>165 – Poesia

>165 – Poesia

>Ouve quem sabe…

Ouve quem sabe…
Escuta quem viu…

Não há lugar mais bonito…
Não há calor. Não há frio.

Apenas branca neve.
Como a cal de uma varanda
Florida como quem manda
Plantar verdes pinhais.

Não canta como pardais.
Encanta como as cigarras.
Não há tempo para conversas.
Ou ele foge, ou o agarras…

Miguel Portela, in “Diz Sempre que sim…”

A minha dádiva

Dei a mão,
Andei a pé
Dei a minha lição
Com muita fé.
Para pagar no que falho
Pedi o meu perdão
Mas quis dar o meu trabalho
Dei a minha lição.
Chorei lágrimas de dor,
Ao ver a tragédia da natureza
Foi com gesto de amor
Que aliviei alguma tristeza.
Fui olhando em frente,
E trabalhando no duro
Que de novo nasce a semente
Para um novo futuro.
Dias me alimentei chorando,
Com esforço consegui fazer sorrir
Na dadiva da minha presença avaliando
A felicidade que estou a sentir.
É dar ou semear,
Olhando a angustia de uma criança
Apenas com isto esperar
Alegria no futuro com esperança.
É isto o verdadeiro caminhar,
De uma fé escondida
É caminhando sem esperar
Dando a sorrir pedaço do bom da vida.
Sou como o sol ao amanhecer,
Dei a minha lição
Deus me há-de reconhecer
E me alivia com o seu justo perdão.
Doei livremente meu coração,
Na hora de angústia e dor
Dei a minha lição
Como gratidão beijos e abraços de amor

José António Carreira Santos

Desespero

Dizem que o planeta está doente
Lá isso é verdade,
Há assaltos e distúrbios
Não têm dó nem piedade.

Há pessoas desesperadas
O que já passaram! Têm razão,
Os ladrões levam o que desejam
E não dão satisfação.

O que está acontecer
Será a crise, ou as más companhias?
Uns assaltam durante a noite,
Outros durante o dia.

Daquilo que alguns dizem,
Muitos não é essa a opinião,
Uns saem cá para fora
Outros ficam na prisão.

Ó meu Deus Infinito
Porque há tanta crueldade?
Haja a paz e o pão de cada dia
A saúde e a sinceridade.

Muita coisa está do avesso
E dá dor de cabeça a muita gente,
Dêem as voltas que derem
não se sabe quem está inocente.

Cremilde Monteiro

Grito mudo

No sol que se espraia
e se esconde nas voltas
confusas do sonho
vejo o teu sorriso
e o tom que desmaia
no abismo medonho.
E vejo-te sempre
nos tempos perdidos
da minha ilusão
nas vagas do vento
no céu que não mente
no mar turbilhão.

Sentado no mundo
deserto de paz
e de olhar a sangrar
grito ao infinito
num eco profundo
de rouco esperar.
Grito a este céu
tristonho e sombrio
a minha canção:
que me dê de ti
um tempo só meu
para tocar tua mão!

Luís Miguel Ferraz

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