Centenário da trasladação do(s) Soldado(s) Desconhecido(s) para a Batalha (6-10 de Abril de 1921)

Centenário da trasladação do(s) Soldado(s) Desconhecido(s) para a Batalha (6-10 de Abril de 1921)

Passa agora o centenário da trasladação dos dois soldados mortos nos campos de batalha de França e de Moçambique para a Sala do Capítulo do Mosteiro da Batalha, onde foram sepultados a 10 de Abril de 1921.
Para tal, publicamos, com a devida autorização e algumas adaptações, o trabalho publicado pelo investigador Carlos Alves Lopes na página www.momentosdehistoria.com, onde apresenta diversas outras importantes recolhas sobre a história militar portuguesa.
Esperamos que sirva para formação sobre um dos pormenores da nossa história e do nosso Monumento, bem como de homenagem aos que a fizeram e perpetuaram.

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Franceses deram “exemplo”

Depois do fim da Grande Guerra (1914-1918), emergiu em diversos países a ideia de render homenagem aos soldados cujos corpos não tinham sido identificados. Em França, a ideia surgiu de Francis Simon e de Maurice Maunoury, como uma renovação de uma ideia anteriormente apresentada pelo príncipe Joinville depois da guerra de 1870. A decisão de inumar os restos mortais de um soldado não identificado morto no “Campo de Honra” sob o Arco do Triunfo, em Paris, foi tomada pelo Parlamento em 1920.
Foram exumados oito corpos de soldados desconhecidos de diferentes sectores da frente de batalha, que foram transportados para a cidadela de Verdun. Aí foi feita a escolha pelo soldado Auguste Thin, soldado da guarda de honra e filho de um combatente desaparecido em combate durante a Grande Guerra, no dia 10 de Novembro de 1920, colocando um ramo de flores sobre um dos oito sarcófagos que se encontravam em câmara ardente. O escolhido foi, no dia seguinte, levado para o Arco do Triunfo, em cortejo fúnebre solene; os mutilados e uma família fictícia, uma viúva, uma mãe e um órfão acompanharam o transporte, ao som de tiros de canhão. A lápide tem escrito apenas “Ici repose un soldat français mort pour la France (1914-1918)” [aqui repousa um soldado francês morto pela França]. Ali ficou em câmara ardente até ao dia 28 de Janeiro de 1921, dia em que foi inumado ao centro do Arco do Triunfo, virado para os Campos Elíseos.
Ainda durante o ano de 1921, a Itália, Portugal, a Bélgica e os Estados Unidos da América decidiram seguir esse exemplo de honrar o seu “soldado desconhecido” e outros se seguiram em 1922, como a Grécia, a Checoslováquia, a Jugoslávia e a Polónia. Todas as cerimónias foram protocolarmente muito similares à francesa, partindo da escolha de um corpo anónimo proveniente de um campo de batalha mítico para cada nação, sepultado depois solenemente como representando todo os outros.

Em Portugal

Em Portugal, foi a 18 de Março de 1921 que o Governo autorizou a transladação de dois soldados desconhecidos, um da França (Flandres) e outro da África (Moçambique) para o “panteão” do Mosteiro da Batalha. Foi, ainda, decidido que a cerimónia seria efectuada no dia 9 de Abril de 1921 e para tal decretou esse dia como feriado nacional (Diário da Câmara dos Deputados, 41.ª Sessão, 18.03.1921, p. 21).
Ainda em Março, o Governo português tratou, através do seu adido militar em Paris, da documentação necessária para a transladação do soldado desconhecido da França para Portugal. A 5 de Abril, por ordem do Senado da República, foi aberto um crédito para o Ministério da Guerra fazer face às despesas das homenagens a serem prestadas aos soldados desconhecidos (Diário do Senado da República, sessão 34.ª, 05.04.1921, p. 3-7).

