>Futebol da Golpilheira em “digressão” : Veteranos na Madeira

>Futebol da Golpilheira em “digressão” : Veteranos na Madeira

>A equipa de Veteranos de Futebol 11 da Golpilheira esteve na ilha da Madeira, nos passados dias 16, 17 e 18 de Abril, para participar no torneio organizado pelo “Pretos e Brancos”, por ocasião das comemorações do centenário do Clube Desportivo Nacional.
Foi uma viagem inesquecível, a todos os níveis. A preparação da logística esteve a cargo do Rui Rodrigues no continente e de Sérgio Silva na Madeira. Integraram a comitiva os seguintes atletas: Álvaro Rito, Carlos Agostinho, Cesário Santos, Daniel Monteiro, Fernando Ferreira, Helder Monteiro, João Manuel (Lelo), Joaquim Vieira (Té), Jorge Rito (Chalana), José Carlos, José Carlos Sousa (Zezinho), José Augusto, José Rito (Zeca), Manuel Rito, Manuel Sousa, Mário Costa, Mário Jorge, Maurício Silva, Miguel Monteiro, Paulo Rito, Rui Fernandes (Fidalgo), Rui Ferraz (Ruizinho), Victor Cruz e Virgílio Lucas. Foram ainda os directores Armando Sousa, Carlos Patrício e Luís José (Barroca), os árbitros Henrique Rodrigues e Rui Rodrigues, e o vereador Carlos Henriques, em representação da Câmara Municipal da Batalha.

Dia 16

A partida do aeroporto de Lisboa foi na madrugada do dia 16. Depois de cumprir as formalidades habituais, lá partimos rumo ao aeroporto de Santa Catarina, perto do Funchal, onde aterramos em segurança e com aplausos aos pilotos.

Como nesse fim-de-semana havia a Festa da Flor no Funchal, evento promocional para incentivar ainda mais o turismo na Madeira, foi visível, logo à saída do aeroporto, esta promoção. Lindas meninas, rigorosamente trajadas, embelezadas com flores, distribuíam uma a cada passageiro. De seguida, um cálice de vinho da Madeira. Um pouco mais à frente, era proporcionada a prova de bolos regionais.

No cais, esperavam-nos duas carrinhas do Hotel Calheta Beach, no qual estivemos alojados. Fomos apreciando a bela paisagem da “Pérola do Atlântico”. Boas estradas, complementadas com túneis que lhes dão uma excelente acessibilidade. Fomos direccionados para a Ribeira Brava, local muito fustigado pelos recentes temporais. Os estragos ainda eram bem visíveis: carcaças de carros amassados, deslizamentos de terras, muita pedra arrastada pela violência das águas, casas alagadas e, segundo nos informaram, houve mesmo alguns edifícios e estaleiros totalmente destruídos. Eram muitas as máquinas giratórias e operários a efectuarem trabalhos de limpeza e reconstrução. As serras, em cujos vales correm as ribeiras, estão verdejantes e belas. As quedas de água dão uma beleza extraordinária a esta paisagem.

Paragem obrigatória na Casa da Poncha. É uma pequena tasca, tipo “Manuel Patrício”, mas, como alguém lhe chamou, um “negócio da China”. Empresa familiar, onde se bebem umas belas ponchas, uma bebida tradicional da Madeira. Tem como principais ingredientes sumo de laranja e aguardente de cana do açúcar. O seu efeito faz notar-se depois de beber duas ou três… Alguns já vinham muito vermelhos e falar muito, com sorrisos nada habituais. Depois da poncha, não foi fácil reunir o pessoal para a viagem até à Calheta. Alguns estavam teimosos. Parece que tinham cola nos pés e não saíam do mesmo sítio. Claro está, de dentro da “tasca”. A custo, lá nos conseguimos reunir nas duas carrinhas. Viemos directos para o Hotel, onde fizemos o registo e o reconhecimento do mesmo, especialmente a zona dos bares e das piscinas.

Mas o melhor estava para vir. A barriguita já apertava. A organização não descorou esta situação. Lá fomos para a casa de petiscos do amigo Sérgio Silva. A refeição estava a ser preparada. E que refeição. Depois das entradas, regadas com bom vinho maduro, foi a vez das lapas, que tinham um sabor extraordinário. Depois foi a sopa, semelhante à nossa sopa da pedra. Alguns viraram num ápice mais de duas pratadas. Mas o banquete não terminava aqui. Não havia horário para acabar. A churrasqueira estava com brasido, esperando que caíssem lá umas espetadas de tenra carne de vaca. Não sei onde é que as nossas alminhas metiam tanto comer e tantos líquidos. O homem do chapéu quase não dava vencimento às solicitações. Mas, a pouco e pouco, lá os foi cansando. Encheu a barriga a todos, manifestando que estava preparado para mais, uma vez que ainda sobrou muita carne. Com tanta comida, tivemos de andar um pouco e tomar café num estabelecimento ali perto. No final, ainda houve tempo para beber uma aguardente de cana envelhecida, tirada directamente do pipo. Perto da noite, fomos levados por carros particulares de regresso ao Hotel.

