>D. António Marto já iniciou Visita Pastoral

>D. António Marto já iniciou Visita Pastoral

>Bispo vem ao nosso encontro
Conforme destacámos na nossa última edição, o Bispo diocesano, D. António Marto, chega esta semana à paróquia da Batalha, no contexto da visita pastoral que acaba de iniciar por todas as comunidades da Diocese e que se prolongará até 2012. Pretende ser uma ocasião para contactar mais de perto com a realidade eclesial e social das paróquias, para as “encorajar a um renovado encontro com Cristo, valorizar o sentido de co-responsabilidade do Povo de Deus, revitalizar os organismos de participação, promover a comunhão eclesial, fortalecer a experiência da fraternidade cristã e avivar em todos os fiéis cristãos a consciência da missão, para que o dom da fé irradie na sociedade actual”.
Espera-se uma forte adesão dos fiéis às iniciativas programadas, umas para grupos específicos, outras para todos os que queiram participar. Só assim será possível cada comunidade interiorizar as indicações que o Bispo lhe comunicar e promover, a partir delas, uma renovação consistente da sua vivência cristã e comunitária.
Uma vez que já abordámos pormenorizadamente este assunto, deixamos apenas o programa da visita, com o voto de que cada um dos leitores possa aproveitar ao máximo a oportunidade pastoral que é esta visita episcopal:
Recordamos ainda que o encerramento da passagem do Bispo pela vigaria da Batalha será a celebração do Domingo de Ramos, dia 16 de Março, pelas 15h00, no pavilhão da associação de Alcaidaria, paróquia do Reguengo do Fetal.

Programa
Dia 27 – Quarta-feira
15h00 – Chegada e breve visita pela paróquia
17h00 – Entrevista na Rádio Batalha
18h30 – Encontro com os Crismandos
21h00 – Encontro com todos os agentes pastorais
Dia 28 – Quinta-feira
15h00 – Visita às Casas Religiosas
17h30 – Encontro com os professores
20h30 – Celebração eucarística na Golpilheira
Dia 29 – Sexta-feira
15h00 – Encontro com os doentes e idosos
16h30 – Visita ao Hospital das Brancas
17h30 – Encontro com autarcas, empresários
e dirigentes associativos
21h00 – Vigília Vicarial Vocacional (especial. a jovens)
Dia 1 – Sábado
11h00 – Encontro com catequizandos do 7º ao 10º ano
15h00 – Encontro com catequizandos do 1º ao 6º ano
16h30 – Encontro com jovens
18h00 – Encontro com as famílias
Dia 2 – Domingo
11h00 – Missa e celebração do Crisma. Encerramento.


Última foi há 30 anos… D. Alberto Cosme do Amaral visitou a Diocese entre 1976 e 1981
A última visita pastoral de um Bispo de Leiria-Fátima a todas as comunidades da diocese foi efectuada por D. Alberto Cosme do Amaral, entre 1976 e 1981. Durante estes cinco anos, o prelado promoveu encontros com crianças, jovens e adultos, visitou doentes, rezou e celebrou com as comunidades, informou-se sobre a realidade eclesial e social de todas as paróquias e deixou indicações para caminharem na ortodoxia da fé e na coerência de vida cristã.
No comunicado que apresentou no encerramento desta visita, em Abril de 1981, no Santuário de Fátima, D. Alberto afirmava que “há muitos espaços pastorais que os nossos sacerdotes não podem cobrir porque são poucos, e débeis as suas capacidades de resposta, perante as necessidades cada vez mais prementes”, identificando a pastoral vocacional como a “absoluta prioridade” e pedindo aos padres “que se dediquem ao ministério sacerdotal vinte e quatro horas por dia e deixem aos leigos tarefas que eles podem realizar, para que os sacerdotes tenham tempo, saúde e disponibilidade para fazerem o que só eles podem fazer: ministério da Palavra e ministério dos Sacramentos”. Para tal, pedia também aos leigos “uma maior participação na missão salvadora da Igreja”.
O documento contém, depois, uma análise de cada um dos sectores da pastoral e indicações sobre o que fazer para os dinamizar. Na pastoral catequética, afirma que “muitos de nós ainda não ultrapassámos uma ideia de catequese quase infantil, para passarmos a pensar seriamente numa catequese que atinja todas as pessoas, a todos os níveis etários e em todos os espaços”, e que “há que arrancar, desde já, para a organização de uma catequese sistemática para adultos”. Na pastoral da juventude, alegra-se porque “se abriram já caminhos até agora não andados” e por ter encontrado uma “juventude generosa”, mas lamenta que “a maioria dos jovens estamos a perdê-la: uma primavera sem flores!”. D. Alberto vai referindo que “não podemos perder mais tempo neste campo imenso que é a pastoral familiar”, que “é pobre, muito pobre, a pastoral dos doentes e idosos”, que “na pastoral sacramental há muito que fazer, pois a maior parte dos nossos cristãos não cumpre, sequer, o preceito dominical”, e que “a pastoral não pode ignorar que a genuína comunidade cristã tem de ser uma comunidade de amor (…), um campo imenso que entregamos aos cuidados da Cáritas Diocesana”.
Sem ser um quadro muito animador, em que “a seara se abre diante de nós a gritar as suas carências”, o prelado aponta, no entanto, para a esperança e apela ao trabalho de todos em prol de um programa pastoral comum, que resume em seis prioridades: “a pastoral específica das vocações de consagração; a pastoral familiar; a pastoral de evangelização na infância, adolescência, juventude e idade adulta; a pastoral dos sacramentos; a pastoral da caridade; e a formação apostólica dos leigos”.
A terminar, D. Alberto afirmava que “bem desejaria que a Visita Pastoral não se encerrasse agora, mas fosse antes uma porta escancarada sobre a seara que espera por todos nós”, e apelava: “Vamos todos, mesmo todos, lançar-nos com fé e audácia na ingente tarefa de levar a toda a Diocese a salvação de Jesus Cristo”.
LMF

