>Festa no Mosteiro da Visitação da Batalha: Votos da Irmã Rita Maria

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O dia 5 de Outubro foi de festa para a comunidade do Convento da Visitação na Batalha. Tendo terminado o prazo dos seus Votos Temporários, a Irmã Rita Maria, de 38 anos, foi admitida pelo Capítulo da Comunidade aos Votos Perpétuos Solenes. Escolheu o dia 5 de Outubro, simplesmente por ser o dia mais próximo da data que marcava a sua primeira Profissão. E foi também por ser dia feriado, havendo mais possibilidade de assistência dos fiéis, como a Santa Igreja o recomenda e também para os seus familiares e amigos poderem assistir.
A Eucaristia, às 15h00, foi presidida por Monsenhor Luciano Guerra e concelebrada por quatro sacerdotes. No momento dos votos, a Noviça saiu da clausura para o Presbitério, onde fez a sua Profissão de Votos Solenes. E no final os convidados participaram num “copo de água ” que a néo-professa ofereceu.
A nova Professa, natural de Lisboa, fez 39 anos no dia seguinte aos votos. Foi uma jovem como tantas outras. A sua família era católica, mas nunca assumida e muito menos praticante. Por isso, nunca teve uma educação católica. Na sua juventude, enfrentou uma doença no coração que a fez ouvir o chamamento d´Ele. Começou por frequentar a catequese, assistir às missas dominicais, fez a Primeira Comunhão, a Comunhão Solene e o Crisma. Quando já namorava, conheceu esta Congregação das Irmãs da Visitação e nela se integrou, onde realizou uma grande caminhada de oração. Sentiu-se sempre cada vez mais feliz e realizada no caminho que escolheu. Hoje afirma-se “muito feliz”, consciente de que este “é o culminar de um caminho e o início de outro. Inicio de uma vida de oração, obediência e missão em clausura”. Está feliz por Deus a ter chamado e por se encontrar junto d´Ele.
Segundo um familiar, “era aquilo que ela queria, desde muito nova. Está feliz porque sentiu o chamamento da fé. Ela adorava a vida e depois veio enclausurar-se. É complicado perceber… mas é a sua vontade”.

Para entendermos melhor qual o verdadeiro significado desta escolha de vida, colhemos alguns testemunhos que publicamos nesta página.

Texto e fotos: Catarina Bagagem

TESTEMUNHOS…

Apostolado pela oração
Nós somos poucas, há muito tempo que fizemos esta “festa maior” e há uns 15 anos que não temos Profissão Solene, a última foi a Maria Nadire, agora já com 97 anos, pois já veio com bastante idade. Mas no dia 31 de Outubro vamos ter outra, se Deus quiser, portanto a comunidade fica enriquecida com mais duas profissões de Votos Perpétuos Solenes. Temos agora uma postulante e vamos ver se Nosso Senhor nos manda mais. Porque a comunidade já está um bocadinho idosa, tem muitas irmãs com muita idade, doentes, e precisamos de gente nova para continuar a Ordem.
Eu estou felicíssima, a Irmã Rita também, e Deus também. É mais um membro da Igreja que se consagra inteiramente. Embora não tenhamos apostolados exteriores, mas temos pela oração. Santa Teresinha nunca saiu do convento e foi proclamada a Padroeira das Missões, portanto nós aqui procuramos fazer o mesmo: conquistar almas, salvar almas, somos missionárias pela Oração.
A Irmã Rita é muito dedicada, pode-se contar com ela para qualquer serviço, com muita disponibilidade. Qualquer coisa que se peça ela oferece-se. Tens defeitos como qualquer pessoa, mas na obediência, na submissão, na caridade, tem um grau bastante elevado, o que é muito bom para nós e para o mundo inteiro, que ela se eleve como as almas se elevam do mundo, como bandeira santificante.
Este é o nosso apostolado, o nosso modo de ajudar os outros. Outras ordens têm grandes austeridades e podem ajudar a Igreja dessa forma, mas nós não temos austeridade, por vontade do Santo Padre expressa aos fundadores, de modo a podermos ter uma audiência mais vasta. É uma entrega ao Senhor de outra maneira, mesmo bem calçadas e não descalças como outras comunidades andam, mas numa fidelidade grande às nossas Constituições.
Irmã Maria de Lurdes, Superiora da Comunidade

Sinal de Deus para o mundo
Eu senti que esta celebração de Profissão de Votos Perpétuos é mais um sinal da riqueza do Espírito Santo que adorna a Igreja com inúmeros carismas e vocações, que contribuem para o bem de todo o corpo que é a Igreja. Nomeadamente, este tipo de vocação específica que é a clausura das Irmãs Contemplativas, que seguem o carisma dos fundadores São Francisco de Sales e Santa Joana de Chantal, procurando viver num espírito de grande humildade e de bondade, amabilidade para com os outros. Esta vocação e esta Ordem são um sinal para o nosso mundo, de que Deus realmente está vivo e operante. Porque ninguém abraçará uma vocação de consagração como esta sem uma grande fé e sem um grande amor a Deus e também, ao fim e ao cabo, aos outros e à Igreja.
Pe. Manuel Pina Pedro, capelão

Uma nova Primavera
Este dia significa que Cristo vive em nós de várias formas e que a realidade da vida religiosa, uma das formas mais difíceis e radicais, continua a ter vocações. Temos a ideia de que este mosteiro está muito envelhecido, mas vamos ver o que Deus quer para o futuro, se realmente se irá conseguindo renovar-se…eu espero que sim! Mesmo com raparigas ou mulheres que de facto já não são muito novas, como o caso da Irmã Rita, mas é muito possível que este Mosteiro se venha a sustentar e era muito bom, não só pelo sítio que é muito bom, recolhido, mas também para a Diocese!
Graças a Deus que a Igreja já não pode viver de aparências e, por isso, a Igreja hoje vai ficando cada vez mais daquilo que realmente é! E a meu ver está a passar por tempos de uma aparência de pobreza muito grande de vocações, missa dominical, jovens que se afastam, não chegam a aproximar-se. Mas eu penso que isto é uma fase necessária, é uma fase de Inverno que acabará, espero eu, numa nova Primavera. Porque assim, como no Inverno as coisas parecem todas mortas, as árvores, as cepas… e depois vem a Primavera e começa a rebentar por todos os lados e afinal o Inverno serviu para a planta se alimentar. E às vezes na Igreja acontece a mesma coisa.
Desejo que a Irmã Rita seja fiel à intenção e ao coração que usou hoje, ao fazer esta Profissão de Votos!
Monsenhor Luciano Guerra, presidente da celebração

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