>Presidenciais 2011 | Golpilheira “alinhou” (quase) com o resto do País

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Freguesia volta a ser das menos abstencionistas

No passado dia 23 de Janeiro 9,6 milhões de portugueses foram chamados às urnas para escolher quem seria o Presidente da República para os próximos cinco anos. O boletim de voto integrava seis candidatos: Cavaco Silva, Defensor de Moura, Francisco Lopes, José Manuel Coelho, Manuel Alegre e Fernando Nobre.
Para evitar uma segunda volta, um dos candidatos tinha de conseguir mais de 50% dos votos. Cavaco Silva foi reeleito à primeira volta, com 52,9% dos votos, uma percentagem superior em 2% à que tinha obtido em 2006, mas com menos meio milhão de votos. Ganhou em todos os distritos, no entanto, é o presidente com menos votos de sempre. Isto porque nem metade dos eleitores foram às urnas: a abstenção atingiu um recorde de 53,3%. O apelo ao voto, feito por todos os candidatos, parece não ter surtido qualquer efeito, pelo menos o que era desejado.
Recorde-se que em 2006, nas eleições que ditaram a primeira vitória de Cavaco Silva, a abstenção foi de cerca de 38%, sendo que a maior abstenção em presidenciais, a seguir ao 25 de Abril, tinha sido em 2001, na reeleição de Jorge Sampaio, com mais de 50% dos eleitores a não comparecerem.
De qualquer modo, em Portugal, nenhum presidente perdeu em reeleição e os dados não foram alterados.

Noite eleitoral
Cavaco afirmou que “foi a vitória da verdade sobre a calúnia”. O seu discurso de consagração, no Centro Cultural de Belém, foi um autêntico ajuste de contas e foi duro com os adversários. “Nesta eleição há vencidos, são os políticos que preferem o caminho da mentira”, disse, acrescentando frases como “a honra venceu a infâmia”, “nunca antes se tinha visto os candidatos descerem a tão vil baixeza”, “nunca antes se tinha assistido a cinco candidatos apostados em atacar-me”. Cavaco Silva pediu ainda à comunicação social que indicasse “quem fez campanha negra” contra ele e reforçou a ideia de que “a minha força vem do povo”, prometendo “ser mais actuante” neste próximo mandato.
Embora ficando em segundo lugar, o derrotado do dia foi Manuel Alegre, pois os seus 19,7% não conseguiram levá-lo a uma segunda volta, o grande objectivo da campanha. Alegre diz que foi uma derrota pessoal e não dos que o apoiaram, tentando assim afastar o PS e Sócrates destes resultados. Registou uma votação mais baixa do que há cinco anos, quando concorria como independente, sendo que este ano concorreu com o apoio do PS e do BE.
Fernando Nobre considerou-se o segundo vencedor, com 14,1%, correspondentes a cerca de meio milhão de votos. Nobre disse que se tratou de “um resultado tremendo e de uma vitória da cidadania”. Muitos comentadores afirmaram que uma das ilações que se podem tirar destas eleições é a de que, no futuro, começa a haver espaço para termos um independente como presidente, o que elevaria Portugal ao nível das democracias mais avançadas do mundo. Mas foi, com certeza, também um candidato que serviu como escape para as pessoas que não queriam votar em Cavaco Silva, nem em Manuel Alegre.
Francisco Lopes, candidato apoiado pelo PCP, reuniu 7,1% da votação, perdendo eleitores em relação a Jerónimo Sousa, candidato pelo PCP nas últimas presidenciais.
A maior surpresa do dia foi mesmo José Manuel Coelho, o candidato anti-sistema, com 4,5% dos votos, correspondentes a quase 190 mil eleitores, tendo mesmo sido o segundo mais votado na Madeira. Muitas pessoas colocaram-se de fora destas eleições e muitas protestaram com o voto branco ou nulo. O voto em José Manuel Coelho pode também ser um voto de protesto, como lembrou o jornalista Luís Delgado: “vou votar neste, porque este não ganha e porque não quero votar nos outros”.
Finalmente, o independente Defensor de Moura conseguiu apenas 1,5% dos votos.

