>Livros – Março 2008

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Diário Português [1941-1945]
Mircea Eliade
Guerra & Paz
Inédito até 2001, ano em que foi editada em Barcelona a sua tradução castelhana, este Diário Português foi escrito entre 21 de Abril de 1941 (com o propósito inicial de Eliade se reencontrar, após meses sem escrever) e 5 de Setembro de 1945 (dia do último «banho em Cascais»), período em que desempenhou as funções de adido de imprensa, primeiro, e adido cultural, depois, da embaixada da Roménia.
É um texto em que o autor se mostra diversas vezes crítico, embora não hostil, em relação a Portugal, país que considera periférico, um pouco à margem da história e da cultura. É também um valioso registo da trajectória de um dos grandes intelectuais do século XX, que passou maioritariamente em Portugal os anos da II Grande Guerra.
Como exemplo que nos toca bem de perto, uma entrada escrita em 2 de Outubro de 1943: “No carro com os Grigore e os Costas para Alcobaça, Óbidos, Batalha, Coimbra. (…) Óbidos, pela primeira vez. A mais impressionante vila medieval que vi na Ibéria. Os plátanos no alto do Castelo. Tomámos chá no Baú. O pôr-do-sol na Batalha. Os meus sonhos no Claustro”.
Escritor romeno, Mircea Eliade (1907-1986) é provavelmente o mais importante historiador e filósofo das religiões. Oriundo de uma família de cristãos ortodoxos, licenciou-se em Filosofia, estudou sânscrito e filosofias do oriente na Índia, e adquiriu prestigiado estatuto como professor de História das Religiões, em várias parte do mundo. Trabalhou na embaixada romena em Lisboa, entre 1941 e 1945, onde escreveu várias obras, interessando-se por escritores como Camões e Eça de Queiroz e procurando fortalecer os laços entre os dois povos latinos. Em 1957, exilou-se nos EUA, onde faleceu em 1986.

O Diabo Também Veste ZARA
João Pedro Wanzeller
Guerra & Paz
O livro de etiqueta e valorização pessoal definitivo para todos os homens que pretendem conciliar a elegância da tradição com um estilo de vida moderno. Contornando as marcas cujo prestígio é indissociável do elevado custo, é possível para um homem apresentar-se elegante e sofisticado recorrendo a marcas que optimizam a relação qualidade/preço. A Zara é o paradigma dessas marcas, e daí a sua escolha para o presente título.
Defendendo o estilo clássico do «cavalheiro», aqui se esclarecem códigos e normas da indumentária masculina e da convivência diária numa sociedade exigente e atenta a estas questões. Através de uma linguagem clara, explica-se o que se deve usar, quando e porquê, esclarecendo-se todas as expressões que definem um estilo, como metrossexual, dandy, street wear, etc.
Temos, portanto, vestuário para todas as ocasiões – íntimas, pessoais e profissionais, em casa ou fora –, bem como conselhos imprescindíveis sobre as atitudes a fomentar e os excessos a evitar pelos homens que cultivam uma imagem de sedução e bom gosto.
Segundo o autor, “este livro é dirigido a homens ditos «clássicos», mas modernos, actualizados, a homens cosmopolitas, sofisticados, que fazem das cidades o seu mundo, práticos, pragmáticos e exigentes com eles próprios, ilimitados, que gostem de sonhar, de lutar e de vencer, que também saibam perder, que saibam contornar a frustração das suas próprias expectativas, que sejam apaixonados pela vida e por tudo o que esta lhes proporciona; que gostam de dançar, cantar, rir e pular sem nunca se cansar. É para homens que gostam de dar nas vistas veladamente, pela discrição e simplicidade, que gostam de impressionar e seduzir com a primeira imagem, pela primeira impressão, aliado sempre a um charme muito próprio e pessoal, natural e inconfundível e que, a par da educação, fazem da indumentária o cartão-de-visita da sua própria personalidade”. No fundo, para todos nós…
João Pedro Wanzeller começou a trabalhar em 1990 como designer e criativo em agências de publicidade. Em 1992, integrou a primeira equipa do Centro Cultural de Belém/Fundação das Descobertas, onde trabalhou com alguns dos mais conceituados artistas mundiais. Fez uma especialização em Imagem e Valorização Pessoal em Londres e Nova Iorque, lecciona etiqueta e protocolo e é assessor de imagem em várias empresas.


No fundo de uma garrafa de whisky – Confissões de um ex-alcoólico
Jorge Miguel Lobo e Nuno Henriques
Guerra & Paz
Portugal é o sexto maior consumidor de álcool da União Europeia. Todos os dias, há mais mortes causadas pelo álcool do que por outras drogas, sendo mesmo a primeira causa de morte entre os jovens, se juntarmos as doenças que lhe estão associadas e os acidentes por ele causados.
Este é um impressionante testemunho de uma pessoa cuja vida foi marcada pelo alcoolismo. Jorge Miguel Lobo consumiu álcool diariamente desde criança e, nos últimos anos enquanto alcoólico, chegou a beber duas garrafas de whisky por dia. Ultrapassado o vício, já não consome bebidas alcoólicas desde o ano 2000, pelo que, clinicamente, é considerado um caso de recuperação de excepcional sucesso. Isto devido à sua juventude e ao facto de trabalhar como DJ, convivendo num mundo (bares e discotecas) onde o álcool marca uma presença incontornável e constitui uma tentação permanente. São inúmeras as particularidades do seu percurso de vida, aqui fielmente retratadas, numa obra que pretende dar um contributo sério para a prevenção do alcoolismo e para a recuperação de alcoólicos. Complementado por diversos testemunhos, entre os quais os de alguns profissionais de saúde, este é um livro essencial para perceber o «mundo do álcool» em Portugal.
Jorge Miguel Lobo nasceu em 1971 no Hospital de Leiria. Filho de alcoólico, começou a beber ainda em criança, com cerca de 9 anos. Cedo começou a trabalhar na rádio, por volta dos 15 anos, ao mesmo tempo que começou a actuar como DJ. Trabalhou em diversas discotecas da região de Leiria, como o Galáxia 2000, Casarão, Hot Rio ou Locopinha. Actualmente, trabalha no Beat Club. Na rádio, passou pela Rádio Liz e pela Rádio Clube de Leiria (Central FM). Após nove internamentos infrutíferos, foi bem sucedido na décima desintoxicação, a 31 de Julho de 2000, efectuada no Centro Regional de Alcoologia, em Coimbra.
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