Batalha está solidária com a Ucrânia

Batalha está solidária com a Ucrânia

Nesta tarde de domingo 27 de Fevereiro, ao sol que no céu se mostrava, juntou-se a luz de alguma solidariedade para com aqueles que vêem cair sobre si o ar sombrio da guerra. Se todos temos experimentado a tristeza das imagens que vemos e a angústia de saber que a Europa volta a sofrer os horrores da guerra, muito mais forte as sentirão aqueles que têm na Ucrânia a sua terra e lá deixaram tantos familiares e amigos.

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A Comunidade Ortodoxa Ucraniana tem uma expressão muito forte na Batalha. Aqui residem e trabalham e aqui celebram a sua fé dezenas de fiéis dessa proveniência, sobretudo aos domingos de manhã, na igreja matriz, que lhes é disponibilizada pela paróquia católica para o seu culto. A eles se juntam muitos outros conterrâneos espalhados pela região.

Na passada quinta-feira, dia 24 de Fevereiro, viram o seu país, independente deste 1991, ser invadido pela Rússia; um cenário que já temiam, mas que esperavam não chegar a tornar-se real. O contacto com os familiares e amigos, quando conseguem fazê-lo, vai acalmando a ansiedade, mas traz também o relato de viva-voz do medo, do perigo de morte iminente, da escassez de alimentos e outros bens que começam a rarear nas despensas e nos mercados. Ao mesmo tempo, para muitas mulheres, crianças e idosos, a fuga apressada pelas fronteiras, deixando para trás pais, maridos e filhos, os homens obrigados pelo governo e pelo coração a ficar na defesa da sua pátria.

Nesta tarde de domingo, vieram ao largo do Mosteiro da Batalha manifestar a sua dor e o seu pedido de paz. Cantaram algumas canções da sua terra, deram vivas à Ucrânia e partilharam temores e esperanças que vivem em comum. A eles se juntaram algumas dezenas de batalhenses. Não eram muitos, mas os que estiveram mostraram a sua solidariedade de sentimentos e a disponibilidade para “ajudar no que for preciso”.

Campanha solidária em curso

As palavras são o primeiro apoio. Já no dia 25, a Assembleia Municipal da Batalha tinha aprovado por unanimidade uma moção de solidariedade para com este povo, vítima da guerra trazida para dentro das suas fronteiras pela vizinha Rússia (ou pela loucura assassina do seu presidente). Nesta pequena manifestação, a mesma voz foi amplificada pelos batalhenses presentes.

Mas há algo mais a fazer. Uma campanha está em curso para recolha de roupas, bens alimentares enlatados ou de longa validade, produtos de higiene e saúde, bem como quaisquer outros que seja previsível serem úteis a refugiados ou vítimas. Também aqui, a comunidade católica assume a parceria, disponibilizando o Centro Paroquial para centro de recolha e logística, além dos escuteiros e outros paroquianos que estão a voluntariar-se para a logística. Muitos deles estão espalhados por supermercados da região, a recolher os bens alimentares doados.

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Natacha Kravets, ucraniana radicada na região, é um dos rostos da operação. Com a voz embargada por um misto de emoções – a principal é a tristeza pela guerra no seu país –, comenta ao Jornal da Golpilheira que a solidariedade que tem sentido dos portugueses a “conforta e comove”. Logo neste primeiro domingo, ainda a campanha não tinha arrancado, já o espaço do átrio do salão paroquial transbordava. “O primeiro camião deverá ser carregado ainda esta noite”, dizia, sublinhando a disponibilidade de transportes cedidos pelas empresas locais, onde trabalham muitas pessoas desta comunidade imigrante. “A operação vai manter-se enquanto durar o conflito e sentirmos a necessidade dos nossos conterrâneos, pelo que iremos enviar todos os camiões que conseguirmos”, diz esta responsável.

Também o padre Yuvenalii Mulyarchuk (Juvenal, para os batalhenses) estava entre os manifestantes e, depois, juntou-se aos voluntários do embalamento. É o líder religioso desta comunidade ortodoxa, a residir numa casa cedida pela Ordem da Visitação, na Faniqueira. “Presido às celebrações dominicais, tenho dinamizado a oração diária online, pelas 20h00, com os compatriotas espalhados por Portugal, e procuro dedicar todo o tempo possível à oração pela paz”, confessa. Mas também despe o hábito para lançar mãos à obra no meio dos voluntários da campanha.

O espaço do salão paroquial irá estar aberto a recolhas em todos os dias da semana, das 18h30 às 20h30 e, aos sábados e domingos, das 09h00 às 12h00 e das 16h00 às 20h00. Natacha Kravets refere que “podem também vir os voluntários que queiram e possam ajudar a preparar os caixotes e também podem trazer caixotes, que são sempre necessários”.

Para mais esclarecimentos, disponibiliza o seu telemóvel (912 033 411), bem como o duas outras organizadoras (919 502 420 e 911 068 564).

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3 Comments

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