>Vinha | A escolha do porta-enxerto

>Estamos a assistir em Portugal, e até no mundo, a uma verdadeira revolução no sector da vitivinicultura. Somos dos que acreditam que a agricultura vai ter ainda um papel importante a desempenhar nas economias modernas. Quer na sustentabilidade do mundo rural, quer na rendibilidade económica da agricultura tecnológica, onde se enquadra a viticultura moderna.
O que vamos falar hoje, neste pequeno artigo, é o cuidado que se deve ter na escolha do porta-enxerto, também conhecido por “cavalo” ou “bacelo”, mais adequado ao terreno aonde vamos implantar a vinha.
Atendendo ao elevado custo de uma planta de qualidade à saída do viveiro, é de todo o interesse que o agricultor tenha o máximo cuidado na plantação da sua vinha. Assim, a escolha do porta-enxerto é condição necessária para a rendibilidade da cultura da vinha.
Em primeiro lugar, deve efectuar-se uma cuidada análise do terreno, recolhendo amostras de terra, tantas quantas as manchas heterogéneas do mesmo. Os resultados irão indicar-nos quais os porta-enxertos mais adequados para o tipo de solos em causa. Aconselhamos depois o agricultor a recorrer a uma empresa de multiplicação de plantas (viveirista) certificada pelos serviços oficiais do ministério da agricultura.
Os bacelos devem estar isentos de vírus e serem resistentes à filoxera, tratados convenientemente com os produtos fitossanitários para o combate às diferentes pragas e doenças.
Vamos agora enumerar algumas variedades de porta-enxertos:
1. Variedade pura: Rupestris du Lot, mais conhecido no mundo vitícola como “montículo”, muito bom para a retancha, devido ao seu vigor. Não tolera solos secos nem húmidos e pode instalar-se em solos profundos.
2. Variedades híbridas:
– 3.309 (Ripária x Rupestris), bom para solos frescos, não suporta o cloreto de sódio.
– 101-14 (Rip x Rup), adapta-se bem a solos encharcados, por isso rejeita os solos secos.
– 196-17 (Rip x Rup), indicado para solos secos, ou regularmente secos, arenosos e em condições de acidez.
– 99 Richter (Berlandier x Rupestris), vigoroso, para solos pedregosos e compactos.
– 110 Richter (Berl x Rup), é semelhante ao 99 Ritcher, vigoroso e rústico, resistente à secura.
– 5BB (Berl x Berl), vai bem em terrenos férteis e permeáveis, ou em terrenos argilo-calcários, ligeiramente secos. Imprime boas produções.
Há muitos mais porta-enxertos, apenas quisemos ilustrar este artigo, para o leitor ficar com uma pequena perspectiva de algumas variedades.
A cultura da vinha remonta aos tempos ancestrais da humanidade. Em próximos artigos, iremos continuar a falar desta maravilhosa cultura.

José Jordão Cruz
Eng. Técnico Agrário

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