José Travaços Santos, o Homem que merece todas as homenagens

José Travaços Santos, o Homem que merece todas as homenagens

Há pessoas que merecem apreço por alguma qualidade ou obra em que se distinguem; há pessoas cujo mérito é digno de reconhecimento público pelo contributo que dão para uma sociedade mais justa, mais culta ou mais humana; há pessoas que devem ser enaltecidas pela excelência da sua dedicação e serviço aos outros. E, depois, há pessoas como José Travaços Santos, que, sendo tudo isso, o é sem pretensão, sem busca de reconhecimento ou louvor, com total paixão na oferta do muito que é e que tem, para que os outros cresçam e sejam melhores pessoas.

Em resumo, foi isso que se disse, no passado dia 19 de Dezembro, no auditório do Mosteiro da Batalha.
O pretexto era a apresentação de mais um volume, o 3.º, de “Apontamentos sobre a história da Batalha”, uma colectânea de artigos que este etnógrafo e prolífico investigador tem publicado no Jornal da Batalha, agora editados sob a chancela do Município e do CEPAE – Centro do Património da Estremadura. Mas a sessão, que reuniu cerca de uma centena de amigos e admiradores de José Travaços Santos, acabou por centrar-se à volta da sua dedicação à história, à cultura, à promoção dos valores humanos e da identidade nacional, em que a defesa da língua e da alma portuguesas ganha especial ênfase.
A sessão vinha sendo preparada há longos meses pelo Rancho Folclórico Rosas do Lena, que a ele deve grande parte da sua história desde a fundação e da sua identidade como um dos mais ilustres representantes da etnografia regional e nacional, aquém e além fronteiras. A pandemia foi levando ao protelamento, mas veio em tempo útil e sempre em tempo devido.

Filme ao “super-herói”

A abrir, um filme serviu para apresentar um breve resumo da sua imensa actividade no folclore, nas letras e literatura, na investigação histórica, na museologia, em muitas outras áreas do saber a que se dedica e em que se torna mestre e divulgador de conhecimentos. Sobretudo, frisando o seu carácter genuíno, generoso, humilde, afável e bondoso, que marca todos aqueles com quem se cruza, desde o mais douto catedrático ao mais simples homem da lavoura ou curiosa criança da escola. Os testemunhos inseridos na filmagem frisavam cada uma e todas essas características, com diferentes nuances, mas com o mesmo sentido de admiração, amizade e gratidão pelo legado cultural e humano que continua a partilhar. Mais uma vez, desde responsáveis de instituições culturais, autarquias ou associações, até aos colegas, amigos e familiares, o mesmo sorriso que o nome Travaços em todos desperta.
O vídeo pode ser visto no canal Youtube do nosso Jornal:

Louvor e gratidão

Na sessão, mais alguns testemunhos acrescentaram exemplos que não vêm em livros, mas se vivem na relação directa, em encontros de saber, em eventos de arte e cultura, tal como em simples conversas de rua ou almoços de amizade.
Alguns responsáveis regionais e nacionais do folclore, o notável investigador da música tradicional portuguesa Alberto Sardinha, o presidente do rancho Rosas do Lena, António Bagagem, o director do Mosteiro, Joaquim Ruivo, o presidente do CEPAE, Adélio Amaro, e o presidente da Câmara, Raul Castro, foram alguns dos intervenientes que quiseram sublinhar o contributo inestimável deste homem à cultura e ao património imaterial do concelho da Batalha, da região de Leiria, do todo nacional e, sem dúvida, da humanidade. Por alguma razão o “Óscar Mundial do Folclore” é um dos reconhecimentos que já recebeu. Só falta o justo reconhecimento do Estado português, como lembraram alguns.
Nestes testemunhos, mais uma vez, destacou-se a sua capacidade de conhecimento, o seu gosto em partilhar saberes, a sua alma sensível de poeta, a sua amizade aberta e sincera, a sua humildade, generosidade, simpatia e empatia pelo próximo. Exemplo e estímulo para todos, reconheceram outros amigos presentes e as próprias filhas Fátima e Leonor, também intervenientes.

A humildade de sempre

O homenageado agradeceu, ao seu estilo: com simplicidade, humildade e alguma surpresa pelo rumo que levou a sessão que julgava de apresentação do seu livro, mas com uma gratidão sincera e alegre. Sublinhou a importância de alguns dos presentes no seu percurso de vida intelectual e pessoal e aproveitou para recordar algumas das coisas que o fizeram mais feliz, como o trabalho que desenvolveu longos anos com “os rapazes das cadeias, gente especial de quem nunca tive medo”, precisamente porque os tratava como pessoas que eram, “com respeito e cordialidade”.
Outras paixões: o Mosteiro da Batalha, claro, a língua portuguesa, o mar e a história dos Descobrimentos, que vê com mágoa ser denegrida por quem não sabe ver-lhe a grandeza e o que significou para a evolução da ciência, do encontro de culturas e da humanidade tal como a conhecemos. Tal como sempre lamentará outros atentados, de que é exemplo a destruição da Igreja de Santa Maria-a-Velha, no largo do Infante, junto às Capelas Imperfeitas, que era o verdadeiro panteão dos mestres que ergueram o Mosteiro de Santa Maria da Vitória e que a ignorância deixou ruir e deitou abaixo, em pleno século XX.
José Travaços Santos é, desde há muitos anos, regular e querido colaborador do Jornal da Golpilheira. A presença nesta sessão e o testemunho dado pelo seu director no filme transmitido são apenas uma migalha da imensa gratidão que lhe devotamos pelo tanto que enriquece os nossos leitores. Mais do que isso, uma admiração transformada em amizade, que nunca é demais sublinhar e reforçar para com este Homem, digno de todas as homenagens e reconhecimentos.

Luís Miguel Ferraz

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