Futsal Sénior Masculino: Época atípica serviu de “estágio”

Futsal Sénior Masculino: Época atípica serviu de “estágio”

O campeonato de futsal masculino teve apenas uma “volta” este ano, devido à pandemia. A Golpilheira ficou sensivelmente a meio da tabela da 1.ª divisão distrital de Leiria. Fomos conversar com o treinador do CRG, Pedro Marques, para uma avaliação da época.

Esta foi uma época toda jogada em tempo de pandemia, com interrupções pelo meio… deu para fazer um trabalho consistente com a equipa?

Infelizmente, as condições atípicas desta época não permitiram fazer um trabalho tão consistente como o desejado. Os horários iniciais no pavilhão da Golpilheira obrigavam-nos a iniciar os aquecimentos na rua. Só houve uma volta no campeonato e, em oito jogos, jogámos apenas um em nossa casa, e um segundo em casa emprestada, na Quinta do Sobrado. No entanto, adaptámo-nos conforme o necessário.

Qual foi a principal dificuldade de jogar nestas condições?

Não considero as diferenças existentes nesta época como sendo dificuldades, mas sim como sendo um esforço comum de adaptação, necessário para que todas as normas fossem cumpridas e a saúde de todos estivesse em primeiro lugar. Nunca tivemos público nos pavilhões, o que também não variou muito da época anterior (embora realce o facto de ter tido bastantes pessoas no exterior do pavilhão no único jogo que fizemos em casa), viajávamos sempre de máscara, desinfectávamos as mãos frequentemente… mas dificuldades, se existiram, não foram relevantes para o desempenho dos jogadores em campo.

Como foi a rotina de treinos e jogos? Havia testagem frequente, esforços adicionais?…

Novamente, a pandemia alterou por completo os nossos hábitos como equipa. Em vez do tradicional quadro A4 para explicar a táctica e movimentações, tínhamos um enorme quadro, para conseguir manter os jogadores a uma distância segura em tempos de paragem ou pausa; tivemos de fazer exames à COVID duas vezes (alguns jogadores e elementos da equipa técnica fizeram mais vezes); antes de entrar no pavilhão, era-nos medida a temperatura, tínhamos de desinfectar as mãos e só podíamos tirar a máscara quando o treino começasse realmente dentro da quadra; eu tinha de ter várias folhas de presença com a informação toda de todos os elementos que participassem no treino, tanto para mim como para as senhoras funcionárias do pavilhão; não pudemos ter um jogo de apresentação nem jogos de treino em nossa casa, pois não eram permitidos e – o ponto mais complicado – não podíamos usar os balneários. Só se podia tomar banho em dia de jogo. Este último ponto, claramente, era ilógico… mas eram as regras e foram cumpridas.

Foram estabelecidos objectivos no início da época ou pairava alguma incerteza sobre como iria correr?

A incerteza pairou sempre. Houve equipas que nem foram inscritas por não acreditarem na verdade desportiva desta época. Antes do início da época, em reunião com a direcção, foram estabelecidos objectivos comuns que foram atingidos. Quanto aos meus objectivos individuais, também os considero cumpridos. Lembro que, numa época tão atípica, os resultados não eram o mais importante. Na verdade, disse muita vez aos meus jogadores que estávamos numa época “de estágio” e que, se queriam errar, que errassem agora. Houve momentos cruciais durante certos jogos em que mantive jogadores dentro de campo em vez de os substituir por jogadores com mais experiência, para que evoluíssem, que aprendessem com os erros (que seriam posteriormente corrigidos) e que se tornassem melhores jogadores.

Que avaliação faz da prestação da equipa este ano?

É sempre complicado responder a uma pergunta sobre a prestação de uma equipa. Eu exijo sempre mais dos meus jogadores, tanto a nível individual como colectivo. Há sempre algo a melhorar. Há sempre algo a corrigir.

De uma forma geral, a equipa evoluiu. Os esquemas tácticos foram assimilados, os trabalhos ofensivos e defensivos estiveram bastante perto do que eu lhes pedia, a temporização nas bolas paradas foi melhorando, mas ainda está muito longe daquilo que eu queria. O que faltou a esta equipa foi algum “traquejo”. No entanto, tenho de lhes dar mérito por já conseguirem manter a cabeça fria e, mesmo a perder, souberam ter o discernimento para encontrar soluções e dar a volta ao resultado, algo que não acontecia na época passada. A nível individual, eu falava com cada jogador de forma privada e explicava-lhes o que eu queria deles, a forma como deveriam evoluir e os erros que teriam de corrigir. Em grande parte, isso foi conseguido.

Em termos gerais, como avalia o campeonato deste ano em termos de organização e justiça nos resultados?

No início da época, já havia equipas claramente candidatas à subida, principalmente devido à qualidade técnica dos jogadores nelas existentes. Quanto a isso, não houve grandes surpresas. No entanto, o facto de termos jogado quase sempre fora e de haver apenas uma volta tirou alguma “verdade desportiva” ao campeonato. Lembro que, antes da paragem em Janeiro, a Golpilheira tinha a melhor defesa do campeonato, tendo sido a única equipa a ganhar à Sismaria. Jogámos sempre de cabeça erguida contra as equipas candidatas e demonstrámos ser uma equipa a ser respeitada e tida em conta no futuro. Infelizmente, após a paragem, alguns jogadores voltaram completamente em baixo de forma, alguns nem sequer voltaram… Sei que isto não é desculpa, pois afectou todas as equipas, mas acho que a Golpilheira tinha capacidade para, numa época sem todos estes condicionalismos, fazer um pequeno brilharete.

Já há perspectivas sobre a próxima época em termos de constituição e preparação da equipa?

Neste momento, já é formal a minha renovação para mais uma época. Reuni-me com os directores, foram estabelecidos os objectivos comuns para a próxima época e decorrem as reuniões individuais com os jogadores. Eu preciso de saber com quem conto. Se um jogador achar que não tem vida para isto, não há problema. Continuamos amigos… Mas uma época é desgastante. Há muito trabalho para todas as partes e, se eu tenho sempre tudo preparado, desde microciclos, unidades de treino, análise completa das equipas adversárias, etc., também me reservo o direito de lhes exigir a máxima dedicação ao longo de dez meses. Posso também dizer que gostaria de ter alguns reforços – e já estou a trabalhar nesse sentido – mas mantendo sempre o núcleo da equipa.

Entrevista de LMF

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