Visita Pastoral à Paróquia da Batalha – 1978
Sobre a última visita pastoral de D. Alberto, que referimos na página anterior, descobrimos no arquivo do paço episcopal um documento que relata com algum pormenor como decorreu na Batalha, assinado pelo pároco de então, padre Alexandre.
Passamos a transcrever:

Preparação (10 a 16 de Dezembro)
A Visita Pastoral à Paróquia da Batalha teve como preparação próxima uma semana de pregações e conferências especializadas para todos os sectores da família paroquial, confiadas a dois sacerdotes religiosos – o capuchinho frei Pedro de Macieira e frei Jordão Oliveira, O.P.
Foi notável a afluência, não só às pregações, como também à recepção dos sacramentos da Penitência e Comunhão. Todos os sacerdotes da vigararia, juntamente com outros, prestaram valioso auxílio no serviço de confissões que se programou para a igreja e para as várias capelas da freguesia.
Um dia foi destinado a sufrágios pelos defuntos; outro dedicado às crianças, com pregação adequada, confissões, Missa e comunhão nos dois centros principais de catequese – Batalha e Golpilheira.
Celebrou-se o Dia da Família com reuniões especializadas para pais, jovens e adolescentes. Os doentes foram visitados, preparados e assistidos espiritualmente em suas casas, no decorrer da semana, por dois sacerdotes. No sábado encerrou-se a “semana apostólica” com Terço Solene de Reparação, procissão de velas com a imagem de Nossa Senhora e a habitual Missa vespertina.
Em todos os actos religiosos foi excepcional a afluência de fiéis.

