>Festa do 41.º aniversário do Centro Recreativo da Golpilheira

>Festa do 41.º aniversário do Centro Recreativo da Golpilheira

>Balanço positivo apesar da crise

Nos dias 17 a 19 de Julho realizaram-se os festejos do 41.º aniversário do Centro Recreativo da Golpilheira, que abriram com o Festival de Folclore (ver página seguinte), tiveram mais uma edição do passeio de carrinhos de rolamentos “Rodas de Aço” e dois serões de música de baile, com “Sons da Brisa” e “Duo Renascer”.

Quanto ao “Rodas de Aço”, numa tarde quente de domingo, decorreu em três rampas da freguesia, com 21 carros e 28 concorrentes inscritos. Esta tradicional corrida teve a presença de numeroso público, que muito aplaudiu os corredores. Não faltou também um bar ambulante com várias bebidas frescas, cuja rainha foi a imperial. Não se registou qualquer acidente, contribuindo para esta boa notícia todas as medidas de segurança tomadas, nomeadamente, a colocação de diversos pneus nos locais mais críticos de cada rampa. Foi distribuída uma camisola a cada participante, com inscrições alusivas a este tradicional evento. O carro mais rápido foi o número 5, curiosamente transportando cinco pessoas (Flávia Ramos, Paulo Vieira, Pedro Vieira, Marco Almeida e Ricardo Ribeiro).
Tentando manter as tradições, realizaram-se também os jogos da corrida de frangos e da quebra de panelas. De salientar que na corrida de frangos participaram muitos jovens, o que desde já garante as edições futuras. Esta situação levou a uma pequena alteração na quebra das panelas, permitindo-se o uso de um pau. Os adultos, a murro, como é tradicional. Este ano houve uma situação inédita: um concorrente não conseguiu partir a panela a murro e decidiu parti-la com a cabeça…. o resultado foi o “dois em um”: partiu a panela e a testa. Mas conseguiu levar assim o prémio. Não sei se para o ano vai repetir…
Balanço
O balanço é positivo, enquadrando-se naquilo que era esperado, já que a tão badalada crise também se vai sentindo nestes eventos. No entanto, os golpilheirenses e habitantes de zonas limítrofes responderam à chamada. Os donativos e patrocínios, apesar do esforço dos angariadores, ficaram um pouco aquém dos do ano transacto. Já no que diz respeito ao restaurante, bar, café da avó e quermesse, estiveram dentro dos números do ano anterior.
A direcção agradece a todas as pessoas que de alguma forma contribuíram para que estes festejos tivessem sido um sucesso. Para os que podiam e não colaboraram, esperamos para que o façam para o ano, para aqui depois lhes agradecermos.

Os golpilheirense terão de ter a consciência de que as festas da nossa terra são para nós trabalharmos. Para nos divertirmos, vamos às festas nos lugares limítrofes. Aproveito a ocasião, e uma vez que se aproximam mais duas festas na nossa freguesia, para apelar à ajuda de todos nos trabalhos de preparação destes dois eventos.

Manuel Carreira Rito

Organizado pelo rancho “As Lavadeiras do Vale do Lena”

XXI Festival de Folclore da Golpilheira

Integrado nas comemorações do 41.º aniversário do Centro Recreativo (CRG), decorreu no dia 17 de Julho, o XXI Festival de Folclore da Golpilheira, organizado pelo rancho “As Lavadeiras do Vale do Lena” do CRG.
Após o tradicional jantar de convívio com os grupos convidados, cerca das 21h30 começou o desfile etnográfico, que antecedeu a entrega de lembranças no palco. A cerimónia contou com a vereadora Cíntia Silva, da Câmara Municipal da Batalha, Carlos Santos, presidente da Junta de Freguesia da Golpilheira, Manuel Carreira Rito, presidente do CRG, Idalino Mendes, professor de música que gratuitamente elaborou as pautas das 19 músicas para o CD do nosso rancho, e José Guerra da Silva, que também colaborou naquele trabalho.

Participaram neste festival, para além do rancho anfitrião, que integra a região da Alta Estremadura, o Rancho Folclórico de Vila Nova de Tazem (Beira Alta – Serrana), o Rancho Típico de Miro – “Os Barqueiros do Mondego” (Penacova – Mondego) e o Grupo Folclórico da Casa do Povo de Mira (Região da Beira Litoral). Cada um com as suas danças e cantares, preservam a nossa cultura, aquilo que mais identifica cada uma das regiões de Portugal.

