Festas da Batalha em formato reduzido…

Festas da Batalha em formato reduzido…

Cerimónias Oficiais do Dia do Município

Este ano, em resultado da pandemia que atravessamos, as famosas festas de Agosto na Batalha foram uma sombra da grandiosidade que costumam ter. Ainda assim, com muitas adaptações para cumprimento das normas de segurança e prevenção, a Câmara Municipal decidiu “manter todo o simbolismo da efeméride”, com dois espectáculos de lotação muito limitada, algumas iniciativas pontuais e uma sessão solene em que o tema central foi a descentralização e articulação entre as administrações central e local.
Assim, no dia 14, feriado municipal, ao final da tarde, fez-se a habitual deposição de uma coroa de flores no túmulo de D. João I e D. Filipa de Lencastre, na Capela do Fundador do Mosteiro da Batalha, seguindo-se a referida sessão solene. O presidente da Assembleia Municipal, Júlio Órfão, abriu a sessão com a referência à importância desta data e da sua celebração, apesar das contingências presentes. Também o presidente da Câmara, Paulo Santos, referiu os tempos difíceis e o esforço que tem sido feito para evitar a propagação da doença no Concelho, cujo sucesso atribuiu e agradeceu a todas as pessoas e instituições que têm estado alinhadas na prevenção. Quanto a isso, defendeu a necessidade de acompanhar a recuperação económica e social, “dando prioridade às pessoas e empresas no investimento municipal”.
O tema central da sessão foi a solidariedade e descentralização de competências entre os poderes central e local, contando com a presença do secretário de Estado da Descentralização e da Administração Local, Jorge Botelho. O presidente batalhense defendeu que a autarquia está preparada para assumir com mais eficácia a gestão de áreas como a educação, a acção social e a saúde. O secretário de Estado apontou a Batalha como exemplo disso mesmo nas pastas que já aceitou, nomeadamente a educação, e apontou este caminho para “uma democracia cada vez mais participada”.

Medalhas para a saúde

As medalhas habitualmente atribuídas no Dia do Município serviram este ano para destacar os serviços de saúde e apoio social, entre os que estão na linha da frente do combate à pandemia, sendo entregues ao Delegado de Saúde da Batalha, Vítor Sousa, e a representantes do Centro Hospitalar de Nossa Senhora da Conceição, a médica e religiosa Ângela de Fátima Coelho, do Centro Paroquial de Assistência do Reguengo do Fetal, Carla Neto, e do Centro Social e Cultural da Paróquia de São Mamede, Maria Delfina Inácio.
Em nome de todos, Ângela de Fátima Coelho, proferiu as palavras que passamos a transcrever:
“A máscara que trazemos colocada é o sinal daquilo que aqui nos tem. Uma ameaça invisível, mas real, pôs em causa os nossos paradigmas de comportamento social, de modelos económicos, porque ameaçou seriamente a saúde de todos os cidadãos, independente da idade.
Fazer parte da equipa da Santa Casa da Misericórdia da Batalha, concretamente da Unidade de Cuidados Continuados, nesta fase da nossa história, foi um privilégio e uma fonte de experiência e de inspiração.
Fazer parte e cooperar na liderança desta vasta e multidisciplinar equipa de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos de acção social, auxiliadores de acção médica, fisioterapeutas, psicólogo, animador social) foi uma honra.
Humildemente aceitamos o reconhecimento da Câmara Municipal da Batalha. E dedico a toda a equipa este momento, uma vez que sou apenas o rosto e a voz de todos aqueles que, no silêncio e no trabalho escondido, se dedicaram ao cuidado dos utentes a quem servimos!
Asseguramos à população deste município, pleno de humanidade e de história, o nosso empenho total na prevenção desta pandemia e o tratamento e cuidado de todos os que necessitarem.
Porém, temos de ter consciência de um facto, e que nos é recordado por este maravilho Mosteiro da Batalha. O local em que nos encontramos é o sinal visível de lutas antigas e de vitórias que marcaram o destino da nossa nação. Foi com o esforço de tantos que, não apenas a Batalha de Aljubarrota se venceu, mas também que se construiu este memorial dessa vitória de tão difícil hora da nossa história. Será também com a colaboração de todos, cada um com aquilo que lhe é possível fazer (nomeadamente o cumprimento das regras que vão sendo emanadas pela DGS), que esta nova luta se vencerá”.


