Ordenação Episcopal de D. Virgílio Antunes

Ordenação Episcopal de D. Virgílio Antunes

“Anunciamos Cristo crucificado”

Três anos e meio depois da sua consagração, a Igreja da Santíssima Trindade, no Santuário de Fátima, acolheu a primeira ordenação de um bispo. O padre Virgílio Antunes, natural de S. Mamede, reitor deste Santuário nos últimos dois anos e meio, foi nomeado Bispo de Coimbra por Sua Santidade o Papa Bento XVI a 28 de Abril deste ano, celebrou a sua ordenação episcopal no passado dia 3 de Julho e entrou na sua nova diocese no dia 10.
As cerca de 10 mil pessoas que quiseram testemunhar este momento encheram por completo o maior templo coberto do País, juntando-se às dezenas de sacerdotes e bispos que concelebraram a Eucaristia, presidida por D. António Marto, prelado de Leiria-Fátima. Uma celebração de três horas que, pela sua riqueza, simbolismo e solenidade, pareceu leve e foi vivida com intensidade e participação pelos fiéis, vindos sobretudo das duas dioceses que se ligam agora na pessoa do novo bispo.

Servidor da Igreja
Os gestos, as palavras, os cânticos foram expressão litúrgica de um acto que ultrapassa a realidade humana e só se compreende verdadeiramente com o coração. A entrega do homem a Deus faz-se em pequenos gestos diários, quotidianos, simples. Mas há momentos em que essa entrega se torna especial, sem deixar de ser simples e humilde, porque só assim podemos relacionar-nos com Ele. “Procuro elevar até à Santíssima Trindade a minha oração de louvor e acção de graças, porque nos seus pobres servos continua a realizar as suas grandes coisas”, afirmava D. Virgílio no final da celebração. Confessando que se interrogou “se era uma boa ou má opção”, o novo bispo afirmou ter aceite esta missão por ser “a voz da Igreja que (…) precisa de prover às suas necessidades”.
Na mensagem que dirigiu aos fiéis, D. Virgílio Antunes confirmou a sua “comunhão com a Igreja de Cristo” e “disponibilidade para cooperar com ela na realização da sua missão de sacramento de salvação universal”, explicando o lema escolhido para o seu bispado «Anunciamos Cristo crucificado, sabedoria de Deus». Uma frase que significa “centrar-me na pessoa de Jesus Cristo”, que “a linguagem da cruz continua a ser o grande sinal do amor de Deus”, que “o anúncio evangelizador precisa de continuar a fazer-se aos quatro ventos, com uma linguagem nova e acessível, mas sempre centrada no acontecimento fundante da nossa fé” e que “quero exercer o ministério na Igreja com a alegria proveniente da gloriosa ressurreição de Cristo e com a humildade e espírito de entrega e serviço provenientes da sua paixão”.

Pastor, Pai, Irmão
Partindo do exemplo de Santo Agostinho, que sonhava viver em contemplação e foi surpreendido pelo chamamento de Deus para ser Bispo de Hipona, D. António Marto sublinhou na homilia a disponibilidade que caracteriza o múnus episcopal, com a “beleza” e a “responsabilidade” de quem “perdendo a sua vida, dando-se a si mesmo por Cristo e pela sua Igreja, encontrava a verdadeira Vida para a levar aos outros”.
Dirigindo a D. Virgílio, o Bispo de Leiria-Fátima pediu–lhe que seja “contemplativo do mistério da intimidade do Deus Santo”, levando “no coração, nos olhos e nos lábios a beleza de Deus”, para se tornar “evangelizador fiel do teu povo (…) palavra generosa e fecunda que bate à porta dos corações”. Pediu-lhe ainda que seja “bispo com coração de pai, muito humano e compreensivo, de coração universal, aberto a todos de dentro e fora da Igreja, santos e pecadores, grandes e pequenos, elevados e humildes”. Finalmente, pediu ao novo bispo que seja um “irmão que infunde em todos um grande sentido de fraternidade e desperta a esperança: que vive a comunicação e a proximidade com os sacerdotes e os fiéis, que valoriza as suas iniciativas, que integra as suas esperanças, que promove a sua corresponsabilidade, que conta com os carismas e as realizações que florescem no povo de Deus, que aceita um ritmo por vezes mais lento nos projectos pastorais mas que conta com mais probabilidades de adesão e persuasão para fazer caminho juntos”.
Como que em resposta, dirigindo à sua nova diocese, D. Virgílio afirmou-se “disponível para ir ao vosso encontro com a confiança e a esperança fundadas em Cristo que me chamou e me envia” e formulou um voto: “Gostaria de chegar ao meio de vós como um amigo e como um irmão que comunga das vossas alegrias e tristezas, que acolhe e é acolhido na simplicidade, e que vos confirma na fé enquanto porção do Povo de Deus”.

Luís Miguel Ferraz

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