>Tempos livres: dor de cabeça para os pais

>Tempos livres: dor de cabeça para os pais

>Problema e respostas
Chegaram as férias e, mais uma vez, se levanta a questão de onde deixar as crianças durante os tempos livres em que os pais as não podem acompanhar, garantindo uma forma didática de e criativa de as ocupar.
No decurso do tempo lectivo, as crianças e jovens necessitam de consolidar a sua formação para além do espaço escolar, mas é no período de férias que essa necessidade se torna mais imperativa.
Os infantários e escolas fecham e os centros de ATL seguem-lhes as pisadas, restando aos pais tirar as suas férias no mesmo período, ou encontrar soluções alternativas.
Se o agregado familiar compreende um ou mais filhos, se reside numa zona distante das suas origens, a tarefa complica-se mesmo.
A capacidade financeira das famílias dita, na maioria das vezes, a qualidade de vida, mas também a capacidade de resposta para este problema que se repete todos os anos. Umas conseguem contratar uma pessoa para acompanhar as crianças, outras aproveitam os prolongamentos do acolhimento que os centros de ATL cada vez mais oferecem, mas a maioria fica, pelo menos durante um mês, com um grave problema para resolver. Ou têm familiares que se ocupam dessa tarefa, normalmente os avós ou parentes próximos, ou têm a possibilidade de os levar consigo para o trabalho, o que raramente é permitido pelos empregadores.
A solução de deixar as crianças sozinhas em casa também chega a ser adoptada, mas é o mesmo que viver o dia em pesadelo, com a preocupação dos perigos que podem estar a correr.
A evolução social dos últimos anos provocou muitas transformações na constituição familiar, como, por exemplo, a diminuição do número de filhos, a maior mobilidade dos trabalhadores, o aumento de famílias monoparentais ou a alteração do papel da mulher na sociedade, mais distante da guarda do lar. Mas está longe de responder a todas as necessidades que essas alterações suscitaram. Como primeiro reflexo, surge o abandono dos mais novos (e muitas vezes dos mais idosos), que não estão inseridos nos mesmos ritmos de trabalho e de produção.

Tentativas de resposta
O ideal seria a disponibilidade dos pais para acompanharem os tempos de lazer dos filhos. Mas todos sabemos como isso é impossível para a maioria. Em alternativa, começam a surgir com mais insistência algumas propostas de instituições, autarquias e, mesmo, empresas, para proporcionar actividades várias para crianças e jovens, de preferência geradoras de satisfação e prazer, com tempo organizado para o desenvolvimento pessoal, seja intelectual, seja físico, mas sempre de carácter activo.
É o caso dos projectos de “Ocupação dos Tempos Livres” (OTL) do Instituto Português da Juventude (IPJ), que apostam na diversificação de actividades “saudáveis” dos jovens, orientando-os para experiências que proporcionem “hábitos de voluntariado em contacto experimental com actividades laborais, potenciando a sua capacidade de intervenção e participação cívica e contribuindo para o seu processo de educação não formal”. Nalguns casos, oferece-se a possibilidade de participação em campos internacionais de trabalho e partilha cultural. Este ano, foram aprovadas pela Direcção Regional do Centro 1.125 candidaturas, que integram 4.951 jovens voluntários, em áreas como desporto, ciência, saúde, ambiente, tecnologia, associativismo, cultura, diálogo intercultural, etc. Um desses projectos foi o do Municio da Batalha, para adolescentes dos 10 aos 14 anos, que está a integrar algumas dezenas de participantes. Outro programa da Direcção Regional do Centro é o “Férias em Movimento”, que oferece 137 campos de férias para este ano, aptos a receber 3.437 jovens, em 38 campos residenciais e 99 não residenciais, durante os meses de Julho e Agosto.
Outra possibilidade é a participação em colónias de férias, como as promovidas pela Cáritas de Leiria, pelo INATEL e por diversas outras entidades de acção social, paróquias, etc. No caso da Cáritas, é uma rara oportunidade para centenas de crianças de famílias mais carenciadas, de poderem passar uns dias na praia, a custo zero ou muito reduzido.
Outro exemplo é a inscrição em actividades ou grupos que se organizam durante o ano e que, durante as férias, mantém as suas iniciativas de ocupação, como é o caso dos escuteiros, grupos de jovens, centros de voluntariado, etc. Muitos deles organizam as suas férias em grupo ou recorrem a monitores especializados, o que permite um acompanhamento mais despreocupado dos pais durante uma ou duas semanas.
Uma alternativa diferente é, por exemplo, a oferecida pela SAMP – Sociedade Artística e Musical dos Pousos, nas chamadas “férias musicais”. Durante alguns dias, os professores de música “brincam” com as crianças dos 6 aos 14 anos, em várias oficinas de instrumentos e expressão musical, que terminam num espectáculo em que todos formam uma orquestra.
Também as autarquias “inventam” formas de ocupar os mais novos. Damos como exemplo a parceria da Câmara de Leiria com a Vertigem – Associação para a Promoção do Património, que promovem as “Férias com Ciência” no Centro de Interpretação Ambiental, junto ao jardim de Santo Agostinho. O objectivo é proporcionar às crianças e jovens actividades lúdico-pedagógicas em diferentes temáticas, com iniciativas tão diversas como jogos, ateliers, passeios de interpretação, fotografia, informática, etc.
Independentemente da forma e dos promotores, os pais começam a encontrar cada vez mais opções. Não será ainda uma resposta ideal, pois, como referimos, algumas dependem da “bolsa” do agregado familiar. Mas, se procurarem bem, algumas respostas poderão ser encontradas, para a “dor de cabeça” dos tempos livres fique um pouco mais aliviada.
Luís Miguel Ferraz
Joaquim Santos

Ocupação de Férias na Batalha
O programa “Nas Férias, eu aprendo e divirto-me”, promovido pela autarquia para a ocupação de tempos livres das crianças dos 10 aos 14 anos, irá continuar durante a primeira quinzena de Agosto, de segunda a sexta-feira, entre as 09h00 e as 18h00.
Tal como noticiámos, esta iniciativa visa responder ao problema sentido pela generalidade dos pais, no período de férias escolares, de deixarem as crianças em casa. Assim, para além de se divertirem, aproveitam também a componente pedagógica do projecto, para a sua formação pessoal e educacional, através de actividades desportivas, idas à praia e visitas a monumentos da nossa região.

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