>Fátima, sinal de esperança mundial

>Fátima, sinal de esperança mundial

>A maior enchente dos últimos anos
Mais de meio milhão de pessoas deslocaram-se a Fátima, no passado fim-de-semana de 12 e 13, para as celebrações da Peregrinação Internacional de Maio, que marcaram o 90º aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria. Uma enchente apenas comparável às que este Santuário registou aquando das visitas papais. Grande parte dos peregrinos veio a pé, das várias zonas do País, e muitos em veículos automóveis, sendo de registar, igualmente, os milhares de estrangeiros, de 33 países de todo o mundo, que quiseram marcar presença nesta peregrinação tão significativa. E foram tantos que não conseguiram entrar todos no recinto, espalhando-se nas alamedas e ruas das proximidades.
Para presidir a estas celebrações, o Santo Padre enviou como Legado Pontifício o Cardeal Ângelo Sodano, ex-secretário de Estado do Vaticano. Na conferência de imprensa do dia 12 de Maio, este Cardeal revelou que o Papa Bento XVI “tem o desejo de visitar Fátima”, mas não adiantou mais sobre a possível data ou realização de tal visita, afirmando que “não há ainda um programa concreto”.

Mensagem de esperança
Na sua homilia do dia 12 de Maio, o cardeal Ângelo Sodano reafirmou a alegria em estar neste Santuário, como havia feito na sua saudação inicial, e também a certeza da presença espiritual do Papa neste Santuário que é “uma espécie de íman poderoso” a atrair multidões de peregrinos todos os anos. Após recordar as visitas papais de anos anteriores e a sua própria presença neste local, remeteu para a liturgia do tempo pascal que “nos leva a olhar para o alto”, para a Jerusalém celeste, cuja porta é Maria: “Per Mariam ad Jesum” (por Maria a Jesus). Também para o dom da paz, “que devemos guardar zelosamente porque é uma realidade frágil, exposta a mil perigos”, devemos pedir a Maria que proteja esta “nossa pobre e desorientada humanidade”.
“Com esta visão de esperança, é possível olhar, serenos, para o futuro”, afirmou o Cardeal, convicto de que “a solução que temos ao nosso alcance é renovar o acto de entrega da humanidade inteira a Maria”, como fez João Paulo II “precisamente aqui no dia 13 de Maio de 1991”. “E Maria certamente se revelará a nós na plenitude da sua maternidade, se a soubermos invocar sempre com amor de filhos”, concluiu.

O amor duma Mãe
Já na celebração eucarística do dia 13, centro de toda a peregrinação, D. Sodano começou por referir que “noventa anos se passaram desde que Maria Santíssima pousou o seu olhar sobre este lindo ângulo de Portugal”, com uma mensagem para o mundo inteiro e “pedindo oração e penitência”. Partindo da citação do Cardeal Cerejeira – “Não foi a Igreja que impôs Fátima, mas Fátima que se impôs à Igreja” – referiu o caminho da Igreja na aceitação das aparições, a colocação de uma coroa de ouro na imagem da Virgem, a mando de Pio XII, e a primeira consagração do mundo feita por este Papa, a 13 de Outubro de 1942, a visita de Paulo VI, a 13 de Maio de 1967, bem como as diversas consagrações do mundo a Nossa Senhora e “a profunda devoção do saudoso Papa João Paulo II”, momento imediatamente aplaudido pela multidão de peregrinos.
Um novo aplauso brotou quando o Cardeal afirmou: “Hoje está presente aqui o Papa Bento XVI, que quis enviar-me para o representar nesta solene ocorrência. Ele encontra-se agora no Brasil, no grande Santuário de Nossa Senhora Aparecida, e une-se ao nosso canto das glórias de Maria. As nossas aclamações se elevam hoje, como um arco sobre as praias opostas do Atlântico que nos une aos nossos irmãos no Brasil, todos irmanados no mesmo desejo de nos entregarmos ao Coração Imaculado de Maria acolhendo-nos à sua materna intercessão”.
Ângelo Sodano centrou, depois, a sua homilia no tema do “amor duma mãe” e da sua “amorosa preferência pelos pequeninos, os pobres e os doentes”. Renovou, por isso, o pedido a Maria: “Que mostre uma vez mais toda a sua solicitude materna pelos homens e mulheres do nosso tempo, às vezes tentados a esquecerem Deus para se prostrarem diante do ‘vitelo de ouro’ das fatuidades da terra”. Afirmou que “os nossos dias deixam-nos a impressão de que muitos se afastam da casa do Pai” e considerou mesmo que a Europa está “tentada a esquecer aquela fé que fez a sua força no decorrer dos séculos”, numa “apostasia sub-reptícia, que não pode deixar-nos indiferentes”. “Ao Imaculado Coração de Maria, entregamos hoje os destinos dos homens e dos povos do nosso Continente, enquanto nos comprometemos a colocar novamente no coração da nossa sociedade aquele fermento do Evangelho que permeara a sua história ao longo dos séculos”, concluiu o Cardeal, apelando aos peregrinos: “Com a nossa oração, o nosso trabalho e o nosso testemunho cristão, havemos de corresponder ao apelo de Maria e assim favorecer a difusão do Evangelho de Cristo no mundo actual.

É bela a nossa Igreja
No final da celebração, D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, agradeceu a presença do Cardeal Ângelo Sodano e “a bela mensagem de esperança deixada”. Lançando o grito que lhe é peculiar – “Como é bela a nossa Igreja!”–, o prelado despediu-se dos milhares de peregrinos com a leitura da mensagem de agradecimento a enviar a Bento XVI após a celebração.
O manto branco dos lenços acenados à virgem foi o cenário de despedida desta grandiosa peregrinação, um quadro emocionante e, ao mesmo tempo, significativo da fé e do amor à Mãe celeste que une tantos milhares de fiéis de todo o mundo.
Luís Miguel Ferraz

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