>Museu da Comunidade Concelhia da Batalha: Um “museu para todos”

>Museu da Comunidade Concelhia da Batalha: Um “museu para todos”

>Embora sem uma data ainda agendada para a sua inauguração oficial, o Museu da Comunidade Concelhia da Batalha já abriu as suas portas ao público, no passado dia 29 de Janeiro, situado no largo Goa, Damão e Diu, nas antigas instalações da Caixa de Crédito Agrícola da Batalha.
Dias antes, foi feita uma apresentação prévia aos jornalistas, em que o presidente da autarquia, António Lucas, lembrou o percurso da implementação, ao longo de mais de dois anos, visando garantir que fosse um trabalho de “alto nível de qualidade, inserido na linha da nova museologia e da sociomuseologia, que pretende valorizar a identidade e a história do concelho da Batalha e dos seus munícipes”. Num investimento de cerca de 900 mil euros, o espaço teve de ser totalmente remodelado para esta finalidade, como uma forte aposta nas acessibilidades, estando adaptado para a visita de pessoas que sofram de deficiência motora, visual, auditiva, etc.
Mas “não é um museu para deficientes”, afirma Josélia Neves, responsável por esta área, considerando que o conceito pretendido é o de “museu para todos”, funcionando os textos de apoio, os audioguias, as réplicas tridimensionais e todos os instrumentos de acessibilidade como forma de melhorar a informação ao público em geral, inclusivamente para crianças, estrangeiros ou pessoas com maior dificuldade de apreensão das linguagens técnicas.
Assim, a linguagem escrita e oral é simples, sem perder o rigor científico, as vozes usadas são de gente da região e os conceitos procuram a proximidade ao “coração” da terra em que vivemos. “Não está tudo acabado, nem é tudo perfeito, pois a ideia é mesmo promover a sua evolução permanente”, salientaram os membros da equipa coordenadora, antes de iniciarem uma visita guiada pelo espaço.
Em resumo, o Museu assume-se como um “centro de cultura vivo, reunindo as funções de investigação, conservação e valorização do património cultural e do modo de vida das gentes locais”, pretendendo ser um retrato da vida deste território, desde as suas origens geológicas, paleontológicas e arqueológicas, percorrendo os principais acontecimentos históricos e artísticos até à actualidade.
Está dividido em seis áreas temáticas: as Origens, Tempo e Memória, o Mundo da Biodiversidade, Tudo sobre Nós, Ninho dos Projectos – Actividades Comunitárias e Laboratório da Memória Futura.

As Origens
O geólogo António José Teixeira apresentou os conteúdos desta primeira área, onde se descreve a evolução do território e da vida desta região nos últimos 250 milhões de anos, até 1385, momento da Batalha de Aljubarrota e da promessa de D. João I de construir uma grande igreja em caso de vitória sobre os castelhanos.
Enchendo todo o primeiro piso, aqui encontramos a geologia e paleontologia do território, os primeiros seres humanos na região do actual concelho da Batalha, o percurso do paleolítico à dominação romana e de Collippo ao Mosteiro.
Em lugar de grande centralidade, a famosa estátua do magistrado romano encontrada em Collippo, território da nossa freguesia da Golpilheira, que pode agora ser observada num contexto interpretativo completo, onde até se poderá fazer uma visita virtual ao que teria sido aquela importante cidade romana.

Tempo e Memória
Subindo ao segundo piso, partimos de 1386 na descoberta da história da Batalha desde o início da construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória até a actualidade, “passando por todas as fases que permitiram à população desta terra ir conquistando pouco a pouco a sua autonomia e identidade, até se transformar no actual Concelho”, como explicou Ana Mercedes Stoffel, também da equipa do museu.
Aqui podemos observar capítulos como: “a construção do Mosteiro, nas suas diversas fases; os tempos de glória, com a elevação a vila, a concelho e a paróquia, com peças e documentos que demonstram a sua autonomia administrativa e religiosa, como o célebre sistema de pesos oficial enviado por D. Manuel; e dai até aos tempos de esquecimento, aos tempos de recuperação e aos modernos tempos de comunicação e cidadania.

Mundo da Biodiversidade
Em colaboração com especialistas desta área, o museu realizou um roteiro sobre a biodiversidade da região, com base numa das divisões mais tradicionais e conhecidas dos grandes recursos da natureza: ar, terra, fogo e água. É um verdadeiro programa de sensibilização para que todos possamos contribuir para a preservação do meio ambiente, capaz de permitir a existência do ser humano no planeta.

Tudo Sobre Nós
Esta área exibe o concelho na actualidade, com as suas gentes, os seus saberes, tradições, artes e ofícios, numa leitura transversal do desenvolvimento do seu tecido social e económico. Tudo isto através de materiais que tornam palpável essa realidade, mas também por meio de filmes, ecrãs tácteis e uma maqueta interactiva de base topográfica, que permite conhecer as rotas e os caminhos culturais e naturais do território.
Carlos Coucelo, autor da maqueta, explicou que é “um campo de trabalho aberto a outra colaborações, pois o software permite que sejam acrescentados e geridos outros dados, trazidos por exemplo pelos alunos das escolas”.

Ninho dos Projectos – Actividades Comunitárias
Dando lugar à “dinâmica e interactividade” que se pretende, este é um espaço polivalente para exposições temporárias realizadas com a comunidade local, aberto ao desenvolvimento de trabalhos de investigação nas mais diversas áreas.
Na abertura, está patente uma mostra sobre o ensino, onde, como explicou Patrícia Morgado, “foi recreada uma sala de aulas de meados do séc. XX, como muitos dos instrumentos pedagógicos e lúdicos próprios da época, e como referências a algumas das mais importantes figuras batalhenses ligadas ao ensino”.

Laboratório da Memória Futura
Por fim, uma área onde se disponibilizam os trabalhos de investigação para este programa museológico, bem como a maioria das publicações já existentes sobre o concelho, mas aberta a todos os trabalhos de investigação sobre a região, numa perspectiva de actualização permanente da informação e do conhecimento disponível sobre a nossa realidade. Uma porta aberta ao futuro, que “todos os cidadãos são convidados a ajudar a construir”, como sublinhou o presidente António Lucas.

Visitas…
Resta-nos dizer que a única maneira de conhecer verdadeiramente este magnífico projecto é ir lá, ver, tocar e sentir. “Com os cinco sentidos”, como defendem os que trabalharam neste projecto. Uma equipa que, para além dos nomes citados, contou com muitos outros colaboradores, nomeadamente, Ana Moderno, Elisabete Malafaia, José Travaços Santos, Pedro Dantas e Rui Cunha.
A visita pode ser feita diariamente (excepto à segunda-feira), das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00. Os alunos dos estabelecimentos de ensino concelhios têm acesso gratuito. Adicionalmente, os naturais e residentes no concelho gozam de uma entrada gratuita nos primeiros três meses de funcionamento.
Mais informações em http://www.museubatalha.com/.

Luís Miguel Ferraz

Partilhar/enviar/imprimir esta notícia:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.