6 de Abril de 1921 • O soldado desconhecido de França chega a Lisboa

O soldado desconhecido vindo da Flandres esteve primeiramente em câmara ardente no quartel do regimento francês n.º 129, caserna Kleber, no Havre, de 9 a 12 de Março de 1921, data em que se dá o cortejo fúnebre, ainda em Havre.
Os restos mortais foram posteriormente transportados de França para Portugal no navio de transporte “Porto”, que atracou em Lisboa, no cais de Santos, no dia 6 de Abril. Entre o cabo da Roca e o cais de Santos, o navio foi escoltado pelo contratorpedeiro “NRP Guadiana” (Mendes, 1989:35).
No cais de Santos, esperava-o uma guarda de honra, com coroas e palmas, numa derradeira homenagem. O féretro do soldado desconhecido da França saiu do navio “Porto” transportado à mão por seis soldados de infantaria. Junto com ele regressaram três oficiais mortos em combate a 9 de Abril, o capitão Serrão Machado, morto por uma granada, o tenente Vidal Pinheiro e o alferes Carrazeda de Andrade, ambos mortos por gazes tóxicos (Século Ilustrado, 1921/787).
O soldado desconhecido foi então levado para o arsenal da Marinha, para a casa da Balança, onde se juntou ao seu camarada de África, e ficou a aguardar pelo dia seguinte, data em que os dois seriam transportados para o Palácio do Congresso, actual edifício do Parlamento, em São Bento. À cerimónia estava presente o Presidente da República, António José de Almeida, o ministro da Guerra, Álvaro de Castro, e outros representantes do Governo e do Parlamento. A Igreja encontrava-se representada ao mais alto nível pelo bispo de Beja e Chefe do Corpo de Capelães no Front, D. José do Patrocínio Dias. Foram acompanhados pela Banda da Marinha, que tocou a “Maria da Fonte”, e por uma salva de 21 tiros dos navios de guerra que se encontravam fundeados no Tejo (Serpa, 1959:372).

6 de Abril de 1921 • O soldado desconhecido de África chega a Lisboa

A 30 de Março de 1921, às 17h45, levantou voo um hidroavião da baía do Funchal para ir ao encontro do navio de transporte inglês “Briton”, da Union Castle Mail, que trazia a urna contendo os restos mortais do soldado desconhecido de Moçambique.
Ainda nesse dia, desembarcaram no cais da Pontinha, na Ilha da Madeira, pouco depois das 20h00, os despojos mortais desse soldado morto nas plagas longínquas da África Oriental (Moçambique), na luta contra os alemães. A urna contendo os despojos passou a noite no posto de desinfecção marítima, sendo conduzida no dia imediato, pelas 13h00, para os Paços do Concelho, onde ficou em câmara ardente até ao dia 3 de Abril, data em que embarcou para bordo do cruzador “República”, que a transportou para Lisboa.
Tanto na vinda para os Paços do Concelho como na ida para o cais, formaram-se luzidos e imponentes cortejos, tendo-se juntado no dia 1 de Abril as autoridades civis e militares, o corpo consular, alguns oficiais ingleses, representantes das diferentes escolas e agremiações, contingentes das forças militares da guarnição do Funchal, etc.
Foram aparatosas as manifestações que se realizaram nesta cidade, de 1 a 3 de Abril, para glorificar o modesto soldado. O general Norton de Matos, Alto Comissário da República em Angola, que estava de passagem no Funchal, no dia 3 de Abril, a bordo do “Moçambique”, desembarcou e integrou o cortejo do Soldado Desconhecido (Elucidário Madeirense, Vol. II, 821).
No dia 6 de Abril, chegou a Lisboa o soldado desconhecido de África, acompanhando-o outro herói de África morto em combate, o capitão Sebastião Roby, no navio “Zaire” e, depois, na lancha “Voador”, até ao arsenal da Marinha.
O soldado desconhecido de África ficou a aguardar no arsenal da Marinha, na casa da Balança, durante a noite e no dia seguinte, 7 de Abril, foi transportado, junto com o seu “irmão” de França para o Palácio do Congresso.

7 a 9 de Abril de 1921 • Câmara ardente no Palácio do Congresso

No dia 7 de Abril, os dois soldados desconhecidos foram conduzidos do edifício do arsenal da Marinha em cortejo até ao Palácio do Congresso, em cujo átrio ficaram até partirem de Lisboa, no dia 9 de Abril (Ilustração Portuguesa, n.º 791, 16.04.1921, p. 244). No dia 8, na sessão do Congresso, foi efectuada uma homenagem oficial (Diário da Câmara dos Deputados, 44.ª sessão, 08.04.1921, p. 4-49).

