>Entrevista ao sargento Avelino, comandante da GNR da Batalha

>Entrevista ao sargento Avelino, comandante da GNR da Batalha

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“Registamos com agrado um decréscimo da criminalidade”
Tal como prometemos na última edição, quando abordámos alguns casos de roubo violento registados na nossa freguesia, fomos entrevistar o sargento Avelino, comandante do posto da Guarda Nacional Republicana da Batalha, para conhecermos mais em pormenor os dados da acção desta força de segurança no nosso concelho.
Em relação aos casos registados na freguesia, os seus autores foram já identificados, estando a decorrer ainda o processo de investigação relativamente a outros actos que terão praticado. Quanto ao panorama geral da segurança na Batalha, o comandante mostra-se confiante de que não deveremos temer grandes alterações, dado o bom trabalho que considerada estar a ser feito pela GNR, mas também pela “qualidade da massa humana” batalhense.
Entrevista de: Luís Miguel Ferraz
Em geral, qual o tipo de solicitações que chegam mais ao posto da Batalha?
A Guarda, além da missão que lhe está atribuída por lei, intervém na área de policiamento deste posto, num vasto leque de situações, de entre as quais se destacam com maior incidência as acções de investigação criminal e contra-ordenacional que nos são atribuídas por lei e delegadas pelas autoridades judiciárias e autoridades administrativas.
Garante, assim, a execução dos actos administrativos emanados das autoridades competentes, nomeadamente os tribunais, a protecção, socorro e auxilio aos cidadãos e defesa dos bens que se encontram em situações de perigo, por causas provenientes da acção humana ou da natureza, garantindo ainda a segurança nos espectáculos, incluindo-se nestes os desportivos, recreativos e outras actividades de recreação e lazer.
 
 
No âmbito da segurança rodoviária, qual é o problema que identifica como o mais grave? E como poderá ser reduzido?
Nesta matéria, existe um conjunto de factores, e não um isolado, que estão na origem da maioria dos acidentes rodoviários, que se devem a erro humano.
Os mais frequentes são a velocidade excessiva, a condução sob o efeito do álcool, as manobras perigosas, a distância insuficiente relativamente ao veículo da frente e o desrespeito pela sinalização.
A sinistralidade rodoviária poderá ser reduzida com a adopção por parte dos condutores de outro tipo de comportamentos, tais como: adaptar a condução ao estado de tempo, que passará por aumentar as distâncias de segurança, aliada à redução de velocidade, a ingestão moderada de bebidas alcoólicas, evitar a condução em estados de fadiga, não fazer uso de telemóvel, que potencia a distracção do condutor, utilizar os sistemas de retenção e cintos de segurança, etc.
Quanto à criminalidade, qual é o tipo mais frequente de crime? Quais os motivos para essa realidade?
A criminalidade com destaque na área deste posto centra-se no crime contra a propriedade, à imagem do que acontece um pouco por todo o território nacional. Empiricamente, é um tipo de crime no qual o infractor equaciona os benefícios monetários que poderá obter ilicitamente e de imediato e a punição ou castigo, no caso de ser apanhado e detido. O facto é que, por vezes, as penas aplicadas são desadequadas, potenciando este tipo de crime.
Importa referir que muitos dos crimes praticados contra o património são perpetuados por indivíduos ligados ao consumo de drogas, que cometem estes crimes para satisfação imediata, revelando-se por isso a toxicodependência um duplo problema.
Felizmente, neste concelho, os registos de criminalidade violenta e organizada, característica das grandes cidades, com a utilização de violência, de armas brancas ou de fogos, são muito reduzidos. No entanto, nestes meios mais pequenos, as ocorrências divulgam-se com mais facilidade, pelo facto de toda a gente se conhecer, aumentando assim o sentimento de insegurança. Este tipo de crimes, que por vezes também ocorrem, tem merecido, tanto da nossa parte como das restantes polícias, o máximo de preocupação, o que se tem traduzido em bons resultados, repondo elevados níveis de segurança nesta região.
Mas podemos confiar num futuro seguro, ou há indicadores que levem a esperar o aumento da criminalidade, como consequência social da actual crise económica?
Comparando a evolução da criminalidade nos dois últimos anos, registamos com agrado um ligeiro decréscimo dos seus valores. No entanto, não podemos ignorar exemplos de zonas em que a falência do tecido industrial potenciou o aumento do crime contra o património. Ainda assim, no caso concreto da Batalha, pela qualidade da massa humana existente, não creio que isso vá acontecer.
“Qualidade de massa humana” significa que existe colaboração entre a população e as forças de segurança? Há alguns indicadores dessa realidade?
De um modo geral, a colaboração entre a população local e esta força é muito boa. Estou em crer que a relação que a população concelhia tem com esta força de segurança, bem como com os seus militares, merece ser relevada, por ser uma relação sólida construída pela confiança acumulada ao longo do tempo.
De modo a continuarmos a dar uma resposta célere aos problemas dos cidadãos, exortamos os mesmos a que nos façam chegar ao conhecimento as situações geradores de instabilidade e conflito, para que possam ser avaliadas e solucionadas da melhor forma.
Merece também uma palavra o agradável relacionamento institucional que a Guarda goza neste concelho, sendo também um notável exemplo de que as diversas instituições devem trabalhar em colaboração para um fim comum que é o bem-estar do cidadão.
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