>Cáritas Diocesana de Leiria: Reflexos da crise

>Cáritas Diocesana de Leiria: Reflexos da crise

>Muita gente se questiona acerca do modo como a actual crise, financeira, económica e social se manifesta nas instituições que prestam algum tipo de apoio social, e que respostas cada uma pode oferecer para resolver ou minorar as dificuldades com que se defrontam as famílias.
Não queremos dramatizar, mas não podemos iludir as questões. Desde há mais de um ano que a Cáritas regista um crescimento contínuo no número de pessoas que procuram ajuda. Vêm, sobretudo, da zona urbana e suburbana de Leiria, pois em tempos de crise é nas cidades que se encontram as pessoas mais indefesas e com menor capacidade de resistência. As situações são diversas, mas prevalecem as situações de doença, de desemprego e, sobretudo, de desagregação familiar; mas também muitos imigrantes, com predomínio de nacionalidade brasileira e de países de leste.
Além de um atendimento que desejamos sempre humano e compreensivo, é no banco de bens móveis que as pessoas encontram a resposta a muitas das suas necessidades. Em vestuário e agasalho, roupa de cama, calçado, móveis e equipamentos domésticos, material escolar, brinquedos e outros, foram mais de 34 mil os bens entregues a cerca de 400 pessoas, em 2008.
Mas é principalmente no domínio dos bens alimentares que se vem registando um aumento maior de procura, alguma encaminhada por serviços oficiais. A nossa reserva está quase esgotada e, por vezes, temos de ir ao mercado local comprar, para oferecer.
A Cáritas presta também pequenas ajudas financeiras, maioritariamente dirigidas a custos fixos do dia-a-dia, como a renda de casa, a água, luz, gás, medicamentos, etc.
Costumamos dizer que a Cáritas é um lugar de exercício da gratuidade e de voluntariado. Lugar de exercício da diversidade de bens que podemos partilhar, sejam eles o tempo, as capacidades ou os bens materiais. Porque o que a Cáritas tem para distribuir é o que cada um lhe confia. Partilhar é um modo de ser e de estar, no dia-a-dia, próprio de quem não deposita as suas esperanças nos bens deste mundo, mas reconhece como dádiva de Deus, todos os bens, dons e talentos que possui, para o serviço de todos. É um imperativo cristão, mas também um dever de cidadania, onde cada um se reconhece responsável pelo bem de todos, segundo a sua capacidade. A Cáritas não substitui o dever de cada cidadão, cada comunidade, de participar na resolução dos problemas sociais, quaisquer que eles sejam.
Ambrósio Jorge dos Santos
Presidente da Cáritas Diocesana

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