9 de Abril de 1921 • O cortejo de consagração dos dois soldados em Lisboa

No dia 9 de Abril, dia comemorativo do heroísmo de Portugal perante o ataque alemão, os soldados desconhecidos foram transladados da câmara ardente em que se encontravam no Parlamento para a Basílica da Estrela, onde se efectuou uma cerimónia solene de exéquias fúnebres. Foi o dia da consagração e de união de todos os portugueses.
Assistiram às cerimónias o Chefe do Governo, Bernardino Machado, o Presidente da República e as delegações estrangeiras da Espanha, França, Itália, Grã-Bretanha e Estados Unidos da América e várias altas dignidades civis e militares. Com a presença do Patriarca de Lisboa, António Mendes Belo, e quase todos os prelados do continente, a Missa foi presidida pelo cónego Manuel Anaquim, com pregação de D. Manuel Mendes da Conceição Santos, arcebispo de Évora. Existiu um verdadeiro esforço de cooperação entre o ministro da Guerra, Álvaro de Castro, e o bispo de Beja, D. José do Patrocínio Dias, para que as homenagens fossem verdadeiramente patrióticas e dignas dos soldados tombados em combate (Serpa, 1959:369).
Terminada a cerimónia, o cortejo seguiu para a estação do Rossio, onde as urnas embarcaram para Leiria. Na maior comoção, o enorme cortejo atravessou Lisboa por entre uma multidão compacta que, assim, não negou o seu concurso às derradeiras homenagens aos mortos que simbolizaram a Pátria na guerra.
Junto à fachada principal da estação do Rossio, decorada com morteiros, sacos de terra e uma caravela, as missões estrangeiras receberam os féretros postadas em continência. Das janelas da estação, o Presidente da República e as delegações estrangeiras assistiram ao desfile.
De seguida, os despojos dos soldados desconhecidos partiram em comboio para Leiria. Foram organizados três comboios para levar os que quisessem acompanhar e assistir às cerimónias na Batalha.

10 de Abril de 1921 • Os soldados desconhecidos chegam à Batalha

Na edição de 11 de Abril do “Diário de Lisboa”, jornal fundado quatro dias antes, a 7 de Abril, dá-se a notícia pormenorizada das cerimónias do dia 10 de Abril, um domingo.
O comboio com as urnas dos soldados desconhecidos, adornadas com palmas, coroas e flores, chegou à estação de Leiria pelas 13h00. No largo, uma multidão de povo faz as suas aclamações, enquanto uma filarmónica toca o hino nacional. Além do Presidente da República, está presente Afonso Costa, representante de Portugal na Sociedade das Nações, bem como as delegações estrangeiras.
O cortejo automóvel rumo à Batalha é saudado pelo caminho por milhares de pessoas com bandeiras e as crianças das escolas. Chega ao Mosteiro pelas 17h00, onde o esperava a guarda de honra e milhares de pessoas. Escreve o “Diário de Lisboa”: «As urnas vão entrando, conduzidas por oficiais generais, ouvem-se salvas de artilharia, que ressoam dentro da nave central do Mosteiro como uma nota fúnebre e gloriosa ao mesmo tempo. As bandas de música tocam hinos e marchas guerreiras. É a hora soleníssima da glorificação dos heróis». À entrada, 90 bandeiras permaneceram desfraldadas após a entrada dos ataúdes no monumento.
Já na Sala do Capítulo, discursou em primeiro lugar o presidente da Câmara de Deputados, Abílio Marçal, elogiando as qualidades do soldado português que se bateu na Europa e em África, ali representado nos restos mortais daqueles dois desconhecidos: «Está ali um pedaço da nossa alma, está ali um pedaço da nossa pátria». Depois, Afonso Costa aproveitou para explicar as razões que levaram Portugal a envolver-se no conflito e concluiu que «os soldados desconhecidos, só por si, justificam a nossa participação». E também o ministro da guerra enalteceu as «virtudes do exército português».
Por fim, as palavras do bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva: «Têm passado sob estas abóbadas muitos hinos e Te-deum de vitória, mas talvez nenhum tão grandioso como o de hoje. Os soldados da nossa terra deixaram mães, pais, esposas e foram para onde os mandava o dever. Morreram e sobre a sua campa a morte tripudiava. Tinham vencido mais uma vez. Portugal inteiro trouxe-os para este monumento das nossas glórias. Aqueles soldados pregaram a lei do sacrifício, tão necessário da hora presente. A romaria ao templo da Batalha não deve terminar hoje, deve começar hoje. Precisamos aproveitar as lições daquelas mortes. Levai vossos filhos à Sala do Capítulo e dizei-lhes os seus feitos».
Foi, assim, imponentíssima a jornada da Batalha, um acontecimento histórico digno de registo.

