>”Pais Atentos, Melhores Comportamentos”

>”Pais Atentos, Melhores Comportamentos”

>Prevenir o risco é possível

O Município e o Agrupamento de Escolas da Batalha têm vindo a realizar um conjunto de sessões sobre prevenção de comportamentos de risco e promoção de hábitos saudáveis de vida, dirigidas em especial aos pais e educadores.
Este projecto, denominado “Pais Atentos, Melhores Comportamentos”, insere-se no Plano de Acção da Rede Social da Batalha e foi criado com o objectivo de levar às freguesias do concelho da Batalha a discussão em torno de problemáticas associadas à infância e à juventude, com vista à detecção precoce de comportamentos de risco nestas faixas etárias e à sua prevenção desde a primeira infância.
A ideia surgiu aquando da elaboração do Diagnóstico Social da Batalha, no qual os parceiros da Rede Social puderam identificar as problemáticas existentes, com vista a uma intervenção local concertada e concreta. Uma das prioridades definida incidiu sobre a temática da promoção da família e de hábitos de vida saudáveis, centrada ao nível da estratégia de intervenção na diminuição das situações de risco entre as crianças e jovens, bem como no reforço das competências parentais e pessoais.
A terceira das sessões temáticas, intitulada “Comportamentos de Risco… Prevenir é Possível”, decorreu no passado dia 8 de Maio, no Centro Recreativo da Golpilheira, e contou com a participação de Ana Filipa Soledade, técnica do Instituto da Droga e Toxicodependência – Centro de Respostas Integradas de Leiria. Na comunicação efectuada, esta responsável colocou a tónica sobre a importância de um papel activo dos pais e educadores na prevenção de alguns comportamentos de risco, designadamente na área da toxicodependência. Para Ana Filipa Soledade, “atenção, vigilância, diálogo e responsabilidade, são alguns dos pilares fundamentais para um acompanhamento eficaz dos jovens”.
Endereçamos desde já o convite aos leitores do Jornal da Golpilheira para participarem na última sessão deste projecto, agendada para o dia 28 de Maio, quarta-feira, pelas 21h00, no Centro Paroquial de Assistência do Reguengo do Fetal, onde será discutida a temática “A Sexualidade e os nossos filhos”, com a presença do médico Vítor Sousa. A entrada é livre e aberta a toda a comunidade.

A toxicodependência e os comportamentos de risco
Não se pode dizer que há uma única razão que leve ao consumo de drogas, mas sim vários factores que influenciam o seu consumo ou o não consumo. Estes factores podem ser individuais, sociais, familiares, ambientais e inerentes a cada substância e, geralmente, as razões que levam um jovem a experimentar uma droga são diferentes das razões que o levam a ficar dependente.
Numa fase inicial, existe a curiosidade, a vontade de pertencer a um determinado grupo, o desejo de diversão, o medo da exclusão, a ilusão, entre outros, que levam o jovem a ter os primeiros contactos com as drogas. Contudo, a sensação de prazer imediato conduz muitas vezes ao consumo reiterado de drogas e cria nos jovens situações de dependência. Nesta fase, o consumo destas substâncias está já alicerçado num conjunto de sensações egocêntricas, em que o jovem sente que tudo gira em seu redor e que o seu bem-estar depende unicamente das drogas.
Não podemos esquecer que a sociedade actual potencia o consumo de novas drogas e cada vez mais cedo. As drogas sintéticas são cada vez mais variadas e o seu consumo está, geralmente, relacionado com o consumo recreativo, aliado à diversão e ao lazer. Este fenómeno é preocupante, quer pelos efeitos que estas drogas causam na saúde, quer pela vulgarização de hábitos de consumo em contextos de diversão juvenis. Para além das drogas ilícitas – em que se incluem as sintéticas, a cocaína, a heroína, a canábis, entre outras – o consumo de drogas legais, como o álcool e o tabaco, têm vindo a aumentar e, também neste campo, os jovens iniciam o seu consumo cada vez mais cedo.
Nestes contextos de primeiro contacto com drogas e de experimentação, consideramos que a família tem um papel preponderante na identificação do problema e na sua resolução. O que acontece é que, actualmente e de forma genérica, a família desresponsabiliza-se de algumas das suas funções primordiais, como sejam o acompanhamento efectivo das crianças e jovens, deixando-os à deriva, sem suporte familiar que os informe dos reais perigos dos seus comportamentos.
Com efeito, a vida profissional e pessoal sobrecarrega cada vez mais os encarregados de educação e não deixa tempo para o diálogo, ganhando a televisão, o computador e a internet um papel de “substituto”, ainda que artificial, da comunicação no seio da família. As ideias partilhadas em ambiente familiar e o diálogo constituem fortes factores de protecção dos jovens em relação aos comportamentos de risco.
Em suma, e de acordo com a apresentação efectuada por Ana Soledade, a família é responsável pela sinalização precoce de comportamentos de risco, pelo que deve estar preparada para conhecer os seus sinais, tais como mudanças de ritmo, alterações bruscas de humor, mentiras, grandes segredos e gastos inexplicáveis de dinheiro.
A terminar, a melhor prevenção dos pais e responsáveis das crianças e jovens face a comportamentos de risco é estarem atentos às suas alterações de conduta e manterem uma relação suficientemente próxima e efectiva com eles. Um papel exigente, mas altamente compensador.
Liliana Ribeiro

Partilhar/enviar/imprimir esta notícia:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.