>Janeiras e Reis ouviram-se na Golpilheira

>Janeiras e Reis ouviram-se na Golpilheira

>Tradições que se recordam

Embora já não se sinta a tradição com o peso de décadas passadas, há ainda sinais de que ela é lembrada por alguns grupos. Um dos mais importantes é o das crianças, pois é por elas que se garante a continuidade da memória colectiva. Assim, é de louvar a iniciativa do nosso Jardim-de-Infância que vestiu os meninos a rigor (de reis) e os levou à rua a cantar as Janeiras ou os Reis, como também se usa, por esta altura do início do ano.
Fomos encontrá-los muito bem dispostos e cheios de genica a cantar no bar do CRG, felizes por verem uma audiência atenta, interessada e sorridente. E também por receberem no fim um docinho.
Também na fria noite de 9 de Janeiro fomos surpreendidos por um grupo de escuteiros de Leiria, a cantar as Janeiras à porta de casa. Além de reavivar tradições, é também um modo de angariar algumas receitas para as suas actividades.
Uma nota especial vai para o Grupo de Cantares do Planalto de São Mamede, que andou a cantar pelo Concelho. A iniciativa, que mantêm desde há alguns anos, pretende “anunciar à população da vila um feliz Ano Novo”, ao mesmo tempo que “representa o trabalho e esforço de várias dezenas de jovens de São Mamede na defesa da cultura e das tradições desta região”. Tem também uma vertente solidária, pois os donativos recolhidos serão distribuídos em géneros alimentícios pelas famílias carenciadas da freguesia de São Mamede, por altura da Páscoa.
Assim, vieram no dia 22 de Janeiro dar dos votos de bom ano aos autarcas e funcionários do Município da Batalha e, no dia seguinte, visitaram a população Reguengo do Fetal e da Golpilheira.
Os cerca de trinta elementos chegaram ao nosso Centro Recreativo pelas 21h00, vestidos a rigor e com alguns acessórios típicos do povo serrano de antigamente. Formaram coro dentro do bar da colectividade e cantaram meia dúzia de músicas alusivas às boas festas e aos Reis, sendo muito aplaudidos por outros tantos ouvintes. Sobretudo depois do verso: “Vimos cantar as Janeiras / Aos lugares da Freguesia / Se não tendes que nos dar / Acolhei-nos com alegria!”.
Mas havia “algo” para lhes dar… por isso, ficaram mais algum tempo connosco num beberete de convívio, pois alguns elementos do nosso rancho folclórico fizeram questão de preparar uma mesa de petiscos e bebidas para acolher devidamente o grupo visitante.
Luis Miguel Ferraz

Janeiras
Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras

Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas

Vira o vento e muda a sorte
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte

Muita neve cai na serra
Muita neve cai na serra
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra

Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza

Já nos cansa esta lonjura
Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura

A tradição
O canto das Janeiras é uma antiga tradição portuguesa que consiste na reunião de grupos que se passeiam pelas ruas no início do ano, cantando de porta em porta e desejando às pessoas um feliz ano novo. Este mês era dedicado pelos romanos ao deus Jano (em latim: porta, entrada), que era o porteiro dos Céus e por isso fundamental para a protecção contra os espíritos maus que ameaçavam o ano.
Era tradição que os romanos se saudassem em sua honra no começar de um novo ano e daí derivam as Janeiras. A tradição mais ou menos geral é que grupos de amigos ou vizinhos se juntem, com ou sem instrumentos (no caso de os haver são mais comuns os folclóricos: pandeireta, bombo, flauta, viola, etc.) e percorram as ruas, de casa em casa. Terminada a canção numa casa, espera-se que os donos tragam as janeiras (castanhas, nozes, maçãs, chouriço, morcela, etc.) Por comodidade, é hoje costume dar-se dinheiro, embora não seja essa a tradição. No fim da caminhada, o grupo reúne-se e divide o resultado, ou então, comem aquilo que receberam.
As músicas utilizadas são por norma conhecidas, embora haja letras diferentes em cada terra. Uma das mais famosas é que reproduzimos ao lado.
O cantar dos Reis é também uma antiga tradição antiga, muitas vezes cruzada com esta, mas que parece ter raízes algo diferentes. No dia de Reis, 6 de Janeiro, os “reiseiros” agrupavam-se para as celebrações conforme a categoria profissional (caixeiros, limpadores de chaminés, feirantes, instrumentistas, doutores, moradores e até estrangeiros). Durante a noite, percorriam as ruas dançando e tocando em procissões e cantavam às portas das casas. Em 1882, pelos Reis, há noticia de que “nas ruas da cidade arruavam zabumbas, ferrinhos e as gaitas-de foles anazaladas, exclusivas dos carrejões galegos”. Durante as celebrações, tinha ainda lugar uma pantomina e uma espécie de Auto dos Reis.
(Alguns dados retirados de http://pt.wikipedia.org)

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