Alguma bibliografia
  • MARTINS, Ferreira (1968), Grandes Chefes Militares Contemporâneos, (Joffre, Foch, Pétain, Lyautey), Lisboa, Edições Excelsior.
  • ALMEIDA, Lourenço Chaves (2007), Memórias de um ferreiro, Coimbra, Imprensa Universitária Coimbra.
  • SILVA, Fernando Augusto da, e Carlos Azevedo de Meneses (???? ), Elucidário Madeirense, Volume II, Funchal, (cópia digitalizada)
  • MALHEIRO, A.Ménici (1934), Entre Milhafres, Braga, Editora Braga.
  • SERPA, C J Gonçalves(1959), D.José do Patrocínio Dias, Bispo-Soldado, Lisboa, Oficinas da União Gráfica.
  • MENDES, Agostinho de Sousa (1989), Setenta e Cinco Anos no Mar (1910-1085), 2ºVol.,I/II/III/IV Partes, Lisboa, Comissão Cultural da Marinha.
  • RUDERICO (1932), Hoste Lusitana, Epopeia das Armas Portuguesas na Flandres, Barreiro, Tip. Comercial.

Outras datas…

24 de Maio de 1922 • O túmulo “ao abandono”…

Um ano depois da trasladação, surgiam nos jornais registos sobre o abandono a que se encontrava votado pelos poderes públicos o túmulo dos soldados desconhecidos no Mosteiro da Batalha. Era uma vergonha para o País e principalmente para o Exército.
Então, o Parlamento deliberou informar o ministro da Guerra, para que tomasse medidas para evitar o facto vexatório que era esta situação, observada também pelas delegações de países estrangeiros que vinham visitar a Batalha e encontravam os soldados desconhecidos completamente ao abandono. Foi votada, no Parlamento, uma verba suficiente para completar de forma condigna a homenagem aos soldados desconhecidos, que são o símbolo da heroicidade da raça lusitana nos campos da Europa, África, no ar e no mar, durante a Grande Guerra.
Por esta altura, existia também alguma polémica sobre a localização do túmulo dos soldados desconhecidos, havendo quem defendesse que o Mosteiro da Batalha era de difícil acesso, o que contrariava o culto que deveria existir a esses mortos, devendo construir-se um monumento em Lisboa para os trazer para a Capital (Diário da Câmara dos Deputados, 51.ª sessão, 24 de Maio de 1922, p. 27-29).
Felizmente, não se concretizou…

9 de Abril de 1924 • A inauguração do lampadário na Batalha

A ideia de uma “Chama da Memória” foi apresentada pelo jornalista francês Gabriel Boissy, em 1923, em sintonia com a opinião pública, que pedia mais conforto moral pelos familiares perdidos na guerra. Foi o Ministro da Guerra André Maginot que acendeu a “Chama da Memória”, a qual já mais se apagou, mesmo durante a ocupação alemã, na 2.ª Guerra Mundial. A “Chama da Memória” foi concebida como uma cerimónia perpétua.
O monumento ao soldado desconhecido da Sala do Capítulo do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, só recebeu o lampadário no dia 7 de Abril de 1924, uma obra do mestre Lourenço Chaves de Almeida. A inauguração solene e o acender da Chama da Pátria deu-se no dia 9 de Abril de 1924, dia em que se completavam 6 anos da Batalha de La Lys (Almeida, 2007:18-9).
O lampadário foi criado em ferro forjado, ornamentado com figuras representando soldados de todos os tempos, e a sua chama sempre acesa é produzida com uma torcida embebida em azeite. Foi oferecido pela 5.ª Divisão Militar, de Coimbra.
Foi também no ano de 1924, antes da cerimónia de 9 de Abril, que as ossadas dos soldados foram tumuladas. Na laje da campa rasa estão escritos os seguintes dizeres: “Portugal eterno nos mares, nos continentes e nas raças, ao seu Soldado Desconhecido morto pela Pátria” (Guião de Visita ao Mosteiro da Batalha, p. 12).
Na jornada do 9 de Abril de 1924, «precisamente no momento do silêncio, o Sr. Ministro da Guerra, o Sr. Américo Olavo, acenderá, na Batalha, junto do túmulo dos Soldados Desconhecidos o “Lampadário da Pátria”, devendo fazer uso da palavra nessa impressionante celebração, o general Sr. Simas Machado, comandante da 5.ª Divisão militar, os representantes oficiais das Ligas de Combatentes e da Comissão de Padrões e, por último, o Sr. Ministro da Guerra (CAMPOS, Mário, “A jornada gloriosa do 9 de Abril”, in O Século, n.º 15.140, de 9 de Abril de 1924, p. 5).

