou-se que não iria haver oposição e, portanto, não valeria a pena fazer essa sessão.
O certo é que há oposição e não vemos outra forma de ela ser resolvida, senão com tal clarificação. Até porque, quando o abaixo-assinado chegar ao Bispo diocesano, este enviará o assunto directamente à CDAPC. Portanto, será a mesma comissão que tomou a decisão sobre as obras efectuadas a tratar, de novo, do assunto.
Quanto a isso, o padre Armindo Janeiro reconheceu ao JG que “nesse aspecto falhámos na análise do problema, ao julgar que seria óbvia a aceitação das pessoas” e admitiu que “caso a polémica se mantenha, iremos com todo o gosto à Golpilheira explicar as razões das nossas opções”.
Luís Miguel Ferraz
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