A noite era livre. Os mais novos vieram até ao Funchal. Os outros foram para a cave do hotel, ver e ouvir um grupo de baile que divertia os ocupantes desta unidade hoteleira, optando outros por jogar às cartas. Ainda houve tempo para beber mais umas cervejas para a sossega. A noite ainda ia curta. Ali perto, estava um café com karaoke. E foi aqui que a noite terminou para a maioria.

Dia 17

A manhã deste dia tinha como destino a visita a vários pontos turísticos da ilha: Cabo Girão, Camacha e outros. Depressa se chegou à hora do primeiro encontro de futebol. Abriram o torneio os “Pretos e Brancos” do C. D. Nacional e a Associação de Veteranos Grupo Cultural e Recreativo de Santo António. Jogo disputado correctamente, com domínio dos organizadores do torneio. Venceram com naturalidade por 2-1.

Seguiu-se a nossa participação neste torneio. Jogámos contra a equipa vencida. Entramos muito bem no jogo, a dominá-lo por completo. Muitas oportunidades de golo desperdiçadas. Os nossos atacantes andavam vesgos, consequência, talvez, da tarde e noite do dia anterior. No entanto, numa boa jogada, Miguel Monteiro abriu o activo. Pensou-se que a partir deste viriam mais dois ou três. Puro engano. Lá na frente, quando não eram os defesas contrários e o guarda-redes, eram os nossos avançados que se atrapalhavam uns aos outros. Quer dizer, funcionavam mais como defesas do que como atacantes. E foi perto do final que a equipa de Santo António igualou o marcador, resultado com que terminou o encontro. Segundo o regulamento, tinha de haver um vencedor, encontrado pela marcação de grandes penalidades. Foi mais feliz a equipa da Madeira, que venceu por 4-2.

Também segundo o regulamento, o vencedor deste jogo iria jogar com o vencedor do primeiro jogo. Sendo assim, eram os Pretos e Brancos com o Santo António a disputar o jogo. No entanto, como não haveria mais nenhum jogo, a nossa equipa estava de fora e metade dos atletas que integraram a nossa comitiva não teriam oportunidade de jogar. Aqui, houve uma atitude digna de louvar por parte dos dirigentes e atletas do Santo António, que prescindiram de jogar e nos ofereceram essa possibilidade. Foi um gesto muito bonito, demonstrando todo o carinho com que os nossos amigos madeirenses nos receberam. A todos estamos muito gratos.

O jogo com os Pretos e Brancos era encarado com um grau de grande dificuldade. Escusado será dizer que integram esta equipa muitos ex-profissionais do Nacional da Madeira. Batemo-nos bem, com galhardia e valentia. Eles trocavam muito bem a bola e os olhos aos nossos jogadores. Foi com naturalidade que fizeram o primeiro golo. Costuma dizer-se que quem sabe não esquece. Assim aconteceu com os jogadores que integravam esta equipa. Imperiais na defesa, com um meio campo bem povoado, com ataques organizados colocavam, o nosso guarda-redes, Rui Fernandes, à prova. Não se saiu mal. Acabou por sofrer o segundo golo na transformação duma grande penalidade. A bola foi rasteira… se fosse por alto com certeza que a defendia. O jogou terminou e os Pretos e Brancos foram justos vencedores deste torneio, porque eram sem sombra de dúvida a melhor equipa.

Depois de um banho retemperador, efectuámos uma visita guiada ao complexo desportivo do Clube Desportivo Nacional, na Choupana. Ficámos deveras impressionados com a qualidade destas instalações. Desde ginásio, os quartos para as concentrações, a sala de imprensa, balneários, etc., tudo foi programado ao pormenor. O estádio é belo e com bancadas de grande qualidade. O estacionamento subterrâneo demonstra inteligência no aproveitamento do pouco espaço que existe.