9 de Abril de 1958 • A entronização do Cristo das Trincheiras na Batalha

No sector português da Flandres, que ficava entre as localidades de Lacouture e Neuve-Chapelle, encontrava-se um artístico cruzeiro que dominava a paisagem da planície envolvente. Durante os meses de campanha, esse Cristo pregado no seu madeiro ali esteve à chuva e ao vento, a atrair os olhares dos soldados portugueses. No dia 9 de Abril de 1918, sobre aquela planície caiu uma tempestade de fogo de artilharia, durante horas a fio, que a metralhou, a incendiou e a revolveu. Era a ofensiva da Primavera de 1918 do exército alemão.

A povoação de Neuve-Chapelle quase desapareceu do mapa, de tão transformada em escombros. A área ficou juncada de cadáveres e, entre estes, jaziam 7.500 portugueses da 2.ª Divisão do CEP mortos ou agonizantes. No final da luta, apenas o Cristo se mantinha de pé, mas também mutilado. A batalha decepou-lhe as pernas e o braço direito e uma bala varou-lhe o peito.
Este Cristo ficou no seu cruzeiro durante 40 anos erguido no mesmo local, até que, em 1958, o Governo português pediu aquele Cristo mutilado ao Governo Francês. Tornara-se um símbolo da fé e do Patriotismo nacional e passou a ser conhecido como o “Cristo das Trincheiras”.
A imagem chegou a Lisboa de avião, a 4 de Abril de 1958, uma Sexta-feira Santa, acompanhada desde França por uma delegação de antigos combatentes portugueses da Grande Guerra, que residiam em França, e por uma delegação de deputados franceses, chefiada pelo Coronel Louis Christians. Ficou em exposição na capela do edifício da Escola do Exército, até 8 de Abril, e milhares de portugueses a foram venerar.

No dia 8 de Abril, a imagem foi transportada num carro militar para a Batalha, sem qualquer cerimonial especial, e aí ficou exposta na sala do refeitório do mosteiro para, no dia seguinte, se efectuar a entrega oficial. No dia 9 de Abril, pelas 11h00, começaram a concentrar-se junto ao Mosteiro da Batalha numerosas entidades civis e militares, entre elas os embaixadores de Portugal em França e de França em Portugal, os adidos militares da França, da Bélgica e dos Estados Unidos, as altas patentes portuguesas do Exército, da Marinha e da Força Aérea. Ao meio-dia, iniciaram-se as cerimónias, com a chegada do coronel Louis Christian (França) e do ministro da Defesa de Portugal, coronel Santos Costa. A guarda de honra foi prestada por um Batalhão do Regimento de Infantaria N.º 7, de Leiria. O andor que transportou o “Cristo das Trincheiras” entre a sala do refeitório e a sala do Capítulo esteve ao cuidado de representantes da Liga dos Combatentes da Grande Guerra.
O “Cristo das Trincheiras” foi então deposto sobre um pequeno plinto adamascado, à cabeceira do túmulo do “Soldado Desconhecido”. Terminadas as orações, o adido militar Francês, coronel Revault d’Allonnes, conferiu aos dois soldados desconhecidos duas Cruzes de Guerra, as quais foram depositadas sobre a campa rasa.
A fanfarra do Regimento de Infantaria n.º 19, de Chaves, tocou a silêncio no final da cerimónia, enquanto uma Bateria de Artilharia do Regimento de Artilharia Ligeira de Leiria salvava com 19 tiros (Serpa, 1959:180-94).

Recolha e composição: Luís Miguel Ferraz

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