Editorial 262 – A-Deus

Editorial 262 – A-Deus

Luís Miguel Ferraz Director

Com a partida do director-adjunto Manuel Rito, acabou uma parte deste Jornal. Nada será como dantes. Há um espírito próprio das coisas que lhe é dado pelas pessoas e o deste Jornal era muito marcado por ele, pelo seu modo de ver as coisas, de fotografar acontecimentos, de entrevistar pessoas, de escrever sobre glórias e lamentos, de defender causas, projectos e ideias. Isso desapareceu e é apenas a isso que dizemos adeus. Ao Manuel dizemos “A-Deus”, isto é: vai em paz, até um dia em que iremos também ao teu encontro no mesmo regaço divino.
As páginas que se seguem dizem mais algumas coisas sobre o Manuel. Mas nunca dirão tudo, nem talvez o mais importante. Isso está no nosso coração e é indizível. Aliás, as centenas de páginas do Jornal nos últimos quase 25 anos dizem muito mais e melhor sobre o Manuel. Estão encadernadas no CRG e na biblioteca municipal, para quem queira consultar. Iremos, com certeza, rever alguns desses textos e imagens no futuro.
Enquanto cá ficarmos, como ele mesmo diria, há que olhar para a frente e continuar a luta, um dia de cada vez. Não se pode substituir uma pessoa como o Manuel, mas podemos pegar no legado dele e manter a construção, procurar outros modos e caminhos, crescer, na medida do possível. É isso que procuraremos fazer, certos de que também ele estará a olhar por nós, a dar-nos força e incentivo, a ajudar-nos a não desistir. Tentaremos ser dignos do seu testemunho e essa será a melhor homenagem que lhe poderemos fazer.

Triste Verão

Nada está a ser como dantes também na nossa vida social e são sobretudo os ambientes de festa que estão a faltar a muitos de nós para animar um pouco este Verão quente e triste. Na paróquia da Batalha, todas as festas foram canceladas, por precaução e porque a Igreja tem sido exemplar na resposta mais radical às exigências da saúde pública.
Na nossa pequena aldeia, teríamos três grandes festas (CRG, igreja da Golpilheira e igreja de São Bento). Não se fizeram… e sabe Deus como nos falta aquele ambiente de celebração de fé, de convívio e de alegria. Tal como nos faltam as pequenas festas, encontros e convívios entre familiares e amigos.
Resta-nos esperar que haja condições e seguranças suficientes para voltarmos a uma normalidade mínima. Não sabemos quando nem como, tal como não sabemos bem ainda como fazer… porque tudo é novo, incerto e estranho. Curiosamente, nem as próprias autoridade parecem ter muitas certezas sobre procedimentos e há coisas estranhas como ajuntamentos que não se podem fazer e outros promovidos, festivais e festas cancelados e outros que serão realizados, espectáculos proibidos e outros a acontecer por todo o lado em espaços abertos e fechados, enfim… incongruências que levam a incompreensões e que motivam uns a querer tudo fechado e outros a continuar sem qualquer cuidado, como se nada fosse. Talvez o mais sensato seja um meio-termo, mas… lá está, ninguém sabe bem qual.
Resta-nos esperar. E só Deus sabe as consequências sociais, económicas e humanas de tudo isto. Talvez só o saibamos quando passar este longo e quente Verão triste.
Até lá, saúde a todos!

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