Entrevista a José Filipe, presidente da Junta da Golpilheira: “A pandemia modificou a vida na nossa freguesia”

Estamos a entrar no último ano do actual mandato autárquico e fomos ouvir o presidente da Junta da Golpilheira, José Moreira Filipe, sobre como tem decorrido esta missão, sobretudo neste último ano em que a pandemia veio alterar o rumo da nossa vida social. Não sendo um balanço final, podemos já perceber as principais acções desenvolvidas e que leitura fazer do actual estado da Golpilheira.

Entrevista de Luís Miguel Ferraz

O executivo da Junta: Sandra Alves, José Filipe e José Carlos Ferraz

Depois de muitos anos envolvido na autarquia local e, depois, de um também longo interregno, o que motivou o seu regresso à presidência da Junta de Freguesia da Golpilheira, há 3 anos?
O meu regresso surgiu na sequência de um convite. Depois de reflectir, decidi aceitar, uma vez que ainda poderia fazer mais pela freguesia.

Sendo já uma freguesia diferente, naturalmente, de quando deixou a presidência, que diferenças foram para si mais evidentes?
A grande diferença foi o novo edifício da Junta, bem como o pavilhão gimnodesportivo do Município da Batalha, ambos transitados do meu último mandato.

Que projectos trazia em mente para este novo desafio?
Os projectos que trazia em mente tinham em conta as expectativas face à experiência anterior com a excelente colaboração dos presidentes de Câmara com quem tive o gosto de trabalhar, Francisco Coutinho, Raúl Castro e António Lucas. Tais projectos rapidamente se desvaneceram, após reunião com o actual presidente que, desde logo, mostrou estar de costas voltadas para a Golpilheira, não dando apoio a qualquer projecto apresentado por nós até à presente data.

Edifício da Junta de Freguesia

Uma das promessas eleitorais era a reabertura da extensão de saúde da Golpilheira, que parece agora uma ideia posta de parte. Era só uma esperança ou o que correu mal para que não se realizasse?
A reabertura da extensão de saúde da Golpilheira não foi promessa eleitoral deste executivo nem nunca constou do nosso programa eleitoral. Foi sim uma promessa lançada pelos deputados da Assembleia da República – António Sales, Margarida Marques e Porfírio Silva –, aquando da festa convívio do PS realizada no Centro Recreativo da Golpilheira, no dia 23 de Setembro de 2017.
No entanto, a reabertura não se verificou, não por falta de esforço da Junta, mas porque as instâncias superiores assim o entenderam, assim como o Município da Batalha, que desde logo garantiu que a extensão de saúde nunca seria reaberta e finalizou o acordo que existia com outra entidade de saúde para assistência à população no então posto médico.
Não posso deixar de referir que, no geral, a população está satisfeita com os cuidados de saúde prestados pela Unidade de Saúde Familiar Condestável.

Em relação a trabalho efectuado, o que destacaria nestes 3 anos de mandato?
Nestes 3 anos de mandato a principal tarefa, que apanhou este executivo completamente de surpresa, foi a reorganização de toda a orgânica interna da Junta, que simplesmente não existia aquando da tomada de posse. Embora este trabalho não tenha sido perceptível pela maioria da população, era inevitável que se fizesse. Destaco, pela complexidade do processo e valor monetário envolvido: a legalização da funcionária da Junta, a compra de todos os programas informáticos de contabilidade e gestão e respectivas formações, liquidação de toda a dívida existente à Segurança Social e a outros credores.
O que causou maior desgaste foi a avultada dívida a fornecedores, herdada do anterior executivo, referente a trabalhos executados em plena campanha eleitoral, com a qual nos debatemos praticamente durante 3 anos. Lamento que tenha sido necessário que um dos credores desse entrada com processo em tribunal para que a verba fosse transferida do Município para a Junta.

Mais recentemente, fizeram uma intervenção no cemitério…
Sim. Aquando da tomada de posse do executivo, o cemitério encontrava-se em mau estado de conservação, pelo que toda a equipa se reuniu e procedeu a uma primeira limpeza. Consciente do valor sentimental que o espaço representa para toda a população da freguesia, foi prioritária a organização interna do mesmo. Procedeu-se ao mapeamento dos covatos, com a preciosa colaboração do Joaquim Manuel Bento Monteiro. Mais recentemente, os trabalhos contemplaram lavagem e pintura de muros; isolamento da cobertura dos gavetões de ossários; identificação/numeração de covatos e gavetões de ossários; colocação de painéis informativos com a planta do cemitério e vitrinas informativas.

O saudoso Manuel Rito, nosso director-adjunto, estava empenhado nos últimos dias da sua vida em limpar e restaurar a fonte do Casal do Benzedor… numa recente Assembleia de Freguesia foi referido o projecto de se fazer ali um parque de merendas. O trabalho de limpeza foi acabado? E como está esse projecto?
O projecto relativo à fonte do Casal do Benzedor, entre outros, foi também discutido com o falecido Manuel Rito e sabemos o quanto esse espaço lhe era querido. O trabalho de limpeza foi iniciado e este continua a ser um grande objectivo deste executivo. No entanto, e em grande parte devido à pandemia, não foi possível nem viável dar continuidade ao projecto. Daí que tenha sido efectuada a transferência dessa verba para os trabalhos realizados no cemitério.
Ciente da incapacidade financeira desta Junta para levar a bom porto este projecto, pedi apoio ao Município, não tendo obtido até à data qualquer resposta.

Neste último ano, a pandemia veio modificar por completo a vida da sociedade, praticamente em todo o mundo. Como sentiu o impacto deste problema na nossa freguesia?
Não posso negar que a pandemia modificou a vida na nossa freguesia, assim como em todas as outras. Desde o primeiro instante, esta Junta mostrou-se disponível para com os seus habitantes e com o Município, tendo prestado toda a colaboração solicitada.

Em geral, como avalia o desempenho do actual executivo? Quais as maiores dificuldades que encontraram? E quais as maiores alegrias que tiveram?
O desempenho do actual executivo excedeu as minhas expectativas iniciais, quer pela responsabilidade quer pelo espírito de equipa que se desenvolveu.
A maior dificuldade encontrada foi a relação com o presidente do Município e tudo o que isso implica. A colaboração foi praticamente inexistente e não permitiu a realização de qualquer projecto.
Mesmo com poucos recursos, foi garantida uma prestação de serviços de qualidade à população e penso que a mesma reconhece o esforço efectuado, assim como a disponibilidade da funcionária e de todo o executivo.

Em relação ao futuro, que projectos ou iniciativas tem planeadas para se realizarem ainda antes do final deste mandato?
Não prevejo realizar qualquer projecto de relevo, nem qualquer iniciativa habitual, como o passeio de idosos, que tanto acarinhámos, enquanto esta situação pandémica permanecer.

Participação na Semana Cultural da Golpilheira em 2019 foi uma das últimas actividades antes da pandemia

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