Festival de Folclore da Golpilheira

Clique em cima para ver a foto-reportagem completa
^^^ Clique em cima da imagem para ver a foto-reportagem completa ^^^

Organizado pelo rancho folclórico “As Lavadeiras do Vale do Lena”, do C. R. da Golpilheira, decorreu no passado dia 1 de Outubro, no salão de festas da colectividade, mais uma edição do Festival de Folclore da Golpilheira. Contou com o apoio da Câmara Municipal da Batalha, da Junta de Freguesia da Golpilheira, do Jornal da Golpilheira e do Centro Recreativo da Golpilheira.

Para além do rancho anfitrião (Alta Estremadura), participaram o Rancho Regional de São João de Ver – Santa Maria da Feira (Douro Litoral Sul), Rancho Regional do Campo (Entre Douro e Minho) e Rancho Folclórico “Os Camponeses de Malpique” –  Santa Margarida de Coutada (Templários). Depois da recepção, seguiu-se o jantar convívio no salão de festas. A refeição foi farta e apetitosa, garantindo o bom desempenho neste evento de todos os intervenientes.

Chegada à hora marcada, os grupos, um a um, fizeram a sua primeira passagem pelo palco, onde se posicionou cada um dos porta-estandartes, para receberem as lembranças distribuídas nestas ocasiões. Para entrega destas lembranças, foram convidados o presidente da Junta de Freguesia da Golpilheira, Carlos Santos, o coordenador do Conselho Técnico da Região da Alta Estremadura da Federação do Folclore Português, José Vaz, o dirigente da Associação Folclórica da Região de Leiria e Alta Estremadura, Carlos Cunha, o presidente do Centro Recreativo da Golpilheira, Belarmino Almeida, o elemento da tocata do nosso rancho folclórico, Artur Monteiro, e um grande amigo do nosso rancho, José Travaços Santos, enorme conhecedor, defensor e amante do folclore. Após a distribuição das lembranças, cada um dos elementos teceu algumas considerações, coincidentes nalgumas opiniões, enaltecendo o desempenho e a importância dos grupos folclóricos, nos usos e costumes dos nossos antepassados. Nunca é de mais, louvar o trabalho de todos os grupos nacionais, todos diferentes, mas todos iguais na defesa da nossa identidade.

No Festival de Folclore propriamente dito, cada um dos ranchos demonstrou em palco toda a beleza das danças e cantares das regiões que representam. Uma admiração que eu tenho é observar que, por vezes, ranchos folclóricos de regiões próximas apresentam danças, trajes e cantares sempre diferentes. Penso que é aqui que está a grande diferença entre o nosso folclore e o de outros países. Houve algumas recriações que nos fizeram recuar a meados do século XX, que muito enriqueceram este belo serão de folclore.

Como habitual, apresentamos abaixo uma resenha do historial e características principais de cada um dos grupos participantes.

Manuel Carreira Rito

“As Lavadeiras do Vale do Lena”

Foi fundado em 12 de Julho de 1989, está sediado no lugar e freguesia de Golpilheira, concelho de Batalha, distrito de Leiria e representa o Folclore da Alta Estremadura. Golpilheira foi, em tempos, um lugar vocacionado para a agricultura. Nas margens do Rio Lena cultivava-se milho, hortas, vinho, azeite e legumes. As danças e cantares, foram recolhidos de pessoas nascidas na última década do século XIX. Eram as que “bailhavam” a céu aberto, nas alpendoradas e de portas a dentro – nas Eiras; nas Descamisadas; nos Terreiros, pelos Santos Populares; nos Serões dos Enxovais; nos Serões dos Casamentos; nas Adiafas da Vindima e Azeitona e na “Casa da Brincadeira”. Os Trajes de Trabalho, Domingueiro ou de Cerimónia, eram os que se usavam a rigor na segunda metade do século XIX. As alfaias, ferramentas e pertences, correspondentes a cada actividade, estão representados no Malhador, na Ciranda, na Vindimadeira, no Lagareiro, no Abegão, na Jantareira, na Lavadeira e no Par de Noivos Pobres. Os instrumentos usados na tocata são os tradicionais da região. Este Rancho Folclórico é sócio efectivo da Federação do Folclore Português, desde Janeiro de 1996 e é sócio fundador da Associação Folclórica da Região de Leiria – Alta Estremadura. Em 2009, foi condecorado com a Medalha de Prata do Município da Batalha. Orgulha-se das inúmeras actuações que fez, durante estes anos de existência, de Norte a Sul do País, mas também da participação em Festivais Internacionais em Espanha, por duas vezes, França e Roménia. A beleza dos Trajes, Danças e Cantares, preserva e divulga a sua cultura e tradição.