Mas o melhor do serão estava para vir. O jantar convívio com a distribuição de lembranças de todas as partes intervenientes no torneio. No restaurante do complexo do Nacional, com a presença de todos os intervenientes no jogo, directores, organizadores e entidades oficiais, foi servida mais uma excelente refeição, que a todos saciou, aumentando ainda mais a nossa responsabilidade, quando esta equipa da Madeira nos visitar. Foram feitos os discursos inerentes a estes eventos. Também interveio o vereador do Município da Batalha, Carlos Henriques, que aproveitou para entregar algumas lembranças e agradecer a forma como fomos recebidos, que nunca mais esquecerá. Não faltou a este jantar convívio animação musical. Foi aqui que transbordou a alegria de todos. Dançámos, pulámos, conversámos. Enfim, todos nos divertimos. Já perto do final, um representante da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, à qual pertence a Choupana, entregou-nos algumas lembranças.

Estava na hora do regresso ao Hotel. A hora da despedida é sempre difícil. Apesar de terem sido somente algumas horas, criou-se uma grande empatia entre os golpilheirenses e os madeirenses. A pouco e pouco, e a custo, lá nos fomos despedindo. Vi nalguns deles e nos nossos algumas lágrimas a cair suavemente no canto do olho. Fizemos boa viagem até ao hotel.

Mas a noite ainda não tinha terminado. Não é todos os fins-de-semana que se vai à Madeira. Por isso, há que aproveitar bem o tempo, dormindo pouco. Mais uma vez alguns foram para o Funchal e outros estacionaram por perto do hotel. Também nesta noite havia música ao vivo na cave. Mais umas cervejas, cartas e dança. Alguns, mesmo sem saber falar inglês, lá se iam entendendo. Acabada a música no hotel, lá seguimos para o karaoke. Mais umas cervejas, tremoços com alho e umas canções. Não faltou um pé de dança. A noite já era quase adulta. Chegados ao hotel, deparámos no quarto do Jorge Rito (Chalana) com um ramo de flores e uma garrafa de champanhe. O Jorge fazia anos naquele dia. A gerência do hotel, de posse destes dados, teve uma iniciativa que a todos sensibilizou, especialmente o Jorge. Claro que não chegou para todos. Foram mais felizes os primeiros. Era a última noite no hotel. A saída estava marcada para as 09h00. Tinham de ficar os malotes todos preparados.

Dia 18

Saímos rumo ao Funchal, em duas carrinhas do hotel, com dois motoristas muito prestáveis. O programa era livre, mas tinha como ponto alto a assistência à Festa da Flor. As carrinhas deixaram-nos perto da Câmara Municipal do Funchal. Fomos apreciando os monumentos aqui existentes, bem como o cheirinho à Festa da Flor. Caminhámos rumo à marginal, para aqui almoçarmos. Alguns aproveitarem para uma viagem de teleférico e depois descerem algumas ruas naqueles tradicionais carrinhos da Madeira. A seguir ao almoço, alguns deslocaram-se para a Choupana, a fim de verem o jogo do Clube Desportivo Nacional com a União Desportiva de Leiria, a contar para a Liga Sagres. Os outros foram fazendo tempo para assistir à Festa da Flor. Pouco passava das 16h00 quando começou o desfile. É um evento extraordinário, presenciado por milhares de pessoas. Não há dúvida de que é um grande cartão de visita para a Madeira e um grande incentivo ao turismo. É digno de ser visto. Milhares de figurantes, bem organizados, ornamentados e com caras que irradiam felicidade, tanto os mais novos como os mais velhos. Fiquei deveras surpreendido com esta festa.

A nossa estadia nesta bonita ilha da Madeira estava a chegar ao fim. Foi com saudade que partimos, mas a vida é mesmo assim. A descolagem do avião e a aterragem em Lisboa foram perfeitas. Depois, foi o regresso a nossas casas, no autocarro da Câmara da Batalha… dever cumprido.

Para as gentes da Madeira, que tão bem nos acolheram, manifestamos a nossa gratidão, na pessoa de Sérgio Silva e seus colaboradores. Deram-nos uma lição de bem receber. Para o ano, esperamos recebê-los da mesma forma. Bem-hajam.

Manuel Carreira Rito

Resultados do Torneio

CDN Pretos e Brancos – 2 / AVGCR Santo António – 1

AVGCR Santo António – 1 / CR Golpilheira – 1 (4-2 nas grandes penalidades)

CR Golpilheira – 0 / CDN Pretos e Brancos – 2

Classificação

1.º – Clube Desportivo Nacional Pretos e Brancos – 6 pontos

2.º – Associação de Veteranos Grupo Cultural e Recreativo Santo António – 3 pontos

3.º – Centro Recreativo da Golpilheira – 0 pontos

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