>Alimentação escolar em análise

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>Autarquia confia na qualidade do serviço

A alimentação servida nas escolas da Batalha está a ser alvo de um inquérito por parte da autarquia e do delegado de saúde, após uma queixa relativa à sua qualidade. Até agora, “nada indica que a acusação corresponda à verdade”.
O caso foi amplamente noticiado, a nível regional e nacional, merecendo mesmo uma reportagem televisiva na SIC.
Tudo começou com um e-mail enviado à agência Lusa, no dia 22 de Maio, onde se acusa o Restaurante Etnográfico do Centro Recreativo da Golpilheira (CRG), que serve as refeições às escolas da Golpilheira, da Faniqueira e da Rebolaria, de “deficiente confecção e conservação dos alimentos fornecidos às crianças” e de “de falta de cuidado com o maneio dos alimentos”, considerando ainda que “as crianças comem porcaria” e que a “comida intragável põe em causa a saúde pública”.
No texto do e-mail, refere-se ainda que esse facto seria “do conhecimento das demais entidades envolvidas na gestão escolar, tais como a C. M. Batalha, Agrupamento de Escolas e Iserbatalha, que conhecem a situação e não tomam medidas implacáveis para por fim à situação, muito provavelmente pela existência de influências partidárias”. Em anexo seguiam as fotos, tiradas na escola da Rebolaria, onde se ampliava a imagem de uma lagarta numa sopa e de formigas noutra, bem como quatro hambúrgueres queimados e um prato de peras podres.

Entidades envolvidas estranham a queixa
Confrontado com esta situação, o presidente do CRG, Fernando Ferreira, garantiu a qualidade do serviço, “atestada por milhares de refeições servidas durante quatro anos nas três escolas, cerca de 35 mil por ano, sem que nunca se tenha registado qualquer problema grave”. A situação da lagarta e das formigas já tinha sido informada há algum tempo e motivou “o redobrar da nossa atenção, apesar de sabermos que poderá ser um caso pontual que acontece nos melhores restaurantes e nem ser assim tão óbvio que o problema tenha sido causado na confecção dos alimentos, pois não sabemos em que condições são servidas na escola em causa”. Também o presidente do Agrupamento de Escolas, Fernando Sarmento, garantiu “nunca ter recebido queixa dos pais” em relação à comida.
O presidente da Câmara Municipal, António Lucas, esclareceu que “desde o ano 2000, o Município optou pelas IPSS para a confecção dos alimentos fornecidos às crianças do concelho, essencialmente pela convicção de que seria a forma mais segura de fornecer alimentos de qualidade”. Por outro lado, “são efectuadas periodicamente acções de formação, com o patrocínio do Delegado de Saúde, a todas as pessoas que manuseiam e confeccionam os alimentos, e a entidade responsável pela higiene, segurança e saúde no trabalho tem também elaborado relatórios periódicos sobre as instalações”.
A este propósito, António Lucas afirma que “apenas três pequenas anomalias nos chegaram pelas animadoras no último ano e meio”, o que motivou uma “vigilância ainda mais apertada”, fazendo mesmo algumas visitas de surpresa aos almoços das escolas, “sem que se tenha detectado qualquer problema ou queixa por parte dos alunos ou dos pais”. Por isso estranha que o caso tenha vindo a público desta forma, bem como a gravidade da acusação feita, defendendo, em declarações exclusivas ao Jornal da Golpilheira, que “só por má fé, ou outros interesses obscuros, alguém pode afirmar que a Câmara teria conhecimento de situações graves, sem actuar”.

Inquérito
De qualquer modo, a edilidade “abriu de imediato um inquérito interno, para esclarecemos todas as dúvidas que possam existir quanto à qualidade das refeições e às razões que levaram a esta queixa”. O inquérito ainda decorre, mas não decorreu qualquer alteração ao serviço, pois “nada indica que as acusações feitas correspondam à verdade, sendo nossa convicção que o inquérito em curso irá demonstrar, inequivocamente, a qualidade dos alimentos fornecidos às nossas crianças”. Além disso, “a autarquia está a preparar a contratação de um nutricionista, que irá acompanhar as instituições responsáveis pela alimentação escolar, de modo a melhorar ainda mais a qualidade do serviço”, acrescenta o autarca.
Também a direcção do Centro Recreativo da Golpilheira aguarda a conclusão do inquérito, antes de tomar qualquer decisão quanto a acções futuras de resposta a esta acusação, já que “foi posto em causa o bom nome da instituição e um serviço público que é prestado com a dedicação e profissionalismo de muita gente”. Segundo Fernando Ferreira, “quando for reposta a verdade de forma inequívoca, decidiremos o seguimento do processo”.
Luís Miguel Ferraz

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