>Fundação S. João de Deus: “Um projecto de todos”

>Fundação S. João de Deus: “Um projecto de todos”

>A Fundação S. João de Deus fez o seu lançamento oficial no passado dia 12 de Junho, em Lisboa. Criada no seio da Ordem Hospitaleira, esta nova instituição terá como missão, nas palavras do seu presidente, Paulo Bernardino, “informar, sensibilizar e recolher fundos para viabilizar os projectos da Ordem”.
Em funções desde Janeiro deste ano, a Fundação conseguiu, no espaço de cinco meses, “montar a casa”, aprovar e ver reconhecidos os seus estatutos e reunir todas as pessoas e instrumentos para assegurar a sua viabilidade. Mas a ideia não era recente. “Começámos a falar neste projecto já em 2003, quando era apenas um sonho”, recorda o Irmão José Paulo Pereira, provincial da Ordem Hospitaleira e mentor desta instituição. Surgiram nessa altura as primeiras indicações por parte do Governo Geral da Ordem, reunido em Roma, no sentido de recuperar a dimensão mendicante da Ordem, especialmente nos países com mais recursos. Estas orientações impuseram-se por duas razões: “por um lado, há países subdesenvolvidos que necessitam de muita ajuda; por outro lado, nos países mais ricos (nomeadamente na Europa), disponibiliza-se cada vez menos dinheiro para a saúde, para a acção social e para as instituições de solidariedade social”, justifica o Irmão José Paulo.
A dimensão mendicante que a Ordem Hospitaleira pretende agora recuperar através da criação da Fundação encontrava-se adormecida. “Trata-se agora de recuperar uma dimensão que faz parte da nossa identidade, assemelhando-nos ao que fazia o próprio S. João de Deus”, fundador da Ordem. O Hospital S. João de Deus de Montemor-o-Novo, inaugurado em 1950, foi totalmente construído com donativos recolhidos pelos chamados Irmãos “esmoleiros”, que andavam de porta em porta a pedir.
Passados mais de 400 anos, a Ordem tem a seu cargo oito centros assistenciais em todo o País, cujos domínios de intervenção vão desde a psiquiatria e saúde mental, ao tratamento de toxicodependentes e alcoólicos, passando pela ortopedia e medicina física, geriatria, cuidados continuados e acolhimento de pessoas sem abrigo. Para os Irmãos Hospitaleiros, não foi fácil aceitarem nesta fase a criação de uma fundação, pois “pedir é sempre difícil, e a própria Ordem já não estava habituada a pedir, apesar de a dimensão mendicante estar nas suas origens”, justifica o provincial.
O principal objectivo da criação da Fundação S. João de Deus é permitir “dar novas respostas a novas necessidades”, afirma o Irmão José Paulo. E projectos para concretizar não faltam. “Queremos avançar em áreas que estão mais esquecidas, como a psicogeriatria ou a doença de Alzheimer, e apostar em programas de reabilitação dos doentes”. Outros dois projectos que pretendem concretizar são dotar todos os centros assistenciais do Instituto S. João de Deus de possibilidades económicas para financiar o internamento de um determinado número de pessoas que não tenham recursos para o pagar e criar um centro de acolhimento ou um albergue nocturno para os sem abrigo, totalmente apoiado em donativos e no trabalho de voluntariado.
Em curso está já a primeira campanha de recolha de fundos dinamizada pela Fundação. Intitulada “Inocentes de Guerra”, esta campanha lançada em Maio visa financiar o tratamento de um grupo de crianças e jovens angolanos amputados, vítimas do rebentamento de minas e da poliomielite. “Queremos dar a essas crianças a alegria de uma vida nova”, avança Paulo Bernardino.
Informações em www.fundacao-sjd.pt.

Partilhar/enviar/imprimir esta notícia:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.