>Mouzinho homenageado na Batalha

>Mouzinho homenageado na Batalha

>No 105º aniversário da sua morte

A vila da Batalha recebeu, no passado dia 21 de Julho, mais uma cerimónia de homenagem ao Patrono da Arma de Cavalaria, Joaquim Mouzinho de Albuquerque, na praça que tem o seu nome. No 105º aniversário da morte deste oficial batalhense, cumpriu-se a tradição com mais de 30 anos, em que um grupo de oficiais e sargentos de Cavalaria fazem uma romagem a cavalo, desde o quartel até à vila heróica, onde nasceu o seu Patrono.
A marcha teve início no dia 18 de Julho, pela primeira vez a partir de Abrantes, onde se situa actualmente a sede da Escola Prática de Cavalaria (EPC). A ela se juntaram algumas delegações de outras unidades da Arma, chegando à Batalha na tarde do dia 20.
A cerimónia protocolar decorreu no dia 21, junto ao busto de Mouzinho de Albuquerque, com a presença de diversas autoridades militares e civis, entre as quais o director honorário da Arma de Cavalaria, tenente general Velasco Martins, e o presidente da Câmara Municipal, António Lucas.
Antes da deposição de uma palma de flores e descerramento de uma Espada de Bronze no monumento, Velasco Martins lembrou os feitos heróicos de Mouzinho, salientando “as suas virtudes militares e humanas, como homem íntegro e impoluto, em cuja homenagem os militares de hoje vão buscar as forças e a coragem para cumprir uma missão que continua igual à do herói de Macontene, o mesmo espírito que animou tantos ao longo da história e nos anima hoje”. Afirmando o orgulho que a Arma de Cavalaria, “perene e única no serviço a Portugal”, tem no seu Patrono, o oficial salientou que “ser militar é a mais nobre de todas as actividades, pelo serviço que presta à nação e ao bem comum dos cidadãos”. E à ordem “ao galope e corações ao alto”, várias dezenas de militares da força a cavalo ali presentes fizeram o desfile de apresentação de cumprimentos às entidades presentes.
Em conversa com o Jornal da Golpilheira, o sargento-chefe Chaves, do 3º esquadrão da GNR de Braço de Prata, Lisboa, referiu a importância deste momento anual, não só pela homenagem ao valoroso cavaleiro que foi Mouzinho de Albuquerque, mas também com actividade de união e convívio entre os militares que nela participam. “São dias de especial união das várias unidades que se juntam na EPC para fazer este trajecto até à Batalha, desfrutando de paisagens espectaculares, animada confraternização nos vários acampamentos de descanso e de especial emoção nesta cerimónia em que lembramos Mouzinho de Albuquerque, um exemplo para todos nós”, comentou este sargento.
É também uma oportunidade para o contacto com as populações por onde passam e, sobretudo, na vila da Batalha, dando a conhecer os ideais da Arma de Cavalaria, mostrando os belos cavalos que tem ao seu serviço e espalhando a simpatia dos militares, como pudemos comprovar pessoalmente em conversa com alguns deles.

Luís Miguel Ferraz

Nota Biográfica
Joaquim Mouzinho de Albuquerque nasceu na Quinta da Várzea, freguesia e concelho da Batalha, em 12 de Novembro de 1855, tendo sido baptizado um mês depois no Mosteiro de Santa Maria da Vitória. Descende de uma das famílias portuguesas mais ilustres, neto de Luís da Silva Mouzinho de Albuquerque, figura de militar, político e estadista, escritor e cientista da maior projecção na primeira metade do século XIX, a quem se ficou a dever a notável recuperação do monumento batalhense.
Tendo seguido a carreira de armas, alistou-se em Cavalaria no ano de 1871. Em 1886 seguiu para a então Índia Portuguesa, onde prestou relevantes serviços, ascendendo a Secretário Geral do Governo do Território. Transitou dali para Moçambique, por altura do ultimato inglês, a fim de assumir o cargo de Governador do Distrito de Lourenço Marques, que desempenhou de 1890 a 1892.
Regressado à Metrópole, volta a partir para Moçambique, em 1895, como Comandante da força de Cavalaria incorporada na expedição chefiada pelo Coronel Eduardo Galhardo enviado àquela colónia para dominar os régulos que, a incitamento de colonialistas britânicos, se haviam revoltado contra a presença portuguesa.
Em 10 de Dezembro de 1895 foi nomeado Governador Militar do Distrito de Gaza e, logo a 29 desse mês, promoveu a heróica captura de Gungunhana, em Chaimite.
A 13 de Março de 1896, foi nomeado Governador Geral de Moçambique e, em 25 de Novembro seguinte, Comissário Régio. Em meados de 1897, empreendeu a gloriosa campanha de Macontene.
Regressado à Metrópole, em Dezembro de 1898, foi nomeado pelo Rei D. Carlos, aio do Príncipe Real D. Luís Filipe. Pôs termo à vida em 8 de Dezembro de 1902, numa clara revolta contra o desmoronar dos valores nacionais a que assistia.
Joaquim Mouzinho de Albuquerque foi um dos portugueses mais notáveis do século XIX, tanto pelo seu acendrado patriotismo, como pela brilhante inteligência e capacidade governativa, de que deu bastantes provas em Moçambique, e pela lealdade, honestidade, coragem, espírito de sacrifício e noção de serviço público, qualidades raras que o destacaram dentre os homens da sua geração.
Não obstante os serviços prestados a Portugal, ainda não lhe foi prestada grande homenagem de que é credor: a transladação dos seus restos mortais para o Mosteiro de Santa Maria da Vitória.
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