>EDITORIAL | Referendo . Isenção . Opinião

>EDITORIAL | Referendo . Isenção . Opinião

>1. Estamos a poucos dias de mais um referendo nacional, o terceiro da nossa democracia e o segundo sobre o mesmo tema: o aborto. Os portugueses são chamados a dizer se querem ou não permitir que qualquer mulher, por qualquer motivo, possa optar por abortar, durante as 10 primeiras semanas de gravidez, sem que seja condenada e garantindo-lhe o Estado as condições para que o faça no Serviço Nacional de Saúde.
Em primeiro lugar, independentemente da opinião que se tenha, todos devem exercer o seu direito/dever de votar, mesmo que branco ou nulo. A abstenção é uma demissão cívica e deve sempre ser evitada, seja qual for o assunto em causa.
Em segundo lugar, cada um deve procurar informar-se sobre a matéria a referendo e tomar a sua posição de consciência formada e tranquila, sem se deixar ir em modas, pressões ou tendências.
Por último, todos devem ser tolerantes para com aqueles que têm opinião diferente da sua e aceitar a decisão do resultado final. Isto, sem prejuízo do direito a exporem a sua posição, em debates, conversas ou campanhas. E sem prejuízo de, apesar da decisão da maioria, continuarem a defender as causas em que acreditam e a viverem segundo os valores que defendem, enquanto tal não significar uma violação da lei.

2. A isenção dos media tem sido um dos temas que anima a opinião pública. Afinal, que significa? Os jornais, rádios e televisões podem ou não tomar o partido de uma das posições?
A questão é complexa e terá de ser entendida em diversos prismas.
A deontologia e a legislação apontam para o rigor, isenção e pluralismo, quando se trata – exclusivamente – do seu papel de informar, de modo a que não haja beneficiação de uma das partes envolvidas em determinada reportagem ou tratamento jornalístico. Neste caso do referendo, por exemplo, seria contra estes princípios a informação de um debate entre dois concorrentes, em que se deturpasse o conteúdo da mesma, em ordem a favorecer um deles.
Já quanto à opinião veiculada, os órgãos de comunicação regem-se por um estatuto editorial e, em última instância, por um director que define os parâmetros da sua actuação. Isto é, para corresponder ao seu estatuto editorial ou ao estabelecido pelo director da publicação, o jornal poderá, em determinados casos, expressar a sua posição sobre um assunto em concreto, pela selecção dos textos de opinião e comentários.
Mais uma vez com o exemplo do referendo, é normal que os media de inspiração cristã transmitam uma linha editorial definida e claramente posicionada num dos campos. Assim sendo, embora com tolerância pela pluralidade de opiniões e sem prejuízo de um tratamento noticioso de rigor e isenção, assumem claramente uma selecção de textos que vão ao encontro do seu estatuto editorial.
Foi o que fez a Rádio Renascença e centenas de títulos, não só cristãos.

3. No caso do Jornal da Golpilheira, tanto na edição passada, como nesta, é isso que fazemos. Assumimo-nos como jornal de inspiração cristã e, como tal, veiculamos opiniões, textos do magistério da Igreja e outros, que defendem a resposta “não” neste referendo.
E não vamos publicar qualquer texto que argumente uma posição contrária aos nossos princípios editoriais. Mas respeitamos os leitores com opinião diferente e desejamos que todos se informem, debatam e tomem uma posição fundamentada.
Prova disso é o apoio inequívoco que damos à realização do debate que a Junta de Freguesia irá organizar, no próximo dia 4, domingo, às 17h30, no CRG. Mesmo que o director do jornal possa, como qualquer cidadão, assumir papel activo na defesa de uma das posições. Apoiamos a iniciativa, porque sabemos que é salutar promover o confronto de ideias e o esclarecimento. Porque da discussão pode nascer a luz.
E quando noticiarmos este debate, procuraremos fazê-lo com rigor, isenção e clareza.

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