>Alunos da Batalha “adoptam” troços do rio Lena

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SIMLIS promove Projecto Rios

A Simlis realizou, no passado dia 21, a primeira saída de campo do “Projecto Rios”, desenvolvido no âmbito da implementação do Plano de Educação Ambiental desta empresa, intitulado “Conhecer os nossos Rios”. A acção envolveu os 26 alunos da turma do 5º C da Escola Básica Mouzinho de Albuquerque, da Batalha, que visitaram um troço de cerca de 500 metros do rio Lena por eles “adoptado”, junto à ponte do Paul, no limite da freguesia da Golpilheira, sobre o qual irão trabalhar de modo mais directo. No próximo dia 28, uma outra turma da mesma escola fará acção semelhante, num troço do Lena dentro da vila da Batalha.
O principal objectivo é “sensibilizar os jovens e a respectiva população para a necessidade de preservar os ecossistemas ribeirinhos, procurando também intervir directamente na recuperação do rio, numa perspectiva multidisciplinar e integradora das vertentes ambiental, cultural, económica, etc.”, esclarece a engenheira Sandra Vieira, da Simlis, coordenadora do projecto. Para além desta responsável, fizeram parte da equipa monitorizadora desta visita: Ana Amado, do Gabinete de Comunicação da Simlis; Gilberto Miranda, engenheiro ambiental da ONG Vertigem, que colabora com esta iniciativa nos concelhos da Batalha, Porto de Mós, Marinha Grande e Leiria; Joana Amaro, engenheira do Serviço de Gestão Ambiental do Município da Batalha; Carlos Santos, presidente da Junta de Freguesia da Golpilheira; e ainda as professoras Fátima Nunes (Ciências), Cristina Gonçalves (EVT) e Teresa Oliveira (directora de turma).
A ideia é insistir, sobretudo, na recuperação da qualidade da água do rio e na requalificação das margens e de algumas infra-estruturas existentes. Para tal, em primeiro lugar, os alunos foram convidados a identificar a fauna e a flora existentes no Lena, como o tipo de vegetação autóctone, as plantas “invasoras”, os peixes, anfíbios, répteis, aves, insectos e outros seres vivos do habitat ribeirinho. Depois, analisaram as características específicas do troço que “adoptam” para o seu trabalho, como o comprimento e a largura do leito, a qualidade, aspecto e velocidade da água, a inclinação e altura das margens, etc. Finalmente, procuraram os sinais positivos e negativos da acção humana, como o uso da água para a agricultura, a construção de açudes, a existência de acessos e vias de circulação, mas também a presença de lixos, descargas poluentes, entulhos, etc. Só depois deste trabalho se coloca a questão: o que podemos fazer para melhorar a vida e equilíbrio ecológico do rio e corrigir os erros detectados?
A resposta, a concretizar em acções que se desenvolverão nos próximos meses, será fruto da análise dos dados recolhidos e das conclusões a retirar do estudo feito pela turma no âmbito do projecto. Mas logo no local surgiram algumas pistas para essa acção prática, tais como “sensibilizar a população para não deitar lixo e entulhos de obras no rio e pedir a intervenção da Junta de Freguesia para retirar plantas exóticas existentes no local e plantar árvores autóctones”.
Em complemento a este tipo de intervenções, os alunos deverão ainda fazer o levantamento do património cultural e etnográfico da região em que se situa o curso de água em causa, nomeadamente, das actividades, histórias, lendas e outras temáticas que se relacionem com o rio Lena.
Numa altura em que decorre uma acção de limpeza do leito e margens daquele rio, da responsabilidade da Autoridade Regional Hidrográfica, este “Projecto Rios” será, com certeza, uma mais-valia para a promoção da reabilitação do Lena, sobretudo, no campo da sensibilização da população local e da ligação prática dos temas ambientais ao currículo escolar dos alunos.

Projecto Rios
O Projecto Rios é uma iniciativa de âmbito nacional, que utiliza metodologias de educação ambiental para a implementação de soluções sustentadas na resolução dos problemas dos ecossistemas fluviais. Coordenado pela Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA), conta ainda com a colaboração da Associação de Professores de Geografia (APG), da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) e da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).
Para além da vertente ecológica, este projecto visa também a tomada de consciência ambiental baseada na participação voluntária e activa dos cidadãos (vertente social e cultural). Pretende-se criar uma rede de monitorização e de adopção de troços de rios e ribeiras por grupos locais organizados. Recorrendo a uma metodologia de observação, simples mas rigorosa, estandardizada e de fácil aplicação e desenvolvimento, estes grupos assumirão a responsabilidade de vigilância e protecção do troço do curso de água que seleccionaram, contribuindo assim para a melhoria sustentada dos recursos hídricos em geral, e do processo de reabilitação do seu troço, em particular.

Texto e fotos Luís Miguel Ferraz
(Inéditos do blog)
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