Apesar das grandes dificuldades com que se debatem a maioria dos ranchos, não só financeiros, mas também de reconhecimento estatal do trabalho árduo dos seus elementos e directores para continuarem com esta tão nobre tarefa de deixar para os vindouros aquilo que os nossos antepassados nos deixaram, teimam em remar contra a maré. Foi com grande apreço que constatámos que todos os grupos integravam muitos jovens, que de certeza garantem a sua continuidade. É de enaltecer o esforço que “a família do folclore” faz ao longo dos tempos, através da recolha, preparação da coreografia das danças e seus cantares. Para além dos ensaios, importantes para o bom desempenho de todos, é de realçar a sua participação nos diversos festivais de folclore, de Norte a Sul do País, regiões autónomas da Madeira e dos Açores e ainda no estrangeiro. É no Verão que a maioria dos festivais de folclore se realizam. Não é fácil para os elementos dos ranchos, nos dias de maior calor, envergarem trajes por vezes muito pesados e disponibilizarem-se, quando podiam estar na praia ou na floresta a descansar muito comodamente. É um serviço gratuito que prestam à sociedade e a recompensa que têm e que mais gostam são as palmas da assistência. Para todos os folcloristas deste País, vai o nosso reconhecimento e que continuem a dar o vosso melhor, preservando e eternizando merecidamente as memórias dos nossos simples e humildes antepassados.
Para os conhecermos melhor, vamos transcrever o historial de cada um…

“As Lavadeiras do Vale do Lena” – Golpilheira

O rancho folclórico “As Lavadeiras do Vale do Lena” do C. R. Golpilheira foi fundado em 12 de Julho de 1989. Sediado no lugar e freguesia de Golpilheira, concelho da Batalha e distrito de Leiria, está assim inserido na Região de Turismo Leiria-Fátima e representa o folclore da Alta Estremadura. Golpilheira foi em tempos um lugar vocacionado para a agricultura. Nas margens do rio Lena cultivava-se milho, hortas, vinho, azeite e legumes. As suas danças e cantares foram recolhidos de pessoas nascidas na última década do século XIX. Eram as que se “bailhavam” a céu aberto, nas alpenduradas e de portas a dentro, nas eiras, nas descamisadas, nos terreiros pelos Santos Populares, nos serões dos enxovais, nos serões dos casamentos, nas “adiafas” da vindima e azeitona e na “casa da brincadeira”. Seus trajes de trabalho, domingueiro ou de cerimónia eram os que se usavam a rigor na segunda metade do século XIX. As alfaias, ferramentas e pertences correspondentes a cada actividade também estão representados, como o malhador, a ciranda, a vindimeira, o lagareiro, o abegão, a jantareira, a lavadeira e o par de noivos pobres. Os instrumentos usados na tocata são tradicionais da região. É sócio efectivo da Federação do Folclore Português, desde Janeiro de 1996. É sócio fundador da Associação Folclórica da Região de Leiria – Alta Estremadura e filiado no INATEL. Durante estes anos de existência, já teve mais de 700 actuações, de Norte a Sul do País. Participou também em alguns festivais internacionais, nomeadamente em Espanha, por duas vezes, França e Roménia, onde mostrou toda a sua beleza de trajes, danças e cantares, preservando e divulgando a nossa cultura e tradição.

Rancho Folclórico de Vila Nova de Tazem

O Rancho Folclórico de Vila Nova de Tazem, fundado em 2 de Agosto de 1992, tem por objectivos recolher, preservar e divulgar os usos e costumes da região em que se insere, Beira Alta – Serra da Estrela. Apresenta um reportório de características muito próprias, fruto das imensas recolhas efectuadas junto das pessoas mais idosas da freguesia. No seguimento destas recolhas, foram confeccionados os seus trajes, reprodução fiel dos tempos mais remotos do século XIX e princípios do século XX, sendo de destacar: traje de noivos, de vindimadeiras, pisadores de uvas, tombadores de dornas, ceifeiros, queijeira, pastor, romeiros, lavrador abastado, traje rico, etc. Tem participado em inúmeros festivais de folclore, festas e romarias, de Norte a Sul do País. Esteve em Espanha e na Ilha de S. Miguel (Açores). Tem uma Escola de Música e um Museu Etnográfico. Organiza anualmente eventos de carácter cultural, como festival de folclore, encontro de regiões, cantares de Janeiras, jogos tradicionais, serões culturais, etc. Está inscrito no INATEL e é sócio efectivo da Federação do Folclore Português. É formado por cerca de 45 elementos.

