>O povo voltará a lavar no rio?

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>Limpeza das margens do Lena está a decorrer

Está a decorrer, desde o princípio deste mês, uma acção de limpeza no leito e margens do rio Lena, num troço que atravessa a nossa freguesia. Esta é uma intervenção de fundo, que surge sobretudo para “correcção dos estragos verificados com as cheias de Outubro de 2006”, como refere Carlos Santos, presidente da Junta de Freguesia, em declarações ao Jornal da Golpilheira. “Após varias tentativas, quer do Município da Batalha, quer da Junta da Golpilheira, e passados cerca de dois anos daquelas intempéries, a Autoridade Regional Hidrográfica respondeu ao nosso pedido”, afirmou.
A limpeza, adjudicada à empresa Obras Hidráulicas e Construção (OHC), de Coimbra, contempla o desmatamento e a remoção de lixos, canas, salgueiros e outros inertes que se acumularam no leito e margens do rio, bem como a reconstrução de alguns taludes que se têm danificado com o tempo. O entulho recolhido será, posteriormente, triturado e transformado em biomassa, esclarecem os responsáveis da empresa.
A acção decorrerá em duas fases, correspondendo aos actuais trabalhos um troço de cerca de 1,4 km, entre as pontes da Canoeira e de Casal de Mil Homens, com prolongamento para o limite da Mourã, num custo estimado acima dos 50 mil euros, que deverá ser concluída nas próximas semanas.
Numa segunda fase, a mesma intervenção será feita entre a Canoeira e a Cova do Picoto, “um trabalho que ainda não está calendarizado, mas que esperamos ver realizado até ao final deste ano”, refere António Lucas, presidente da Câmara da Batalha. Só nessa altura poderemos ver toda a extensão dos cerca de três quilómetros do rio que atravessa a nossa freguesia completamente limpos. Certo é que a reconstrução dos taludes junto à Ponte de Almagra, na sustentação da estrada que segue a margem do Lena até ao limite com a Batalha, não irá esperar por esse prazo, fazendo parte já do caderno de encargos em curso.
No acompanhamento deste trabalho, o presidente da Junta da Golpilheira refere ter constatado muita dificuldade em entrar nos terrenos confinantes com o rio e defende que “em colaboração com os proprietários, consigamos agora manter livre a faixa de circulação que foi aberta junto às margens, de modo a que a manutenção da limpeza do rio possa ser feita de modo rápido e eficaz com as máquinas da autarquia”. Carlos Santos lembra, a este propósito, que “é muito importante esta limpeza para se evitarem cheias e entupimentos em épocas de chuva mais intensa” e que “de acordo com a Lei n.º 58 de 2009, os proprietários de terrenos confinantes com margens de linhas de água são obrigados a manter o seu bom estado de conservação, procedendo à sua regularização, limpeza e desobstrução, o que nem sempre se verifica”. Reconhecendo que a fiscalização a este nível é quase inexistente, o autarca defende a “consciencialização de cada um, já que não é possível voltarmos a ter os guarda-rios que noutros tempos garantiam outro aspecto e outra actividade ao nosso Lena”.
O presidente da Golpilheira adianta ainda que esta será mais uma oportunidade para “tentarmos levar por diante o nosso projecto de elaborar um trajecto de percurso pedestre junto ao rio e de construirmos na zona da Canoeira um parque ambiental de lazer, também com uma vertente didáctica de temática ecológica”. Segundo Carlos Santos, o projecto está em elaboração e “dependerá apenas da garantia de financiamento e da colaboração dos proprietários dos terrenos em causa”. O importante, para já, é que “sejamos todos a zelar pelo bem comum, a fim de voltarmos a ver o rio Lena como o víamos noutros tempos”, remata.
Lembrando o famoso verso do fado de Amália, não será previsível que o povo volte a “lavar no rio”, pois os hábitos de lavagem das roupas mudaram… mas seria importante que as águas que nele correm pudessem voltar a ser límpidas e transparentes, pelo menos, para o deleite do olhar e a fruição agradável do nosso ambiente natural. Sabemos que isso não depende apenas da limpeza, pois a eliminação da poluição e a garantia de espaços de lazer adequados serão essenciais para que as pessoas voltem a relacionar-se com o seu rio, mas este poderá ser um princípio…

Luís Miguel Ferraz

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