>Nova Fiaba aprovada

>Nova Fiaba aprovada

>Gastronomia, artesanato e boa animação

“Só quem costuma vir cá todos os anos trabalhar é que sabe dar o valor”, afirmava um voluntário da tasquinha da Golpilheira. Não é tarde nem é cedo… o Jornal da Golpilheira foi experimentar a emoção bem por dentro, arregaçou as mangas e esteve a ajudar no serviço às mesas.
A experiência foi muito interessante. Os problemas da logística, que se resolvem com um sorriso e o típico “desenrasque” português. A camaradagem que cada tasquinha representa, com dezenas de pessoas a “dar o litro” de manhã até à meia-noite. Os cheiros intensos da boa gastronomia regional, mesmo quando alguns deixam escapar uns fumos mais intensos. O corrupio das mesas que enchem quatro ou cinco vezes na mesma refeição, com dezenas de pessoas a chegar com apetite voraz e a sair com ar de satisfação. O espaço que parece pequeno, mas acaba por chegar para todos. “Este ano, com o novo piso, as máquinas de lavar, a canalização eficaz, o recinto mais arejado e limpo, a Fiaba está melhor e aprovada”, comenta uma veterana destas andanças.
Da nossa tasca, vemos as centenas de visitantes que apenas passam defronte, com sacos recheados dos mais variados artefactos, doçaria, vinhos, enchidos, etc., após uma passagem pela zona do artesanato que vem de todo o país e que, na inauguração, recebeu honras de visita do chefe de gabinete do Governador Civil, João Paulo Pedrosa, do presidente da autarquia da Batalha, António Lucas, e da comitiva das mais importantes entidades locais e regionais. Ou então, apenas com os folhetos das várias instituições regionais que apresentam ali o seu trabalho: escolas, bombeiros, Simlis e Acilis, Região de Turismo, Grutas Moeda, Adega Cooperativa, Orfeão de Leiria. Este ano, com a presença de uma delegação da cidade francesa de Jointville-le-Pont, que em breve irá geminar-se com a Batalha. Vemos também as crianças que se divertem à volta dos livros no espaço da Biblioteca, a exposição dos belos trabalhos dos cursos sócio-educativos, e o grupo de jovens e escuteiros da paróquia que dinamizam divertidos jogos no centro do recinto.
Chegam até nós também os sons e a animação que passam pelo palco, seja dos golos da selecção contra a Turquia, dos grupos de música popular e folclórica, dos encantadores meninos das escolas, da música pop-rock do Orlando Luís, dos bem-dispostos Tunos de Leiria, das contagiantes músicas e danças europeias do grupo Monte Lunai, ou das fantásticas cinco Tucanas, a brincar com os ritmos e a harmonia, conjugando a sensualidade da expressão feminina com a beleza das vozes, a melodia do acordeão e os sons fortes da percussão nos mais variados instrumentos e materiais.
Fechados na tasquinha, não pudemos espreitar mais um Encontro Nacional de Coleccionadores e o 1º Encontro Nacional de Coleccionadores de Pacotes de Açúcar, mas ouvimos ecos do seu sucesso, com centenas de visitantes a apreciar os mais variados objectos, adquiridos e trocados ao longo de décadas neste interessante passatempo.
Na hora de arrumar a tenda, o cansaço estava estampado nos rostos. Mas também de alegria por termos contribuído para a diversão das cerca de 12 mil pessoas que por ali passaram nestes quatro dias. E também por termos juntado mais uns “cobres” para os cofres de cada uma das associações ali presentes, sempre tão necessários para as suas actividades anuais. Mas, sobretudo, pela satisfação de termos sido parte activa num evento que serviu para divulgar os valores da nossa cultura gastronómica, artesanal e social.
Luís Miguel Ferraz

Guia Gastronómico da Batalha
Na inauguração da Fiaba, foi oficialmente apresentado o “Guia Gastronómico do Concelho da Batalha”. Da autoria de Manuel Poças das Neves (MAPONE), é uma obra de referência sobre os usos e costumes das cozinhas da nossa região nos últimos anos, com centenas de receitas artesanais de sopas, carnes, peixes, doces, licores e outras iguarias típicas da gastronomia batalhense. Contando com a colaboração de algumas pessoas “mais antigas”, associações locais e escolas que motivaram os seus alunos a esta investigação, a obra é, “não apenas um conjunto de receitas, mas uma forma de retratar a cultura de um povo, pelo tipo de alimentos que utiliza no seu sustento e pela forma como os confecciona e com eles se deleita” – palavras do autor na ocasião.
A coordenação desta edição foi dos Serviços de Cultura da Câmara Municipal da Batalha. No prefácio, o presidente António Lucas refere que os principais ingredientes da obra são “a transmissão dos modos de confeccionar os pratos tradicionais, o despertar da curiosidade em conhecer os temperos e produtos locais e ainda o convite ao contacto com as nossas gentes”.

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