Na Golpilheira
Na nossa freguesia, a situação foi idêntica à registada no panorama nacional, mas com números ainda mais expressivos para Cavaco Silva, que atingiu os 590 votos (71,78%), e mais fracos para Manuel Alegre (10,58%) e Fernando Nobre (10,46%), estes com apenas um voto de diferença um do outro (87/86). A votação apenas se alterou entre José Manuel Coelho (4,26%) e Francisco Lopes (2,31%), que inverteram posições no pódio. Também aqui José Manuel Coelho foi a surpresa do dia, conseguindo convencer 35 dos golpilheirenses que preencheram o boletim de voto. Defensor Moura conquistou apenas cinco votos (0,61%).
Mais uma vez a fugir à regra, a Golpilheira contou com mais votantes do que abstenções: 64,99% da população votante foi às urnas, o que corresponde a 889 pessoas, enquanto 479 não votaram. Assim, a taxa de abstenção de 35,01% foi a mais baixa do concelho da Batalha, bem abaixo da média concelhia (43,66%), da média distrital (51,06%) e mais ainda da média nacional (52,46%). Ainda assim, este ano houve mais 4,73% de abstenção na Golpilheira do que em 2006.
Também em 2006, os votos nulos e os brancos atingiram a percentagem igual de 1,29%. Em 2011, os 22 nulos passaram a representar 2,47% dos eleitores, enquanto os 45 brancos subiram a fasquia para 5,06%.
Numa leitura simples, podemos dizer que, apesar de continuar a ser das freguesias nacionais onde os cidadãos têm uma das melhores taxas de cumprimento deste direito e dever de cidadania, nestas eleições houve uma maior manifestação de descontentamento, tanto pela subida da abstenção, como dos votos brancos e nulos e, até, no candidato Coelho.
Por outro lado, a votação massiva em Cavaco, segundo alguns testemunhos que colhemos, expressa, por um lado, a tendência PSD da freguesia e, por outro, a vontade de muitos eleitores em “resolver o assunto à primeira”, para evitar as despesas e a burocracia de uma segunda volta.

Ângela Susano | LMF

Boicotes e erros
Este acto eleitoral ficou marcado também por oito boicotes, como forma de protesto em relação a alguns problemas das respectivas populações, quando em 2006 tinha havido apenas dois.
Mais grave foi a desorganização dos serviços eleitorais, sob responsabilidade do Ministério da Administração Interna (MAI), no que respeita à identificação dos números de eleitor a partir do novo Cartão do Cidadão. Em muitas mesas não havia possibilidade de aceder a essa informação, os serviços de identificação na Internet bloquearam com tantos acessos e, assim, milhares de pessoas foram impedidas de exercer o direito de votar, por não ser possível identificar a respectiva secção de voto e a correspondente lista com o seu nome.
Esta situação já causou a demissão de dois directores de serviços do MAI e tem gerado um coro de protestos por parte dos partidos da oposição, que exigem a responsabilização política do Governo e a demissão do próprio ministro Rui Pereira. AS/LMF

Relato do ambiente
O dia eleitoral na freguesia da Golpilheira decorreu de forma tranquila e serena, com uma boa afluência de eleitores. A população aderiu de forma significativa, o que é de louvar. Foi registada a boa disposição na face das pessoas que se dirigiram à nossa Junta de Freguesia, apesar dos tempos difíceis em que vivemos. A verdade é que o descontentamento tem de ser mostrado à boca das urnas e não em casa à lareira, a comentar as notícias da semana.
Apesar das temperaturas baixas, nem a polémica em torno do Cartão de Cidadão aqueceu os ânimos, como em tantas outras freguesias, já que houve preparação antecipada. Mesmo assim, houve cinco pessoas impedidas de votar, pois os seus nomes não estavam nos cadernos eleitorais. Parece que a base de dados nacional eliminou alguns eleitores.
De resto, foi um processo eleitoral que decorreu na perfeita normalidade, com a contribuição de quase todos. Esperamos, para uma próxima, a presença de ainda mais eleitores. DL

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