Rancho Regional de São João de Ver

Fundado em 1981, é sócio efectivo da Federação de Folclore Português, Federação da Cultura Portuguesa, INATEL, FAOJ e RENAJ. É constituído por 55 elementos, dos mais diversos extractos sociais e etários. Mostra e divulga “Trajes, Danças e Cantares, Usos e Costumes”, das Terras de Santa Maria da Feira. Assume-se fiel representante dos seus antepassados e pertence ao Douro Litoral, Diocese do Porto, Distrito de Aveiro. Tem sede provisória no Lugar da Granja, Vila de S. João De Ver. Percorreu já um longo caminho, nomeadamente, centenas de actuações de norte a sul de Portugal. Actuações para a Rádio e Televisão, gravação para França em cassete vídeo, várias cassetes gravadas, representante de Portugal em Grandes Festivais Internacionais, tais como, Festinatel 12 dias em Lisboa 1998, França 1990, Espanha 1991 e Madeira 1996. Após o já distante Março de 1981, até hoje, é já longa a caminhada do Rancho Regional de S. João de Ver. Tristezas e alegrias, euforias e desânimos, mas uma coisa ficou, a certeza e a vontade que nos permitem concluir, que afinal valeu a pena ter começado.

Tocata: Acordeão, Concertina, Violão, Viola Braguesa, Cavaquinho, Ferrinhos, Bombo e Reco Reco. Trajes que representa: Lavradores Ricos, Feira, Romaria, Festa, Domingar, Apanhador de Pinhas, Carqueja, Ceifeiros, Vendedeira de Água, Semana Santa, Pastores, Serandeiro e Passeio tudo em Linha. Ainda tem e divulga em Escolas, Feiras, Festas e Romarias, Exposição de Trabalhos Manuais do Linho, desde a semente à peça.

Rancho Regional do Campo

Surge a 11 de Abril de 1986, composto por 40 elementos, que se honra de representar, hoje, com justa legitimidade o puro folclore e etnografia desta região. Está situada a 13 Km do Porto, na parte Norte do Douro – Região Entre Douro e Minho, com a beleza paisagística, onde o verde dos campos, contrasta com o cinzento dás lousas. Divulga num reportório rico e variado as danças e cantares da sua região, as quais constituem, um dos principais motivos para as pessoas se juntarem nas horas de lazer. A tocata do rancho consta de diversos instrumentos que num conjunto agradavelmente harmonioso, reproduzem o ritmo alegre e comunicativo da música tradicional. Quanto aos trajes, apresenta o grupo os trajes usados outrora, identificando-se com os usos e costumes da sua região, sendo trajes de trabalho; traje de feira; traje de romaria; traje de domingar; traje de noivos e traje de missa ou culto rico. O seu único objectivo é divulgar as suas tradições e sensibilizar as camadas mais jovens para os valores culturais do povo a que pertencem.

“Os Camponeses de Malpique”

Fundado a 14 de Setembro de 1985, no lugar de Malpique, freguesia de Santa Margarida da Coutada, concelho de Constância e distrito de Santarém. O processo “Camponeses”, veio colmatar uma lacuna de âmbito sociocultural existente na região, mais concretamente de índole popular tradicional. O facto de mais de 50% da população residente no concelho de Constância até meados dos anos 50 do séc. XX, depender exclusivamente para a  sua sobrevivência da actividade agrícola, sustentada nas várias quintas espalhadas pela região, permitiu desenvolver um profundo trabalho de pesquisa etnográfica e folclórica, visível na forma como este grupo se apresenta ao público nas várias recriações que interpreta e no enorme acervo etnográfico que tem em sua posse. Os trajes que apresenta são o retrato fiel dos hábitos usados pelas suas gentes de antanho, nas variantes de trabalho e de domingar, onde predominam os cotins e os riscados entre outros tecidos de menor expressão colectiva. As suas músicas são por norma de melodiosa cadência, muito própria das gentes da Charneca Ribatejana, com marcada influência das regiões limítrofes, nomeadamente do Alto Alentejo e Beira Baixa. Como prova cabal do trabalho que desenvolve, é este grupo, sócio efectivo da Federação do Folclore Português; da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto; é Centro de Cultura e Desporto da Fundação Inatel e é portador da Medalha do Concelho de Constância, por reconhecidos méritos na pesquisa, defesa e preservação das memórias colectivas e tradicionais das suas gentes. Na certeza que este é um trabalho nunca terminado, vincamos a promessa de uma constante luta pela verdade das vivências dos nossos avoengos.

Partilhar/enviar/imprimir esta notícia:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.