>”Grupo dos Cabrões” – Convívios à beira-Lena

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Ninguém o quer ser, todos se ofendem se lho chamam, mas este grupo de amigos serviu-se desta classificação irónica da linguagem popular para sua identificação. Orgulham-se de se chamarem “Os Cabrões” e têm mesmo uma forma de entronização peculiar, com a colocação de um capacete a preceito, ostentando dois proeminentes chifres. Cada um fica com o seu capacete religiosamente guardado no local dos encontros, uma barraca junto às margens do rio Lena, ao fundo do Casal de Mil Homens.
O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciência de Lisboa apresenta várias definições de “cabrão”: no sentido literal da zoologia é o “macho da cabra, o bode”; em sentido calunioso é o “marido a quem a esposa é infiel”; em algumas regiões do País [Barcelos] é também “uma criança que berra muito”; e, na gíria coimbrã, é o nome dado ao “sino grande da Universidade de Coimbra, maior do que o conhecido por ‘cabra’ e que toca em ocasiões especiais, como morte de professores ou alunos”.
Neste caso, não há sinos a tocar e as crianças também não berram muito. O mais que poderá haver é o bode dentro do tacho em alguma das “almoçaradas” que por ali se organizam. E há também muita boa-disposição, entre dois dedos de conversa, alguns jogos de cartas ou chinquilho, uma mesa recheada de boas iguarias regionais e o bom tinto da zona. Foi nesse ambiente de alegre confraternização que alguém se lembrou de baptizar o grupo e de instituir o capacete com cornos como insígnia de pertença ao clã. Na brincadeira, sempre vão dizendo que “há por aí tantos que não sabem ou não assumem, nós pelo menos não temos medo de pôr o capacete”. E todos hão-de esperar que a coisa não passe mesmo de brincadeira…
O certo é que candidatos não faltam. No passado dia 3 de Março, mais seis homens quiseram juntar-se à festa e assumir a imposição da cornadura. Na foto, identificamos o José Carlos Nazário, o Vítor Grosso, (um desconhecido), o José Carlos Nunes, o Henrique Almeida e o José Soares e um. E para comemorar o evento, o mais importante não faltou: uma caldeirada de enguias oferecida pelo novo membro Henrique Almeida, que a todos deixou saciados e satisfeitos.
A todos eles desejamos muitos e bons destes convívios à beira-Lena, numa salutar confraternização de amizade entre todos, mantendo sempre esse bom sentido de humor.
LMF
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