Rancho Típico de Miro – “Os Barqueiros do Mondego”

O Rancho Típico de Miro “Os Barqueiros do Mondego” surgiu por iniciativa de um grupo de pessoas interessadas em ter coisas novas na terra. Inicialmente foi um rancho com características carnavalescas, em termos de trajes e cantigas, dançando modas de diversas regiões. A partir de Julho de 1986, procurou através da sua etnografia, danças e cantigas, divulgar o que foi o modo de vida e as tradições das gentes da sua terra, e até hoje tem espalhado o seu vasto reportório por todos os cantos de Portugal. O rancho está geograficamente inserido na freguesia de Friúmes, concelho de Penacova e a escassos 30 quilómetros de Coimbra, bem no centro da Beira Litoral. Penacova, terra de invulgar beleza paisagística, cercada por serranias, onde existem ainda vários Moinhos de Vento, é igualmente rica em tradições e costumes que são retratados por este rancho. Oriundo de uma freguesia onde predominavam os trabalhos agrícolas e as lides do rio, os componentes do rancho vestem dois tipos de trajes bem distintos: os de festa para actos solenes e folgança e os de trabalho. Dos trajes de trabalho, destacamos: barqueiro do Mondego, carafete, carreiro, pescador, estanqueiro, agricultor, carvoeiro e tratadora do linho. Também representam trajes domingueiros: noivos, romeiros, pagadores da Décima, cerimónia, “ir ver a Deus” e meninos da escola. As danças apresentadas são: Arregaça, Menina Tira o Chinelo, Cigarra, Aqui Tudo Brinca, Ai ó Manel, Pé em Ponto, Ai Gabriel, Amendoeira, Vira da Região, etc.

Grupo Folclórico da Casa do Povo de Mira

O Grupo Folclórico da Casa do Povo de Mira foi fundado em 5 de Maio de 1978. Situado no centro da região da Gândara e convicto da função que lhe cabia desempenhar na preservação e divulgação dos valores da cultura tradicional do concelho de Mira, recuando à segunda metade do século XIX, realizou um persistente trabalho de pesquisas, estudos, recolhas e algumas consultas documentais, o que levou à reconstituição de danças, cantares, traje e tradições bem expressivas da Região da Gândara e Beira Mar. Todas as recolhas efectuadas foram confirmadas, pois delas dependia a verdadeira representatividade e qualidade do grupo. Assim, o grupo representa, valoriza, defende, preserva e divulga o verdadeiro folclore, sendo considerado como fiel intérprete do Cancioneiro Popular da Região da Gândara. Além das danças e trajes, o grupo já efectuou a reconstituição da Novena à Nossa Senhora da Luz, o Cântico das Almas Santas ou Amenta das Almas, a Tradicional Matança do Porco à Moda Antiga e a Romaria à Santa Marinha. Tem actuado de Norte a Sul do País, tendo-se já deslocado a França e à Holanda. Edita o Boletim D’Avó Gandarense, em defesa e divulgação da cultura tradicional do Concelho de Mira. É membro efectivo da Federação do Folclore Português. Os seus trajes, hoje totalmente em desuso, são a reconstituição fiel do modo de vestir do povo da Gândara e da Beira Mar, na segunda metade do século XIX, havendo a preocupação de usar tecidos tradicionais como o borel, o linho, o surrubeco, a baeta, a chita, brocados, etc., e no calçado o uso da pelica, atanados, calfe, etc., além dos diversos adereços próprios de cada traje, o que constitui um verdadeiro património histórico-cultural. O grupo apresenta os seguintes trajes: casamento, senhora “teres e haveres”, “ver a Deus”, lavradores ricos, lavradores remediados, seareiros, camponeses, jornaleiros, ceifeira de Mira, romeiros, domingueiro de “ir à fonte”, tremoceira, aguadeira, feirantes, moleiros, abobeiro, almocreve, guarda campestre, rapariga de Mira (Miroa), mulher de Mira, gandaresa, diversos trajes festivos, arrais da terra, arrais do mar, calafate, abegão, calador, redeiro, peixeira da Beira Mar e vendedeira de peixe.

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