>É preciso renovar a igreja e a Igreja

>É preciso renovar a igreja e a Igreja

>Grupo conversou sobre a comunidade cristã da Golpilheira

No passado dia 18 de Junho, realizou-se na Golpilheira uma reunião muito especial. O assunto surgiu no dia da inauguração da Junta de Freguesia, no dia 14 desse mês. Alguém comentava que, depois desta obra, seria necessário pôr mãos a outra: o restauro da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, o centro de culto da comunidade cristã desta freguesia., cujo telhado precisa de uma intervenção urgente e onde as condições de conforto para as celebrações deixam muito a desejar.
A conversa rapidamente interessou a um grupo alargado de pessoas e algumas ideias começaram a circular. Para além das obras urgentes, poderia pensar-se numa intervenção de fundo, que desse outras condições àquele espaço, talvez um arranjo interior mais moderno e confortável, talvez algumas alterações de arquitectura. E como financiar tal projecto? O que fazer para concretizar essas ideias?
A primeira conclusão foi a de que tal empreendimento exigiria a união de toda a freguesia, especialmente das duas comissões das igrejas, da Junta de Freguesia e de outras instituições e pessoas mais activas. Daí a ideia de se marcar rapidamente uma reunião entre todos, para se discutir abertamente o assunto.

A reunião
No dia 18, sentados a uma mesa do salão de festa da igreja da Golpilheira, lá estavam os elementos da comissão local, os da comissão de S. Bento, os da Junta de Freguesia, e mais algumas pessoas que tinham participado na referida conversa.
Postos a par do assunto, cada um teve oportunidade de dizer o que pensa. Uns estão mais optimistas e acreditam que é possível pensar numa grande obra, outros estão mais receosos e preferem que se limite a intervenção ao básico. Mas todos estavam de acordo numa coisa: é preciso fazer alguma coisa para melhorar a nossa igreja.
Todos estão também conscientes de que, seja qual for o rumo, o investimento será sempre avultado. A actual comissão avançou já com a pintura do templo, mas o telhado terá de ser substituído em breve, uma vez que conta já com 45 anos e apresenta graves problemas. Além disso, as salas de catequese não têm o conforto mínimo para acolher as crianças, sobretudo, no Inverno e as paredes, janelas, estores, chão, etc., precisam também de reparações, para além do recheio com móveis e equipamentos de apoio mais apropriados. E a lista poderia ser mais extensa.

Comissões unidas
Uma das condições parece também ser consensual: é preciso unir ambas as comissões das igrejas, de S. Bento e da Golpilheira, em torno deste projecto comum.
A ideia de formar uma única comissão para cuidar do património religioso da freguesia já vem de longe. No Jornal da Golpilheira, abordámos esse assunto já em Fevereiro de 2004, numa entrevista aos responsáveis das duas comissões e ao pároco, onde sugeríamos essa fusão. Os três entrevistados afirmaram estar de acordo com uma solução desse género, adiantou-se mesmo a possibilidade de um debate alargado na comunidade, mas o certo é que mais nada de concreto veio a ser feito. Talvez as condições na altura não fossem as melhores, dado que ambas as comissões andavam envolvidas em obras nas respectivas igrejas…
Essas condições parecem ser agora muito favoráveis. As duas igrejas mais antigas – Senhor dos Aflitos e S. Bento – estão restauradas e os respectivos adros e espaços de apoio também estão minimamente consolidados. Resta, portanto, pensar na igreja de Nossa Senhora de Fátima, que é o único local onde existe culto dominical, onde funciona o centro de catequese e onde toda a vida religiosa se concentra.
A situação actual é, portanto, favorável a um trabalho de união, e todos os presentes neste encontro manifestaram estar de acordo em considerar muito a sério essa hipótese, em especial os membros das duas comissões actualmente em funções. Existe apenas o problema de a comissão da igreja da Golpilheira estar em final de mandato, pelo que terá de haver uma nova conversa após a reestruturação da equipa.

As festas
Havendo apenas uma comissão, será muito mais fácil gerir os fundos e programar as acções comuns, envolvendo mais gente e dando uma força maior às decisões tomadas. Evita-se, por outro lado, a impressão de haver divisão ou “espírito de capelinha”, que não se justifica numa freguesia tão pequena como a nossa. Afinal de contas, tudo é de todos, o património é de toda a comunidade cristã e a todos compete cuidar dele e usufruir da sua utilização.
Um exemplo dessa possibilidade de colaboração é a calendarização das duas festas religiosas, que têm sido feitas nos últimos anos em Agosto, com um intervalo de 15 dias, juntando-se ainda a festa da colectividade, cerca de 15 dias antes destas duas. Para além do natural cansaço dos organizadores, alguns dos quais colaboram nos vários eventos, mais uma vez transparece a ideia de que são grupos diferentes a trabalhar e que também os destinatários são diferentes, quando toda a freguesia deveria estar unida nestes momentos de celebração e convívio.
Mesmo fazendo duas ou três festas, elas poderão ser mais espaçadas no ano, permitindo melhor programação e uma oferta mais variada à população e menos cansativa para todos, sobretudo os que nestas alturas gostam de contribuir para os fundos das entidades organizadoras.
É claro também que, juntando os lucros sob a mesma conta, haveria uma maior margem de manobra para realizar obras de grande envergadura, como a que agora surge no horizonte das necessidades…

