Editorial 265 – Fechados

Editorial 265 – Fechados

O significado da imagem que escolhemos para a capa desta edição poderá não ser evidente para todos. No entanto, para os que estão em teletrabalho, alguns desde Março de 2020, ela representa o dia-a-dia a que nos habituámos para contactar colegas e amigos, programar tarefas, fazer reuniões, enfim… trabalhar em equipa. É também facilmente reconhecida por alunos e pais na sua relação com a escola, bem como por tantas e tantas famílias que não têm outra forma de se encontrar, dado o distanciamento físico a que estão obrigadas há semanas ou meses. De certa forma, esta imagem dos “meetings” ou encontros “online” tornou-se icónica de um tempo que, há cerca de um ano, mudou completamente o ritmo da nossa vida social.
Quando virámos a página para 2021, havia no ar uma certa esperança de que o malfadado 2020 ficasse para trás como uma má memória e as coisas começassem a voltar à normalidade. Rapidamente nos apercebemos de que não iria ser assim, com a pandemia a agravar-se para números recorde de contagiados, de doentes internados e… de mortos. Apesar de começarem a circular vacinas, esta (2.ª, 3.ª, 4.ª?…) vaga mostrou como estamos ainda longe de descansar deste pesadelo. No concelho da Batalha, por exemplo, no início de Fevereiro, estávamos com cerca de 700 pessoas já atingidas, uma média de 130 casos activos e 11 mortos a lamentar.
Quando todos afirmavam, inclusive o Governo, que não iríamos aguentar uma nova paralisação geral do País, eis que estamos, de novo, fechados em casa, com milhares de empresas e negócios encerrados, escolas sem alunos, e muita, muita embrulhada nas decisões que vão saindo do legislador, nitidamente à toa na forma como há-de responder ao problema. Ainda assim, e mesmo não concordando com muitas dessas decisões ou vendo como tantos tentam “furar o esquema” em proveito próprio, sem qualquer respeito pelos outros, este é o momento de cumprir o que nos pedem, de praticar uma cidadania responsável, em que o interesse comum obriga a sacrifícios pessoais. Para que nenhuma morte venha a pesar-nos directamente na consciência, além das que, colectivamente, sentimos serem nossa responsabilidade.
Já todos percebemos que não “vai ficar tudo bem”. Apesar disso, a última palavra será de esperança. De que as coisas haverão de voltar a ser (mais ou menos) como eram. De que, um dia destes, poderemos respirar mais aliviados e retomar a vida. De que, pelo menos, tenhamos aprendido alguma coisa com isto.
Até lá, votos de boa a saúde a todos!

Luís Miguel Ferraz

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