Ei-los que chegam!

Ei-los que chegam!

Os primeiros refugiados ucranianos começam a chegar a Portugal por estes dias. Ao centro paroquial da Batalha, que tem servido de ponto de recolha e envio de bens para a Ucrânia, chegaram hoje, também, alguns deles.

Fomos ao local, por volta das 22h30 desta quinta-feira, quando nos informaram que tinham acabado de chegar duas famílias. Conversámos um pouco, com ajuda da tradução dos seus conterrâneos cá residentes, que têm feito um verdadeiro acampamento solidário no local. Aprendemos a dizer “laskavo prosymo” (bem-vindos) e eles aprenderam a dizer “obrigado” (dyakuyu). Para já, é quanto basta para dizermos o essencial do que sentimos.

As duas famílias que chegaram à Batalha a 10 de Março

São um casal com dois filhos, uma menina e um menino, e dois irmãos, também com uma criança. Aceitam tirar uma fotografia para o Jornal da Golpilheira, como forma de mostrar gratidão por tudo o que sabem que estas comunidades portuguesas têm feito por eles. Estão felizes por ter chegado, mas ainda em choque pelo ambiente que viveram na última semana nas cidades de Tcherkássi e Vinnytsia, de onde partiram em fuga, ao som de bombas e rajadas de tanques. “Até o som dos pneus da carrinha a pisar a faixa de aviso da auto-estrada nos assustava”, contam sobre a viagem.

Têm cá familiares e amigos que os vão acolher, nos Andrinos e na Gândara. Ainda não sabem o que vão fazer, se vão querer voltar ou ficar… ainda é muito cedo para pensar nisso. “Queremos respirar, descansar e começar a viver um dia de cada vez”, dizem, enquanto sorriem de felicidade ao ver as crianças, pela primeira vez em vários dias, a correr e a brincar, perguntando aos adultos se querem “jogar às escondidas”.

Estes foram trazidos por um compatriota cá residente que os foi buscar. Para amanhã está prevista a chegada de mais algumas famílias, na carrinha do Jardim Mouzinho da Albuquerque, da paróquia da Batalha, que partiu no passado fim de semana. Desses, nem todos têm cá pessoas conhecidas, mas já está acolhimento oferecido por uma unidade hoteleira batalhense.

Entretanto, está a chegar à fronteira da Polónia com a Ucrânia a caravana humanitária que saiu de Portugal na terça-feira e que integrava algumas viaturas da Batalha, entre elas um camião carregado de bens doados e um autocarro. Mais umas dezenas virão, esperando-se na região cerca de 2.000 pessoas. O desafio dos próximos dias será acolhê-los, oferecer-lhes condições de habitação e de integração nas escolas e em locais de trabalho. Grande parte da recolha de bens e donativos está agora a ser canalizada para estas acções de acolhimento. Essa resposta será a melhor forma de lhes dizermos que estamos verdadeiramente solidários e que ainda há esperança num mundo de paz, de harmonia e de humanidade.

Alguns dos voluntários que seguem na caravana humanitária que vai trazer refugiados para Portugal
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