E a Igreja?
Outra questão que surgiu – não menos importante – foi a da renovação da Igreja, desta vez com “maiúscula”, isto é, do grupo de cristãos que forma esta comunidade. Bem vistas as coisas, é por aí que tudo deve começar, pois nem faz sentido pensar-se em investir em obras numa igreja (paredes) cuja Igreja (pessoas) não exista.
É um dado adquirido – e tem sido sublinhado pelo pároco diversas vezes – que a participação na missa dominical tem registado uma enorme quebra nos últimos anos. Sabemos que o número de praticantes tem reduzido a nível geral e não interessa ter a igreja cheia “só por ter”, com pessoas que não sentem a prática religiosa como algo pessoal e assumido em comunidade. Como diz o ditado, “mais vale serem poucos, mas bons”. Mas o certo é que se forem mesmo muito poucos, não justificarão um grande investimento, sendo preferível arranjar um espaço mais pequeno e adequado a esse número.
No entanto, não parece ser essa a nossa realidade, como se comprova com a igreja cheia quando há festas com as crianças da catequese ou outras celebrações mais “especiais”, que revelam uma comunidade ainda bastante numerosa, merecedora de um espaço condigno para celebrar em conjunto. Verificamos, por exemplo, que muitas pessoas vão a outras igrejas ao domingo, seja na Batalha, seja nas paróquias vizinhas. Como se costuma dizer, “não adianta esconder o sol com a peneira”: as motivações podem ser várias, como o gosto por um espaço mais apelativo, a preferência por outro padre a presidir, a melhor animação da liturgia, a procura de algum “anonimato”, etc. Todas as desculpas podem ser válidas e, no entanto, nenhuma explica toda a realidade.
Assim, um dos aspectos onde é preciso investir, também aqui com a exigência de uma maior união entre todos, é na procura de consolidação da comunidade cristã. As iniciativas poderão ser várias, como por exemplo, através de uma participação mais regular das crianças da catequese nos actos litúrgicos, pois é certo que com elas virão outros familiares. Até porque esse será um primeiro passo para motivar as pessoas a colaborar numa eventual obra de renovação do espaço, já que todos sentirão que é também para o seu benefício.

Conclusões
Já que estamos em maré de provérbios, podemos dizer que a principal conclusão deste encontro foi: “a união faz a força”. Todos manifestaram ser importante avançar com algumas destas sugestões e aprofundar esta reflexão, alargando-a a todas as pessoas da comunidade. Também o pároco, padre José Gonçalves, ao qual foi comunicado o teor desta conversa informal, se manifestou contente pela iniciativa e concordou que o caminho a seguir deverá ser o da união entre todos com o mesmo objectivo pastoral: renovar a comunidade e dotá-la das estruturas necessárias.
Dada a aproximação das festas já em preparação, e o facto de o período de férias dispersar muito as pessoas, para além de ser ainda indefinida a constituição da Comissão da Igreja da Golpilheira, ficou a proposta de cada um dos presentes reflectir um pouco mais sobre o assunto, em ordem a uma nova conversa em finais de Setembro. Nessa altura se verá por onde começar, sendo certo que não se fará nada sem a elaboração prévia de um projecto bem pensado e previamente sujeito às propostas de toda a população.
Ficou também decidido por todos que o assunto seria apresentado nesta edição do nosso Jornal, precisamente antes de começarem as festas religiosas, que podem ser um período propício ao diálogo e à partilha de opiniões. Espera-se que nasça um movimento saudável por parte de todos, evitando os confrontos e as críticas destrutivas, mas com espírito de colaboração e de procura das melhores soluções comunitárias, mesmo quando houver que aceitar ideias diferentes das que cada um terá.
O Jornal da Golpilheira esteve desde o início no âmago desta problemática, é um meio privilegiado e aberto a todos para a comunicação de ideias e propostas, e quer ser um parceiro activo em mais esta tarefa comum, para o bem de todos e o desenvolvimento da nossa comunidade.

Luís Miguel Ferraz

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