>Comunidade Cristo de Betânea: Festival de Artes e Oração

>Comunidade Cristo de Betânea: Festival de Artes e Oração

>Decorreu com muito entusiasmo, nos dias 31 de Julho, 1 e 2 de Agosto de 2010, nas Matas (Espite), o Festival de Artes e Oração 2010, promovido pela Comunidade Cristo de Betânea, composto de momentos de convívio, recolhimento, oração, música, desporto, conferências, etc.
Estivemos presentes no dia 2 de Agosto, numa conferência pelo Doutor João César das Neves, sobre o tema bastante actual da pobreza e da crise. O problema mais grave neste momento é o desemprego. Em dois ciclos seguidos, o desemprego aumentou, o que até aqui nunca se tinha verificado. Neste momento, temos uma taxa de desemprego superior a 10,6%. No ano de 2008, aconteceu uma situação invulgar: foram criados 260 mil empregos, mas o desemprego aumentou 180 mil. Como foi possível esta situação? Resultou da vinda dos imigrantes, sobretudo de Leste, que vieram ocupar os empregos que os portugueses não quiseram ocupar. Aconteceu em Portugal, o que se passou nos anos 60, com a emigração em massa dos portugueses para a Europa, mais acentuadamente para França, onde foram ocupar os serviços que os franceses não queriam. Assim, construímos grandes cidades e outras infra-estruturas naquele país francófono.

Com a entrada na Comunidade Económica Europeia, as condições do nosso país evoluíram favoravelmente. As pessoas começaram a viver melhor. Já se julgavam ricas e não estavam preparadas para a crise que nos afecta há alguns anos. Estas mesmas pessoas, que se julgam ricas, recusam-se a ocupar alguns trabalhos que julgam menos dignos. Todos os trabalhos têm dignidade, desde o mais sofisticado ao mais simples. Mas não é apenas isto que se verifica no nosso país. Os desempregados, na sua grande maioria, são pessoas acima dos 45, 50 anos, com baixa formação académica e profissional. Esta é a nova pobreza, pois a pobreza antiga já foi resolvida.

Sempre houve pobreza. Há três causas para isso: 1.ª a maldade; 2.ª o azar; 3.ª …coisas da vida. No entanto, no último século, as coisas foram melhorando, não obstante o grande aumento da população mundial. Alguns países mais ricos começaram a ajudar os mais pobres. Começou a haver mecanismos de protecção aos mais desfavorecidos: os apoios sociais, a protecção para os azares, outros mecanismos de ajuda. Com estas medidas, a vida melhorou imenso.

Mas o maior problema é a falta de amor ao próximo e saber quem é o próximo. Jesus amou os seus inimigos, porque amar os seus amigos era muito fácil, e Ele optou sempre por caminhos difíceis. Cristo disse: “Os inimigos têm de ser amados. Os pobres são bem-aventurados”. No entanto, para além da pobreza material, há outra ainda muito mais nefasta: a pobreza espiritual. É com esta também que devemos acabar, dando de comer à nossa alma e ao nosso espírito. Vamos acabar com a pobreza de caridade, sem nunca acabar com a caridade. A solidariedade e a caridade devem andar de braço dado. Temos de criar as oportunidades para nos darmos aos irmãos. Descobrir o outro, verdadeiramente como irmão. Hoje, há muita arrogância, muita impaciência, muito ódio, muita indiferença, etc. Temos de voltar a aprender a ser pacientes, mais calmos, amar mais e dar mais atenção àqueles que nos rodeiam e sermos mais solidários. Vamos mudar alguma coisa, lançar a semente para que apanhe bom terreno e que germine para dar bons frutos. Vamos utilizar a ciência para nos libertar e não sermos escravos dela.

Manuel Carreira Rito

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