Inauguração de autocarro e mural sobre a Batalha Real

No dia 14, após a sessão solene, procedeu-se à inauguração do novo autocarro escolar e, depois, de um mural que foi executado no túnel pedonal que faz passagem do parque de estacionamento junto à rotunda de acesso ao IC2 para a Quinta do Sobrado.
O autor, Bruno Gaspar (foto aima), explicou que se trata de uma “representação pictórica de algumas figuras relevantes da Batalha de Aljubarrota, como forma de homenagem à Comunidade Concelhia da Batalha”.
Isso mesmo fica plasmado na placa descerrada nesse local, com o título “Recordar a Batalha de Aljubarrota”, o resumo da obra.


Dois concertos

No âmbito destas festas, foram realizados dois concertos, em versão “intimista” e reservada, com projecção em directo para um público mais alargado na Praça do Condestável e, também em directo, na página de facebook do Município. No dia 14, foi Diogo Piçarra o convidado a actual nas Capelas Imperfeitas e, no dia 15, foi a fadista Gisela João a encantar no Claustro Real do Mosteiro. Segundo nota da autarquia, foram cerca de 100.000 as visualizações registadas destes dois eventos.


Vinho “Batalha Real”

No dia 15 de Agosto, foi apresentado nos claustros do Mosteiro um novo vinho da Adega Cooperativa da Batalha, com a designação “Batalha Real” – Encostas d’Aire DOC. O director do Mosteiro, Joaquim Ruivo, fez as honras da casa, frisando o interesse do monumento em associar-se a estas promoções da cultura e da gastronomia locais, às quais historicamente sempre esteve ligado e que na actualidade cimentam a riqueza da oferta turística e do desenvolvimento local. No final, também o presidente do Município, Paulo Santos, sublinhou a importância da aposta em produtos concelhios de qualidade para a oferta à população e ao turismo e, em especial, na área da vinicultura e da restauração. Elogiou o trabalha da Cooperativa da Batalha neste sector, que tem tido resultado elogiados até a nível nacional.
Pelo meio, o presidente da direcção da Adega, recentemente renovada, apresentou a nova marca como continuidade da aposta na chancela “sabores com história”, que visa precisamente essa ligação aos valores culturais legados ao longo de séculos. Neste caso o nome surge, claramente, em alusão à Batalha Real de 1385, celebrada com grandiosidade no Mosteiro. O enólogo António Ventura, por sua vez, falou das características deste novo vinho tinto, produzido a partir das castas Baga, Castelão, Aragonez e Syrah, provenientes das encostas que circundam a vila da Batalha. Vinificado em pequenas cubas e amadurecido em cascos de carvalho português, tem “cor rubi intenso, aromas complexos com nuances de frutos secos, cânfora e menta, alguma presença subtil da madeira de estágio e com uma boca fresca de notável acidez e taninos sedosos, que proporcionam um final longo, agradável e persistente”. Com 14 graus, é especialmente aconselhado para acompanhar pratos de carne vermelha e caça.
O enólogo, que trabalha com a Adega da Batalha há cerca de três décadas, lembrou que “esta é uma das regiões com mais história nos vinhos” e que “é preocupante a diminuição e envelhecimento dos produtores locais”, defendendo o apoio à sua manutenção e renovação, até pelo “papel que a economia agrária poderá representar no futuro da região”.


Livro de fotografia do Mosteiro

No dia 16 de Agosto, foi apresentado no Posto de Turismo da Batalha o livro “Fotografar o Tempo: Da Casa Alvão à Atualidade”, uma obra produzida por Júlio Órfão, ex-director do Mosteiro. Trata-se da publicação de algumas fotografias daquele conceituado estúdio fotográfico, feitas nos anos 30 do século passado, colocadas lado a lado com registos fotográficos actuais. Permite-se, assim, “verificar e tentar perceber algumas das mudanças ocorridas com o tempo e até perscrutar as suas razões”, referiu o autor na apresentação, defendendo que “algumas das opções podem ser criticadas, outras terão de ser entendidas à luz das opções técnicas e estilísticas da época”. Referia-se, em especial, às obras realizadas na última metade do século XX, visando “a limpeza da zona em redor do monumento, em nome da sua limpeza estilística”. Mas foram sobretudo as “reutilizações para fins diferentes do religioso original” que se vierem a revelar mais “nefastas”. Ainda assim, “não se perdeu o segredo do seu encanto”, pelo que “continua a ser, na actualidade, o principal dinamizador do turismo local e nacional, desempenhando pela sua exclusividade, capacidade de atracção e diversidade artística um papel de alavancagem no desenvolvimento turístico do concelho”, lê-se na introdução da obra.
A sessão foi presidida por Paulo Santos, presidente da Câmara da Batalha, editora do livro, e terminou com uma visita guiada ao Mosteiro pelas cerca de duas dezenas de pessoas presentes, conduzida por Júlio Órfão, que partilhou alguns dos pormenores nem sempre evidentes mesmo a quem pensa que já conhece bem o monumento.

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