Covid-19: Puff deixa o sofá pela protecção contra o vírus

A necessidade aguça o engenho, diz o ditado. E também a solidariedade, podemos acrescentar. De facto, por todo o País têm surgido iniciativas e campanhas de ajuda aos mais desprotegidos e aos profissionais que estão na linha da frente na luta contra esta pandemia.

Sendo um dos problemas mais comentado a falta de materiais de protecção para os profissionais de saúde e para os doentes e idosos institucionalizados, são dezenas as empresas que converteram as suas actividades em produção desses materiais, como máscaras, viseiras, batas, botas, etc.

Foi o que fez Cecília Silva, natural da Golpilheira, proprietária com o marido da empresa Puff, sedeada na Torre, Reguengo do Fetal. Em meados de Março, uma das colaboradoras comentou a falta no Hospital de Leiria de cogulas (uma espécie de carapuço para protecção integral da cabeça) e capas para o calçado e logo ela decidiu parar a sua produção normal e começar a fazê-las com algum tecido não tecido (TNT) que tinha no seu armazém, destinado a forras de malas e sofás. Trata-se de um material que não absorve humidade, o mesmo que se usa em ambiente hospitalar. Feitos os testes e aprovação dos modelos, com assessoria de pessoal médico, passou-se à produção em série.

As duas costureiras da Puff dedicaram-se exclusivamente a este trabalho durante uma semana e mobilizaram já outras cerca de duas dezenas, algumas delas também da Golpilheira, que nas suas casas estão também a costurar os modelos cortados e preparados em kits de produção nesta empresa. Só assim poderão dar resposta ao pedido que, entretanto, veio também do Centro Hospitalar de Nossa Senhora da Conceição, da Misericórdia da Batalha. Recentemente, veio mais um pedido para a Cruz Vermelha de Leiria. A empresa contactou ainda o Centro Social Paroquial do Reguengo do Fetal, mas aqui é o próprio pessoal da instituição que está a lançar mãos à obra para a produção destas protecções.

A primeira centena e meia de conjuntos de cogulas e botas já seguiram para o destino. Em simultâneo, começaram a fazer-se máscaras semelhantes às usadas para protecção simples e minimização da propagação do vírus, semelhantes às que se vendem no mercado feitas neste tecido, enviadas para a população idosa acompanhada pela Misericórdia da Batalha.

Depois de gastar o material que tinha e mais algum trazido das reservas destas unidades hospitalares, outras empresas e fornecedores que souberam da iniciativa por uma notícia divulgada na TVI começaram a fazer chegar materiais, sobretudo TNT, elásticos e arame usado na confecção, além de meios de distribuição. A ajuda nestes custos é, para já, a principal necessidade a que poderão responder os que queiram juntar-se a esta onda solidária. A Puff não aceita dinheiro, mas poderá informar os contactos de fornecedores, que facturarão directamente a quem queira oferecer.

As pessoas que queiram ajudar, seja na aquisição de materiais, seja na oferta de mão de obra nas suas máquinas de costurar caseiras, deverão contactar para o email ceciliasilva@puff.pt. Por este meio serão também dadas todas as instruções sobre cuidados de desinfecção e higiene a garantir na produção e os métodos de entrega e recolha dos materiais, com a devida quarentena entre os vários manuseamentos.

Luís Miguel Ferraz

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