>Imagem Peregrina esteve na Golpilheira

>Imagem Peregrina esteve na Golpilheira

>Paróquia da Batalha acolheu a mensagem de Fátima

Sob um olhar poético, a chegada da “imagem peregrina” de Nossa Senhora de Fátima à paróquia da Batalha foi celebrada pela natureza com a bênção do céu, em forma de chuva. Sob uma perspectiva mais pragmática, foi pena a chuvada que caiu na tarde do domingo 11 de Fevereiro ter inviabilizado uma participação mais numerosa de fiéis no cortejo de bicicleta que estava preparado para acompanhar o andor, desde o Celeiro, no início do território paroquial, até ao centro da vila. De qualquer modo, cerca de três dezenas de ciclistas fizeram o percurso, seguidos por muitos mais automobilistas, a acompanhar a imagem mariana instalada num veículo histórico dos bombeiros voluntários locais.
Na cerimónia de acolhimento e saudação a Nossa Senhora, já na praça do Município, foram várias as centenas de pessoas que resistiram à chuva, ao vento e ao frio, para uma manifestação de fé e devoção à Mãe do Céu, que esteve de visita aos vários centros de culto da paróquia durante toda a semana, até ao dia 24. Em uníssono, o canto do Ave de Fátima deu lugar à manifestação do amor filial de crianças, jovens e adultos, de famílias e consagrados, em palavras de louvor e acção de graças, pedidos de ajuda e protecção, votos de vida renovada, à luz da mensagem de oração e penitência que Maria deixou aos três pequenos pastores da Cova da Iria. Uma oração que se enviou ao Céu, nos símbolos de pombas e balões brancos, largados pelas crianças da catequese.
Já com o clima serenado, fez-se a procissão a pé para o Mosteiro de Santa Maria da Vitória. Ali se realizou a primeira das várias celebrações programadas para esta jornada, em que a Mensagem de Fátima será o centro e o principal objectivo da iniciativa.
As três aparições do Anjo de Portugal, que vieram preparar os pastorinhos para a visita de Maria, foram recordadas em forma de encenação, culminando com a adoração eucarística, tal como o mensageiro celeste ensinou aos pequenos videntes.
Numa breve alocução introdutória, o padre Manuel Antunes, que há 16 anos acompanha as viagens da “imagem peregrina” pelo mundo inteiro, chamou a atenção para isso mesmo, para a centralidade da mensagem de Fátima no mistério de Deus, revelado em Jesus Cristo e no seu Evangelho. Lamentando que “no país escolhido por Maria para vir recordar essa mensagem de salvação, pela oração, penitência e conversão de vida aos ensinamentos de Cristo, apenas dez por cento dos portugueses conheçam o seu conteúdo”, o sacerdote lembrou que “Nossa Senhora não vem para dar nas vistas, para manifestações pomposas, mas vem como mãe que quer falar a cada um pessoalmente”. Quanto às aparições do Anjo, o padre Antunes resumiu-as em três aspectos fundamentais: na primeira, a afirmação da existência de Deus como centro de toda a vida, “que devemos crer, adorar, esperar e amar”; na segunda, o reconhecimento da cruz como dom para a purificação do homem, para o sentido do dever e da responsabilidade; e na terceira, a presença real de Cristo no pão e no vinho consagrados, como alimento para a nossa fé e para a vida coerente em Deus. Em resumo, uma mensagem que aponta para Cristo como único salvador do homem, à imagem do que foi toda a vida de Maria: dizer sim confiante ao projecto de Deus e oferecer-nos no seu Filho o verdadeiro caminho para a santidade: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.

