>EDITORIAL | Uma região em pé de guerra

>EDITORIAL | Uma região em pé de guerra

>Não se adivinha um 2008 nada pacífico para a nossa região. Aliás, bem podemos dizer que este tem sido um Ano Novo “em pé de guerra”. De facto, várias são as matérias que têm causado mal-estar e contestação por parte das autarquias e instituições regionais, em relação a decisões “vindas de cima”, de instâncias nacionais, em que o Governo tem a “parte de leão”. Vejamos alguns exemplos.
• A REN tem ampliado a subestação eléctrica do Celeiro para cima das casas de habitação, sem qualquer consideração pela população ou pelas reivindicações do Município. Agora, prepara a instalação de mais uma Linha de Muito Alta Tensão, que foi a gota de água a fazer transbordar a paciência do povo. Olhando com sobranceria todo-poderosa do alto dos seus postes, vai debitando ruídos insuportáveis e ondas magnéticas que ninguém sabe se fazem mal, mas que todos já viram que não fazem bem nenhum. A guerra instalou-se e ameaça chegar a vias de tribunal e de levantamento popular.
• O Governo avançou com uma remodelação das Regiões de Turismo, anunciando o desejo de as diminuir de 19 para 5 e acabando por desenhar um mapa de 5 mais 5 e mais 2, o que é igual a 12, metade das quais feitas por encomenda não se sabe de que alfaiate. O certo é que a Região Leiria/Fátima, uma das mais consolidadas e de maior peso em vários parâmetros turísticos a nível nacional, foi recortada em três: Leiria e Batalha ficam reduzidas a uma pontinha do condado conimbricense; Nazaré e Alcobaça foram anexadas ao Oeste; e Fátima, a jóia da coroa, é roubada para o espólio de Lisboa, que estende os seus tentáculos ao limite. A guerra instalou-se e ameaça vir a tornar-se de independência, com os municípios da região a ponderarem criar um produto turístico próprio, ignorando as artificiais divisões do poder central.
• Depois do “jamais” em francês para Alcochete e das certezas todas apontadas à Ota, o facto é que aeroporto virou a Sul, afastando-se para o “deserto” que Mário Lino afirma existir para lá do Tejo. Os interesses da região ficam, assim, defraudados, com o lóbi leiriense a revelar-se fraco para combater nesta guerra. Também aqui, resta esperar que os ambientalistas obriguem à marcha-atrás, ou então, queremos também um aeroporto só para nós… ou dois… em Fátima e/ou Monte Real.
• O célebre comboio de alta velocidade ainda não arrancou, mas já fez levantar os ventos da discórdia, com o anúncio da opção previsível da RAVE pelo traçado que menos interessa à região. A guerra do TGV promete aquecer nos próximos meses.
• E por falar em traçados… anunciam-se obras de IC9, IC36 e variante ao IC2, todos eles com reservas dos autarcas confinantes quanto às escolhas de caminhos, nós e outros alcatroamentos a propósito. E todos eles com cara de guerra já perdida.
Não vale a pena falar de mais, que só estas já são guerras que cheguem. À boa maneira portuguesa, resta esperar que, no final, tudo acabe em bem. Até porque, geralmente, essa é uma esperança que não passa disso. Talvez não fosse mau, também, aqueles que nos governam começarem a sair de Lisboa e virem à província ver o campo das suas maquinações. Quem sabe se, para variar, começavam a ter algumas ideias que se aproveitassem…
A todos, bom ano!

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