>Combate à pobreza depende de todos

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>REAPN de Leiria apresenta conclusões

No passado dia 25 de Junho, o Núcleo Distrital de Leiria da Rede Europeia Anti Pobreza / Portugal – REAPN apresentou, no Instituto Português da Juventude, as conclusões dos três fóruns realizados a nível distrital de análise do projecto “O combate à pobreza começa localmente”, que visou “analisar como os diferentes agentes percepcionam o fenómeno da pobreza, confrontando as diferentes perspectivas, no sentido de encontrar estratégias e acções eficazes para o seu combate”.
A nível global, a participação nestes fóruns (Caldas da Rainha, Leiria e Figueiró dos Vinhos) foi muito boa, com a presença de 160 das 170 entidades e pessoas convidadas, das redes sociais de 15 concelhos do Distrito. Em cada um dos encontros foi estudada a compreensão deste projecto da REAPN, apresentadas as acções que cada um dos parceiros tem no terreno ou visa implementar e delineadas algumas possibilidades de estratégia comum.
“Na nossa sociedade, a pobreza tem uma carga negativa, correspondendo a um estatuto social inferior, e carrega preconceitos que levam a uma pobreza envergonhada”, lê-se nos resultados deste trabalho, onde são analisadas as diversas causas do fenómeno e se considera que as politicas sociais “podem ajudar a diminuir a intensidade, mas não promovem a sua saída, pois as pessoas deveriam ter opções de trabalho, formação e autonomia de sustentabilidade, em vez de subsídios pontuais”. O Rendimento Social de Inserção, o Programa Novas Oportunidades, o Programa Ocupacional para Carenciados, o Complemento Solidário para Idosos, as políticas sociais de saúde, etc., foram apontados como sinais de uma ajuda efectiva, mas também como potenciadores de dependência dentro desses quadros de ajuda e, muitas vezes, demasiado burocráticos e discriminatórios.
O papel das instituições/agentes no combate à pobreza deve passar pela representação, valorização, promoção de oportunidades e potenciação do trabalho em rede. “É necessário compreendermos a multidimensionalidade dos factores que originam a pobreza”, como os baixos salários e reformas, a incapacidade das pessoas para gerirem os rendimentos e estabelecerem prioridades, o endividamento excessivo de muitas família, o comodismo e falta de iniciativa de muitos, a baixa escolaridade, o desemprego. Como resposta, terá também de promover-se “uma acção concertada entre os vários agentes envolvidos, desde o Governo, o mundo empresarial, os dirigentes e técnicos da acção social, até às próprias pessoas em situação de pobreza”, conclui a REAPN. “Trata-se de um trabalho de maior proximidade com a população: com envolvimento do mundo empresarial, na integração de grupos socialmente desfavorecidos e no financiamento de projectos sociais; com acção do Governo, na convivência de políticas assistencialistas e políticas sociais activas de colaboração e responsabilização dos destinatários; com formação da sociedade contra os preconceitos e estereótipos que provocam exclusão e injustiça social; e com participação das pessoas em situação de pobreza nos projectos de que são alvo”.
O facto é que “embora esta metodologia seja conhecida pela maior parte dos agentes sociais, ainda não foi incorporada como prática e, portanto, há ainda um grande percurso a percorrer no sentido de trabalhar de forma articulada, concertada e integrada”, pelo que se deverá investir na formação de técnicos, na promoção de acções que envolvam os destinatários dos projectos e na “apresentação de boas práticas que resultaram exactamente do trabalho em rede”.
A apresentação concluiu com uma lista de mais de duas dezenas de propostas concretas e respectivas “possibilidades de operacionalização” já no segundo semestre de 2008 e em 2009, quer pela REAPN, quer por outras entidades públicas e privadas da acção social.
Este trabalho pode ser consultado junto das redes sociais dos municípios, na sede da REAPN de Leiria ou no sítio www.reapn.org .
Luís Miguel Ferraz

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