>Memórias – O lanche

>Memórias – O lanche

>A hora do lanche, embora fosse um curto espaço de tempo, era sempre muito desejada. Para além de comermos o lanche, ainda brincávamos um bocadinho.
Os meus lanches eram geralmente um pedaço de broa com um carapau seco assado ou com marmelada, ou ainda com um pouco de doce de tomate, que a minha mãe fazia e que ainda hoje muitas mães continuam a fazer.
Havia dias em que eu não levava lanche, pois não havia broa lá em casa. A minha mãe ia cozê-la durante a manhã e tranquilizava-me dizendo que à hora do intervalo o lanche lá iria ter. Não falhava! No intervalo eu corria em direcção ao muro que circundava o pátio da escola e olhava para a calçada onde aparecia um dos meus irmãos com o lanche – broa quentinha, está claro!
Lembro-me também que tivemos diversas vezes um lanche diferente. Na véspera, a professora avisava: “Amanhã não precisam de trazer lanche. Vai haver lanche cá na escola”. No dia seguinte, no intervalo, aparecia uma senhora com duas cestas com papo-secos – uns com manteiga e outros com marmelada, e nós escolhíamos o que mais gostávamos.
Posteriormente, a professora explicava-nos que aquele lanche oferecido às crianças da escola eram promessas que tinham sido feitas pelas melhoras de alguém, ou quando algum militar regressava com saúde da Guerra do Ultramar. Normalmente, eram as mães que pagavam essas promessas. Este gesto sabia tão bem, sobretudo para quem só tinha pão em dias de festa…
Até breve!
Filomena Monteiro

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