>Alerta vermelho: Centro Recreativo em dificuldades

>Alerta vermelho: Centro Recreativo em dificuldades

>Esta notícia é resultado de muita reflexão. Apesar da aparente boa saúde da nossa colectividade, a conclusão parece incrível, mas é verdade: analisando os últimos anos, é lamentável constatar que os sócios e os golpilheirenses, em geral, têm vindo a divorciar-se da sua associação.
Há uma forte crise de interesse generalizado, que se traduz na falta de dirigentes, que cada vez mais se furtam em fazer parte dos órgãos directivos e das várias secções. Felizmente, ainda vamos tendo boa matéria-prima para as diversas actividades. No entanto, sem dirigentes a associação não funciona. Um exército sem chefia é um exército morto. Esta falta de renovação dos dirigentes deve-se ao facto de as pessoas hoje estarem mais egoístas, esquecendo as vivências em sociedade. A participação desinteressada, com o objectivo de servir os outros, é um acto apostólico, digno de louvor.
Neste momento, a verdade é nua e crua. Se os sócios e os golpilheirenses em geral já não precisam da colectividade, que tem sido o pólo de desenvolvimento da nossa aldeia a todos os níveis, contribuindo inclusive e decisivamente para a criação da nossa freguesia, então que se feche. Talvez seja uma boa terapia, para confirmar, ou não, este meu pensamento.
Tenho acompanhado o seu crescimento, quase desde o seu início. Sempre foi difícil encontrar direcções. Que me lembre, apenas uma vez foram apresentadas duas listas a votação. Chegou-se a diversas alturas, e depois de várias assembleias-gerais, tinha de se recorrer ao método de andar de porta em porta para se encontrarem “voluntários” para compor os órgãos directivos. Esta situação passava-se com a colectividade sem dívidas.

Relatório de dívidas
Ora, neste momento, e devido a alguns investimentos mal pensados e talvez desnecessários, a colectividade sobrevive à custa de balões de oxigénio e da boa-vontade de alguns avalistas. Estes, que deram o seu aval para a compra dos terrenos anexos à sede, estão a suportar cerca de 138.000 euros. O Restaurante Etnográfico está hipotecado à Caixa Geral de Depósitos por 175.000 euros, para viabilizar um empréstimo, do qual ainda se devem cerca de 124.000 euros. O terceiro financiamento, no valor inicial de 150.000 euros, tem sido amortizado com grande dificuldade e neste momento está em cerca de 127.000 euros. A estes valores há ainda a juntar dois empréstimos da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo da Batalha, um a curto prazo no valor de 18.250 euros e outro a médio prazo no valor de 22.000 euros. Mas apesar das dificuldades, ainda há sócios que confiam no futuro, como prova o recente financiamento de 150.000 euros para pagar fornecedores, que cerca de 30 sócios tornaram possível.
Uma grande ajuda é a colaboração da Câmara Municipal da Batalha, com a qual mantemos uma excelente parceria, mas esta não é suficiente para colmatar os nossos compromissos. O aluguer das salas para o ATL, o serviço de almoços às escolas da Golpilheira, Faniqueira e Rebolaria, e os subsídios às diversas actividades, recebidos durante o ano, continuam a não chegar. O protocolo de venda de 1.500 metros quadrados do terreno, previsto para as piscinas descobertas, continua por resolver. Temos algumas garantias de que o desbloqueamento dos terrenos esteja realizado dentro de dois meses, altura em que podemos fazer a escritura. O resultado desta venda será, se possível, para amortização dos empréstimos bancários.

Ainda há projectos
Apesar de todas estas dificuldades, ainda existem alguns projectos, que esta direcção gostava de ver concretizados, até final do mandato. Se não for possível levá-los a efeito na sua totalidade, pelo menos preparar o seu andamento. Estes projectos apenas podem ser executados com subsídios, uma vez que a associação não pode criar mais dívidas, sob pena de tornar insustentável o seu funcionamento.
Um destes projectos é o pavilhão gimnodesportivo da Golpilheira, indispensável para a continuação dos bons resultados das nossas equipas de futsal e para a criação de novas actividades. Outro projecto, também muito ambicionado, é o Centro de Dia para Idosos e o Apoio Domiciliário. Mas, para que estes projectos se tornem efectivos, para além das verbas, é preciso muita dinâmica e empenhamento, não só por parte dos sócios, mas também de todos os golpilheirenses, que serão os principais beneficiados. Felizmente, já temos ocupação para as crianças e jovens. Agora, estamos em dívida para com os idosos.
Após a concretização destes projectos, haverá outros. Novas ideias vão surgindo. A vida está em constante mutação, obrigando a que os projectos acompanhem estas mudanças. E a grande verdade é que quem andar à frente será sempre o vencedor. Por isto, não podemos dormir.

Novas direcções?
Esta direcção já vai a meio do seu segundo mandato, que termina em Abril de 2009. Sei, porque lido com todos os actuais directores, que a grande maioria não vai continuar, não por estarem saturados, mas pelo desinteresse e falta de apoio que a grande maioria dos sócios têm manifestado. Parece inoportuno, estar a escrever esta reflexão. No entanto, é bom que se perfilem novos sócios, para dirigir a colectividade a partir de Abril de 2009. É a oportunidade daqueles que mais criticam negativamente e massacram esta direcção mostrarem aquilo que valem. Não fujam a este desafio. Eu, quanto a mim, cá estou para ajudar.
Para provar este divórcio dos sócios para com a associação, basta consultar o livro de presenças das assembleias gerais dos últimos anos. De uma média de 25, 30, 40 presenças, passou-se para 10, 15 nas duas últimas. Aliás, a fraca presença de sócios na data da primeira convocatória, motivou a marcação da segunda. Infelizmente, o adiamento não trouxe nenhum benefício, já que o número de sócios não aumentou muito para além da dezena. Para uma associação com cerca de 700 sócios efectivos, é uma vergonha. Até parece que os sócios têm medo de aparecer, com receio de serem pressionados para desempenharem algum cargo. Mas, nesta última, não havia esta desculpa, uma vez que o único ponto de ordem de trabalhos era a aprovação das contas do ano de 2007.

Casamento ou divórcio?
Sinceramente, se não for reabilitado o casamento entre os sócios e a colectividade, prevejo um futuro muito negro, num curto espaço de tempo. Depois de muitos anos a aglutinar, em redor da nossa associação, todas as actividades da nossa freguesia, estas estão hoje dispersas, enfraquecendo-a. É indispensável que o “bairrismo” volte a iluminar os nossos sócios e todos os cidadãos da nossa freguesia. Ajudar não é apenas pagar as quotas. A presença, a ajuda nas diversas actividades é muito importante, já que se trata de lidar sobretudo com crianças e jovens.
Realizaram-se nos passados dias 19, 20 e 21 os festejos do 39º aniversário do CRG. Se não colaborou, é a altura ideal para entregar o donativo que estiver ao seu alcance. O Centro Recreativo da Golpilheira, que afinal somos todos nós, agradece. Leia, reflicta e faça o que puder para ajudar a nossa colectividade, enquanto é tempo. Faça-o hoje, porque amanhã poderá ser tarde, para nunca ter de dizer: “se eu soubesse, também tinha ajudado”.
Manuel Carreira Rito

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