Visita à Golpilheira
Durante a semana, celebrou-se cada uma das seis aparições de Nossa Senhora em Fátima, noutros tantos centros de culto paroquias que a imagem visitou: Casais dos Ledos, Quinta do Sobrado, Brancas, Golpilheira, Faniqueira e Rebolaria. Em cada um deles esteve durante um dia, chegando pelo final da tarde, acolhida em procissão pelas ruas iluminadas e cobertas de flores. E em cada um deles brotaram as orações do Rosário, celebrou-se a Eucaristia e o sacramento da Reconciliação, e – quem sabe – quantas horas de conversas particulares entre a “Senhora mais branca que o sol” e tantos dos seus filhos que aproveitaram a presença da imagem para renovar os seus compromissos cristãos, formular votos de emenda de vida e aprofundar a sua fé em Deus.
Na nossa freguesia, a “imagem peregrina” chegou pelas 19h30 de quinta-feira, dia 21, à igreja de S. Bento, onde foi acolhida por cerca de três centenas de pessoas. Ali foi feita a oração de acolhimento, pedindo a bênção de Maria para a nossa população, desde as crianças e jovens até às famílias e idosos. Depois, seguiu em procissão para a igreja da Golpilheira, pelas ruas ladeadas de velas, fogo de artifício e bonitos arranjos florais, aclamada pelas vozes de canto e oração do povo devoto.
Já na igreja, completamente cheia de fiéis, como há muito não se via, começou-se por uma apresentação encenada da Aparição de Agosto, com a ajuda de algumas crianças da catequese. O padre Manuel Antunes recordou o contexto em que decorreu esta quarta aparição, a única que não se registou no dia 13, pois os Pastorinhos tinham sido presos pelo Administrador de Ourém para provocar a dispersão dos milhares de devotos que já então se juntavam na Cova da Iria. “A fidelidade e heroicidade daquelas três crianças, que recusaram revelar o segredo dito por Nossa Senhora e prometer não voltar ao local das aparições, mesmo perante o suborno do dinheiro, a experiência da prisão e até a ameaça da morte, é um dos melhores argumentos para a veracidade dos factos por elas relatados e deve ser para nós um exemplo a seguir no assumir com coragem e sem medos a nossa condição de cristãos”, afirmou.
Na celebração da Missa que se seguiu, o padre Antunes lembrou a importância de acolhermos a Palavra de Deus na vida, tal como fez Maria, e de honrarmos o “Jesus escondido” que Se faz presente ao longo da história nos sacrários das nossas igrejas e no sacrário do corpo, quando comungamos. “Ao decidir ficar connosco na hóstia consagrada, apesar de saber que iria ser desprezado e humilhado tantas vezes, Deus revela a loucura de amor que tem por cada um de nós”, afirmou, apelando para uma “formação mais profunda para o valor da Eucaristia, tanto na catequese como nas famílias”. Essa é a principal mensagem que Nossa Senhora nos deixou: levar a vida de acordo com o Evangelho de Jesus Cristo e viver em comunhão com Ele e com os irmãos. É esse, no fundo, o grande segredo de Fátima, a verdadeira via para se conseguir a paz no mundo e no coração de cada homem e mulher.
Durante essa noite, muitas pessoas por ali passaram em oração. Na manhã seguinte, a Missa voltou a juntar a comunidade aos pés da Imagem Peregrina, por duas vezes, uma delas no funeral de Júlia Lopes, que durante a vida tantas horas passou em oração nesta igreja diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, de quem era especialmente devota. Curiosamente, estando já impossibilitada pela idade e pela doença, parece que a Mãe do Céu a convidou a estar presente nesta ocasião tão especial…
Pela tarde, continuou a romaria, com destaque para a visita efectuada pelos meninos da escola do 1º ciclo, de forma ordeira e respeitosa. E muitos também se abeiraram do sacramento do perdão de Deus. Até que, pelas 18h00, se fez a celebração de despedida e compromisso final.
À saída da igreja, centenas de balões brancos foram largados pelas crianças e adultos presentes, com especial empenho do grupo dos meninos e meninas mais pequeninos das ATL da nossa terra.
Numa breve procissão até ao Centro Recreativo, cantaram-se as últimas homenagens e orações, sendo a imagem colocada no carro dos Bombeiros Voluntários, para seguir para a Faniqueira, onde muitos golpilheirenses ainda a foram acompanhar.

A despedida
Depois de tantas manifestações de fé por toda a paróquia, a Imagem Peregrina fez a última procissão no dia 24, da Rebolaria para o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, onde se celebrou a Missa dominical em sua honra. Foi o último acto público desta visita.
Mais uma vez, o padre Manuel Antunes lembrou que “a Mensagem de Fátima é a Bíblia, a Palavra de Deus que nos é dita pelo coração da Mãe, em linguagem maternal”. E voltou a salientar que a visita da Imagem Peregrina não deverá ficar por aqui, “pois ela não veio só para passar pelas ruas enfeitadas, mas sobretudo para passar pela vida e pelo coração de todos”. Por isso, na relação filial com a Virgem, “não devemos esperar que a imagem volte para decidirmos arrumar a nossa vida; nesta sociedade que quer abolir Deus, que ataca a moral, que arreda das consciências a noção de pecado, reconheçamos que somos pecadores e que só a graça e a misericórdia do Senhor nós poderão dar a paz interior e a paz com os outros; não esperemos mais, mudemos hoje!”, apelou o sacerdote.
A terminar, o pároco José Gonçalves agradeceu emocionado a todos os fiéis que contribuíram para a beleza desta semana de oração mariana. Depois, fez a consagração da Paróquia ao Imaculado Coração de Maria, pedindo a sua protecção para todos e fazendo em nome dos paroquianos o compromisso de uma vida cristã mais coerente e empenhada.
Luís M. Ferraz

Partilhar/enviar/imprimir esta notícia:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.