Visita Pastoral (de 17 a 24 de Dezembro)
O Sr. D. Alberto Cosme do Amaral deu entrada no majestoso templo de Santa Maria da Vitória da Batalha, às 15h00, enquanto o grupo coral da Batalha entoava cânticos apropriados. O clero da vigararia com o secretário do prelado, tomaram parte no cortejo e, depois de breve oração na capela do Santíssimo, dirigiram-se à sacristia onde o Sr. Bispo e o pároco se prepararam para a concelebração. O cortejo litúrgico, formado pelo Sr. Bispo, pároco e sacerdotes presentes, encaminhou-se para o altar-mor onde foi celebrada a Santa Missa.
Ao Evangelho, o celebrante dirigiu a palavra à numerosa assembleia, focando a grande graça da Visita Pastoral e a necessidade de correspondermos mais e melhor aos dons que Deus nos concede para a nossa renovação espiritual. Numerosos fiéis receberam a sagrada Comunhão, distribuída pelo celebrante, pároco e mais dois sacerdotes. Terminada a Missa, o Sr. Bispo enumerou as 5 condições exigidas para se poder lucrar a indulgência plenária da Visita Pastoral. Em seguida, depois de depor os paramentos, procedeu à bênção de uma nova ambulância dos Bombeiros Voluntários da Batalha, estacionada no largo em frente do Mosteiro. Depois de breve visita ao quartel e merenda oferecida pela corporação, retirou-se para Leiria.
Na segunda-feira, dia 18, o Sr. Bispo chegou à Faniqueira, onde visitou o Convento da Visitação, às 15h30 horas. Depois de breve colóquio com a comunidade, começou a visitar os doentes da Faniqueira, Jardoeira e S. Antão. Dirigindo a todos palavras de conforto e resignação, ofereceu-lhes um terço como lembrança, pedindo que o rezassem pelos sacerdotes, pecadores e intenções do Sr. Bispo. Às 19h30, depois da Missa na capela de S. Antão, seguiu-se diálogo com 45 jovens daquela zona.
Na terça-feira, às 15h00, o Sr. Bispo visitou o Jardim Infantil que tem como directora a senhora D. Maria Hersília Sales Zúquete, onde falou com as crianças e pessoal de assistência. Em seguida, realizou-se um encontro com professores do Ciclo Preparatório e Ensino Primário, no ginásio da Escola Mousinho de Albuquerque, onde o Sr. Bispo proporcionou um diálogo bastante aberto e deu orientações muito úteis aos responsáveis pelo ensino que estavam presentes. Terminada esta reunião, começou a visita aos doentes da vila e lugares da periferia. À noite, celebrou Missa na Igreja Matriz, finda a qual começou a reunião e diálogo com os casais de toda a paróquia, que terminou bastante tarde.
Na quarta-feira, o Sr. Bispo chegou ao Hospital das Brancas às l5h30, onde foi cumprimentado pelo enfermeiro chefe e outros que ali trabalham, com os quais teve uma reunião seguida de diálogo. Os médicos não estavam por trabalhos inadiáveis. Depois, fez a visita a vários doentes nos próprios domicílios, como nos dias anteriores, oferecendo a todos um terço e dirigindo-lhes palavras paternais. À noite, foi celebrada Missa na capela das Brancas. Na alocução, o Sr. Bispo comunicou que concedia a licença para a permanência do Santíssimo Sacramento nesta capela, com a obrigação de a requererem à Santa Sé. No final, diálogo com o povo, em que foram abordados problemas de carácter espiritual e litúrgico.
Na quinta-feira, o Sr. Bispo chegou às 15h30 à capela da Rebolaria, onde era aguardado pelas crianças da catequese e o povo. Depois de breve oração, dirigiu palavras de pastor às crianças e fiéis. Em seguida, foi a visita aos doentes da Rebolaria, Casal do Alho e Forneiros. Às 17h00 foi a visita à fábrica de mármores “Marlena”, onde foi recebido pelo proprietário, que o acompanhou na visita à mesma. Terminada esta, houve um encontro e diálogo com o pessoal disponível, que deixou gratas recordações a todos. No final, o Sr. Ribeiro agradeceu tão honrosa visita e ofereceu uma recordação da fábrica. A Missa, nesta noite, foi na capela de Casais dos Ledos, ainda em construção. Em seguida à Missa, reunião e diálogo com o povo, onde foram focados assuntos religiosos e litúrgicos.
Na sexta-feira, o dia foi para a vasta zona da Golpilheira, onde o Sr. Bispo chegou às 15h30, começando logo a visita aos numerosos doentes dos vários lugares desta área. Para todos, sempre palavras de conforto e um terço como lembrança, com a recomendação de o rezarem pelos pecadores, sacerdotes e vocações e ainda “pelo vosso Bispo”. À noite, Missa na vasta capela, que estava repleta, seguindo-se diálogo com o povo sobre temas religiosos, morais e litúrgicos. Antes de ir para a Golpilheira, houve um encontro do Sr. Bispo com o pessoal da Câmara Municipal e com o seu presidente.
No sábado, às 15h30, na Igreja Matriz, reunião do Sr. Bispo com adolescentes e as várias classes da catequese. Mais tarde, foi com os jovens. Apesar do tempo chuvoso, ainda estiveram presentes cerca de 70. Às 20h00, o Sr. Bispo celebrou Missa vespertina na igreja do Mosteiro, com homilia, e, no final, foi o encontro com todos os movimentos de apostolado paroquial, na sacristia. Ali se reuniram elementos da Acção Católica, Apostolado da Oração, confrarias, vicentinos(as), catequistas, equipas de liturgia, Conselho Paroquial e comissões.
No domingo, dia 24, foi o encerramento da Visita Pastoral de toda a Vigararia da Batalha. Como remate das visitas pastorais a esta vigararia, a Batalha foi escolhida para o encerramento final. Às 15h00 chegou o Sr. Bispo ao Mosteiro da Batalha, acompanhado pelo P. Henrique Fernandes. Em seguida, começou a concelebração, presidida pelo prelado da Diocese, com representações de todas as paróquias da vigararia e respectivos estandartes, acompanhadas dos seus párocos. À homilia, o venerando Pastor descreveu o vasto panorama religioso das paróquias visitadas, apontando a parte positiva e negativa das mesmas, com as suas deficiências e necessidades espirituais, apresentando como remédio imediato um vasto plano de actividades nas catequeses, nas famílias e nas actividades apostólicas apresentadas e programadas pela Igreja. A comunhão foi distribuída por 5 sacerdotes a várias centenas de fiéis. Depois da Missa, o Sr. Bispo leu a consagração das paróquias ao Imaculado Coração de Maria e deu a bênção final. Terminadas as cerimónias religiosas, realizou-se um convívio inter-paroquial com o Sr. Bispo, no fim do qual, depois das despedidas, regressou a Leiria.

Notas e observações
Durante as duas semanas, foi distribuída a sagrada comunhão a mais de 3.800 comungantes.
Os resultados espirituais da Visita foram notáveis, sobretudo para os doentes e classes mais humildes; um número de almas afastadas regressaram à casa do Pai.
Atendendo à vastidão desta paróquia da Batalha e às numerosas actividades que nela estão estruturadas, foi muito pouco uma semana para a Visita Pastoral.
Está programada uma Missão durante 15 dias, pelo menos, para uma consciencialização de muitos que andam com a fé bastante abalada. A Visita Pastoral não os acordou a todos, embora a alguns tenha feito muito bem.
P. Manuel Duarte Alexandre

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